Confissões

Pablo Neruda trilíngue

Sonnet 17

I love you without knowing how, or when, or from where.
I love you straightforwardly, without complexities or pride;
so I love you because I know no other way.

Soneto 17

Te amo sin saber cómo, ni cuándo, ni de dónde,
te amo directamente sin problemas ni orgullo:
así te amo porque no sé amar de otra manera.

Soneto 17

Eu te amo sem saber como, nem quando, nem de onde,
te amo diretamente sem complexidades nem orgulho;
então eu te amo porque eu não sei outro jeito de amar.

Pablo Neruda

Pra quem gosta de aprender outros idiomas (como eu) veja aqui “Eu te amo” em várias línguas.

“Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.” I Coríntios 13:1

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Lucubrações

Lucubrações no Vivendocidade – Fiquei velho! Meu filho nasceu

Por vezes as pessoas, em especial as nossas genitoras, ficam nos pressionando a dar-lhes crianças gordinhas que corram pela casa e façam xixi nos carpetes. Assim desejam sem nem se preocupar em saber se estamos prontos (as) para a missão de educar e alimentar os bacuris. Não adianta, é só entrarmos em idade reprodutiva que já somos bombardeados pelas vontades alheias no sentido de casarmos e termos filhos. O plano de Deus para nós e a nossa própria vontade parece que não contam mais. E mesmo aqueles que sabem que tudo tem seu tempo certo para acontecer  (Eclesiastes 1:1) ainda caem na tentação de testar nossa paciência com o assunto namoro-noivado-casamento-filhos. Cobrança pouca é besteira! Marina Correa discorreu bem sobre esse assunto no Vivendocidade e, cá entre nós, eu super concordo com ela. Leia aqui.

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Confissões

Bilhete de suicídio

“Querido, Tenho certeza de estar ficando louca novamente. Sinto que não conseguiremos passar por outra daquelas fases difíceis. E sei que não poderei me recuperar desta vez. Comecei a escutar vozes e não consigo me concentrar. Portanto, estou fazendo o que parece ser a melhor coisa a fazer. Você me deu a maior felicidade possível. Não creio que duas pessoas pudessem ser mais felizes até chegar esta doença terrível. Não consigo mais lutar. Você foi, em todos os sentidos, mais do que qualquer outro poderia ser. Sei que estou arruinando sua vida e que sem mim, você poderá trabalhar. E você o fará, eu sei. Veja, não consigo sequer escrever isso apropriadamente. Não consigo ler. O que quero dizer é que devo toda a felicidade da minha vida a você. Você tem sido inteiramente paciente comigo e incrivelmente bom. Se alguém pudesse me salvar, teria sido você. Tudo está acabado para mim, exceto a certeza de sua bondade. Não posso mais continuar estragando sua vida. Não acredito que duas pessoas possam ter sido tão felizes quanto nós fomos.” Virgínia.

O trecho acima foi o bilhete de suicídio de Virgínia Woolf ao marido Leonardo Woolf. Uma brilhante escritora britânica que sofria de doença maníaco-depressiva, hoje conhecida como transtorno bipolar. Para mim ela não morreu de suicídio, morreu de tanto voar alto e mergulhar profundamente. E mergulhou pela última vez no rio vestindo um casaco com pedras nos bolsos e, sem forças para continuar lutando, se deixou afogar pela doença.

Que o Senhor dos Exércitos seja sempre meu casulo protetor, para que a doença não me coma viva, não me destrua, não me tire o juízo e a noção da realidade. Que eu não arruíne a vida da minha família. Que a sanidade mental, que tanto me esforço para manter, e aparentar em público, não se vá de vez, visto que ultimamente sua presença tem sido intermitente. Ela está aqui em alguns momentos mas em outros não sei aonde ela vai. Saúde (física ou mental) é algo frágil como borboleta, se apertar ela despedaça, se desdenhar, voa para longe.

“O temor do Senhor é fonte de vida, para desviar dos laços da morte.” Provérbios 14:27

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Confissões, Lucubrações

Histórias que contam história

Faltei o trabalho ontem, de novo. Estou depressiva e já melhorando mas anteontem eu de novo tangi o limite da sanidade. Sempre fico com medo de postar algo quando estou em crise hipomaníaca ou depressiva, ou melhorando de alguma das duas, porque nunca sei o que vai sair e posso me arrepender. No fundo eu tenho até medo de sair de casa, ir trabalhar, ir à igreja, ir à aula, cursinho ou qualquer outra coisa que envolva colocar o corpitcho pra fora de casa e interagir com os humanos “normais”.

