Confissões

A Fábula do Porco-espinho

Cute cute! Ouch ouch!

Durante a era glacial, muitos animais morriam por causa do frio. Os porcos-espinhos, percebendo a situação, resolveram se juntar em grupos, assim se agasalhavam e se protegiam mutuamente, mas os espinhos de cada um feriam os companheiros mais próximos, justamente os que ofereciam mais calor. Por isso decidiram se afastar uns dos outros, e começaram de novo a morrer congelados. Então precisaram fazer uma escolha: ou desapareciam da Terra ou aceitavam os espinhos dos companheiros. Com sabedoria, decidiram voltar a ficar juntos. Aprenderam assim a conviver com as pequenas feridas que a relação muito próxima podia causar, já que o mais importante era o calor do outro. E assim sobreviveram. (Autoria desconhecida).

Sim, os espinhos só aparecem depois. Por isso é possível a porca-espinho parir sem morrer de parto.

Moral da História
O melhor relacionamento não é aquele que une pessoas perfeitas, mas aquele onde cada um aprende a conviver com os defeitos do outro e admirar suas qualidades. }ï{

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Ninguém morre sozinho

Dizem que todos nós morremos sozinhos. Às vezes não é verdade. Muitos quando morrem levam junto uma parte de algumas pessoas. Sejam muitas ou poucas, não importa! Quando se morre, se mata um pouquinho de cada uma delas. O Centro de Valorização da Vida tem muitos vídeos tocantes, como este abaixo que sempre me faz prender a respiração, embora apele um pouco para a questão do suposto egoísmo do suicida.

Pra quem não sabe o suicídio não é uma atitude de puro egoísmo. É muito mais a consequência final de um estado de profundo adoecimento mental que faz com que o cérebro, já exausto e extremamente confuso, comece a boicotar o raciocínio, as emoções e o julgamento do doente. Quem se mata nem sempre é porque não tem Deus na sua vida, nem sempre é um incrédulo sem salvação. O espírito muitas vezes está ótimo, mas o cérebro (que é carne) está mal, exaurido, desorientado e sem forças para pensar direito.

O cérebro quer descansar, acabar com o sofrimento e o único jeito disso acontecer é parando de funcionar. Logo, se não há outra doença para agravar até a morte a não ser a mental, é esta que o cérebro usa e abusa até a pessoa perder o juízo e levar todo o ser ao descanso. Bom, mas isto é um cérebro doente pensando mal e tomando as piores decisões!

Uma coisa eu sei: um doente/transtornado mental que chega a esse ponto não pode ser só chamado de egoísta ou fraco. Se aguentou até aí, talvez tenha aguentado o sofrimento mental mais tempo do que muitos ditos fortes poderiam aguentar. Não é a melhor decisão. Mas quem disse que o doente/transtornado mental é capaz de tomar boas decisões na hora da crise?

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Confissões

Aviso aos navegantes

Aos seres humanos que porventura leiam este humilde espaço de desabafos que eu chamo de meu blog: Algumas postagens eu escrevo em plena crise maníaca, outras, em plena crise depressiva, outras, ainda, do meio da estupenda confusão entre uma fase e outra. Mas às vezes escrevo quando estou estável e com meu juízo perfeitamente normal, sem as máscaras que adquiri a contragosto.  Nem sempre eu as estou usando. Nunca uso porque quero, e eu não sou minha doença. Ela só é uma parte grande da minha vida que me afeta muitíssimo (no julgamento, nas emoções, na racionalidade, nos relacionamentos, no comportamento etc), que me tolhe, que me condiciona e limita.

E eu preciso escrever nesses momentos e fora deles, usando alguma máscara, as duas ou nenhuma. É a forma que encontrei de aprender a lidar com isso, de me avaliar, de desabafar sem ouvir protestos imediatos. Considerem com carinho estas informações antes de julgar qualquer coisa acerca do ser humano na frente deste teclado aqui.  A propósito, estou depressiva e não mordo.

A bipolaridade é uma máscara. Ou melhor, duas.