Mas, sinceramente, se eu criei um blog com o principal objetivo de escrever o que vai na minha cabeça, desabafar as coisas que não tenho com quem na maior parte do tempo (embora eu ache que, ocasionalmente, alguém que me conhece vai ler, mas e daí?), então vou usar o meu blog do jeito que eu preciso usar. Da última vez que lembro de ter escrito muita coisa durante fase hipomaníaca foi um apocalipse pra mim. Na época eu e o médico achávamos que eu era só distímica, mas já apresentava sinais de bipolaridade ainda que não notasse e não dissesse nas consultas. Sobre o que, a quem ou como escrevi asneiras… abafa! Quero falar da explosão que ocasionou esse pequeno ‘fim dos tempos’.

Aconteceu durante uma viagem para visitar uma família missionária em um certo fim de semana há alguns anos. Realiza! Viagem de ônibus que dura o dia inteiro, lá pra onde o Judas bateu as botas com a corda no pescoço, em uma estrada esburacada cuja poeira, de tão fina, seria capaz de  fazer lama com os neurotransmissores, e esta transtornada aqui presa com um monte de jovens amigos barulhentos naquela lata de sardinha, enjoando até ficar verde. É um abuso contra a resistência mental de um ser humano psiquiatricamente complexo. Até que comecei a tal viagem bem, conversando alegremente. Mas o estresse de me sentir presa naquele ônibus somado ao cansaço físico e mental e à irritação pela bagunça dos outros foi aumentando e aumentando até parecer que todos estavam gritando, gargalhando e bagunçando dentro da minha cabeça.

Foi simplesmente incontrolável! Um amigo pegou um objeto meu sem me pedir. Pronto! Algo banalíssimo, mas foi o suficiente pra empurrar a bola de neve morro abaixo. Eu, estressada e irritada, pedia de volta meu pertence, e chamava, e falava, mas todos falavam mais alto que eu, todos gargalhavam mais alto do que eu conseguia falar e estavam tão eufóricos nas suas gargalhadas e diversão que ninguém me ouvia. Abriu-se a porteira do vespeiro sem querer.

Daí eu já não ouvia mais nada, nem sentia mais nada, só aquilo vindo de dentro da cabeça incontrolável e rápido. Tão rápido que já tinha me tirado o ar antes que eu pensasse em respirar fundo. Como se eu estivesse caindo em um buraco com todo mundo ao meu redor gritando e rindo e me irritando. O esforço pelo alto controle foi hercúleo (como sempre é) mas não o suficiente. Um grito meu que fez o motorista estancar no meio da estrada me deixou fazer as vezes de esquentadinha, explosiva, descontrolada, histérica ou sei lá o que mais que tenham falado ou pensado. Tudo acontece com uma velocidade tão absurda que escrevendo assim nem parece. E às vezes nem consigo lembrar de tudo.

Depois disso foi depressão o fim de semana inteiro. Na primeira noite até que passei bem. Chorei um pouco (caladinha pra não acordar ninguém) mas dormi. No dia seguinte organizaram algumas atividades para todos, mas eu não tinha ânimo, não conseguia nem sorrir de verdade. Depois do culto da manhã ficava deitada chorando dentro do quarto a tarde inteira enquanto todo mundo brincava e se divertia lá fora. Em uma manhã consegui sair e ir com o restante do povo visitar uma aldeia onde eu tomei uns bons goles de caiçuma (bebida indígena) vomitando tudo em seguida. Quem mandou? Minha curiosidade me mantém viva às vezes mas às vezes quer me matar.

À noite comecei a chorar e acabei acordando uma amiga. Decidi sair pra varanda e ficar lá chorando sem incomodar ninguém, sem acordar ninguém. Não sei quanto tempo fiquei, mas o dia já estava quase clareando, e eu lá chorando. Até que o cansaço me venceu, as lágrimas já não saiam mais, acho que tinha secado a remessa da noite. Nem precisa dizer que no dia seguinte eu tinha um par de olhos de sapo-boi na cara. “Teu olho tá horrível!”, me disse a moça que eu acordei de noite. Não foi vingança por tê-la acordado, meus olhos estavam mesmo horríveis, impossível não notar o inchaço. Mas quem disse que eu ligava? À tarde, mais atividades e mais uma vez eu não saí. Fiquei tentando cortar cenouras na cozinha e findaram tirando a faca da minha mão pra eu não me cortar pois eu estava cega de lágrimas. Chorava cortando cenoura, chorava tomando banho, o pouco que comia era chorando, chorava até dormindo e acordava de manhã querendo chorar.

Uma das coisas que mais lembro foi a indiferença da grande maioria. Parecia, para alguns, que eu nem estava lá, ou que eu era só alguém que destoava do grupo de pessoas felizes e por isso merecia ser ignorada de todo ou tratada com hostilidade. Pedidos de desculpas de quem me provocou ou me tratou mal, interesse em saber se eu precisava de algo, compaixão e presença são coisas que teriam ajudado. Infelizmente nesses quesitos eu, como sempre, fiquei no limbo. Afinal, eu é que era “a histérica, descontrolada, chata e insuportável ”.

Ninguém liga pra essa tua berrice, pra tua frescura!” ou “Nem te dei moral durante essa viagem!” ou ainda “Para de chorar! Chorar é bom mas demais assim fica chato!”, foram as coisas mais delicadas que escutei depois. Me mostraram que eu incomodava, mas apesar de tudo eu tento não guardar mágoa de ninguém nessas horas. A desinformação é um “privilégio” de muitos e as pessoas às vezes não tem culpa de serem ignorantes nesse assunto. E confesso que eu também já joguei nesse time.

Mas nem tudo foi indiferença ou hostilidade. De todos ali uma amiga vinha ver de vez em quando como eu estava, orava do meu lado e chegou a me ajudar a recolher minhas coisas na hora de ir embora, pois eu não aguentava fazer mais nada. Por essa eu agradeço a Deus, e também pela outra que veio e orou comigo uma vez. Quando não se sabe o que fazer com um deprimido ou o que falar, só o fato de ficar ali por perto da pessoa, disponível para o que ela precisar, já ajuda. A pessoa, que já está carente e fragilizada, vai saber que existe alguém que se importa e que ela não está abandonada por aqueles que ama. Orar pela pessoa deprimida é de grande valor e também surte muito efeito, mesmo que demore. Os ouvidos do Senhor nunca estão fechados e Suas mãos nunca estão atadas, mesmo que pareça.

Percebi depois que no meio de muitos cristãos vi pouco cristianismo, justamente quando eu mais precisava do amor, suporte e compaixão que Cristo ensinou. Às vezes a culpa é do egoísmo que se fantasia de diversão e de alegria da juventude, ocupando tanto espaço, em certas ocasiões, a ponto de não deixar ninguém se atentar às necessidades alheias. Às vezes a culpa é da falta de informação, da ignorância na qual nascemos e vivemos até que algo novo e estranho aconteça, e nos mostre o quanto somos fracos e necessitados.

Mas pra todos esses males há remédio, e não há melhor tratamento do que aquele que Deus pode dar e que produz crescimento e sabedoria. Então, ainda que a alma esteja se partindo, o espírito esteja gemendo de dor e o corpo esteja abatido, eu dou graças a Deus, pois todas as sementes que se partem o fazem para que a árvore nasça, cresça e produza seus frutos!

Versículos para conferir: Mt 22:39, Jó 6:14, Sl 69:20, Mt 9:36, Mt 14:14, Tg 5:13-15, Pv 25:20, Jó 16:20,Sl 38:11, I Pe 3:12a, Sl 119:71, Jó 42, Is 59:1, Jó 14:7, Jó 42:2, Jó 42:10, Sl 40:17, Tg 5:16b, Jo 12:24.

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Lucubrações

Lucubrações no Vivendocidade

Bom, não é só aqui no Casulo de Lola que eu gosto de praticar meu lucubratio, de exercitar a massa cinzenta e desabafar (porque não?). Também escrevo de vez em quando para o Vivendocidade, site do meu amigo Carlos Correa Filho. A partir de hoje passarei a postar alguns links do que eu e outros editores de conteúdo escrevemos por lá, com a devida autorização do dono do site, claro! Quem quiser pode clicar sem medo nos links para ler desde críticas do cotidiano, receitas, política, até as maiores pirações sobre relações humanas e sentimentos. Decidi usar um encurtador de links pra dar uma enxugada e ficar mais bonitinho. E pra começar, que tal uma receitinha que postei em junho do ano passado? Enjoy! http://goo.gl/E8eu