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Confissões

Salmos 23

O Senhor é o MEU pastor, nada me faltará. Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranquilas. Refrigera a minha alma: guia-me pelas veredas da justiça por amor do seu nome. Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque Tu estás comigo; a tua vara e teu cajado me consolam. Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos, unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda. Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos dos dias da minha vida; e habitarei na casa do Senhor por longos dias. Salmos 23

Situações de desespero exigem medidas desesperadas! Já estou no vale, Senhor, e não temo nada! Mas me deixe ir porque preciso desses longos dias de refrigério na Tua casa.

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Confissões

De volta à jaula

E lá vamos nós de novo! Irritabilidade desmedida desde o dia 13/10 (dia em que completei mais um ciclo de 365 dias de vida). Inventaram uma surpresa que, pela graça de Deus, eu descobri a tempo. É porque essas pessoas com quem eu convivo ainda não entenderam que não podem me surpreender. Não pela incapacidade deles em fazer algo escondido, mas pela minha incapacidade de enxergar surpresas como algo bom, ainda que sejam boas para a maioria das pessoas. Essas pessoas ainda não entenderam que essa pessoinha aqui não pode tomar sustos, não pode se surpreender, nem da maneira boa nem da ruim e não gosta de honrarias ou de ser o centro das atenções em datas comemorativas. E se existe uma coisa que odeio mesmo, é que façam coisas pelas minhas costas. Se soubessem o mal que me fizeram…

Enfim, estou até hoje com um excesso de coisas no sangue, no peito, na cabeça, na garganta…Reunião de diretoria que me deixou irritadíssima, cara de bunda a tarde inteira, mal humor, tentativa frustrada de interagir como um ser humano normal com os seres humanos normais quando tudo que eu queria era esfolar todos eles. Maquiagem borrada durante o culto. E lá vamos nós pro banheiro limpar a cacaieira preta de debaixo dos olhos. Banheiro ocupado. Daí um pessoa sai e pergunta. As pessoas sempre perguntam, sempre querem saber o que foi, sempre querem que haja algo pra contar porque, supostamente, ninguém chora por nada. Chora sim!

Chora porque as pessoas perguntam, e chora porque ninguém tá nem aí. Chora porque está irritada porque foi contrariada, e chora porque sofreu indiferença quanto às opiniões emitidas. Chora porque todo mundo é cego demais e ninguém percebe que você está em crise. Chora porque percebem mas são burros demais para saber o que fazer. E sempre querem um motivo, uma razão. Sempre querem que seja a vida espiritual, a família, o emprego, os estudos, os amigos, o namorado (ou a falta de um), quando na verdade nada disso explica a maquiagem borrada no meio do culto. Nenhum desses motivos é razão para a maquiagem estar borrada de lágimas, o peito doendo, tudo se partindo por dentro. Nenhuma dessas coisas é problema na  sua vida. Aliás, o problema está tão lá dentro, tão fundo que não dá pra tirar de maneira delicada. Ele quer sair rasgando, explodindo, arrebentando tudo. Acabando com a minha vida e com a vida dos outros ao redor. É por isso que se chora. Por tudo e por nada.

Talvez seja preciso uma lâmina afiada para arrancar de dentro, uma dose cavalar de remédios para fazer parar de doer, ou um salto para um rio qualquer. Talvez assim matasse essa dor. O porém, nesse caso, é que isso destruiria essa morada, a parte boa, aquela que Jesus disse pra cuidar e onde habita o Espírito, e isso não seria bom, porque ainda há pessoas que não gostariam de não me ver mais por aqui. Uma mãe preocupada e com saúde abalada, uma irmã que talvez precise da minha companhia e ajuda pra cuidar da mãe, uma avó que talvez não durasse muito tempo sem mim por aqui. Para todo o restante das pessoas não faria diferença. Talvez no dia do acontecido, depois do velório etc, as pessoas ficariam se perguntando o porquê e especulando coisas que não tem nada a ver com o real motivo (porque são burras e nunca percebem o que está acontecendo ao seu redor). Depois seria esquecimento total, a vida continuaria, ninguém lembraria mais e tal. Deve ser bom ser normal.

Ninguém ouse chamar um potencial suicida de egoísta ou não digam que ele só tem arranque quando existe a postergação do ato do suicídio. Se a pessoa demora muito pra tomar essa atitude é porque está pensando nas pessoas que fazem sentido pra sua vida, que sentiriam falta ou precisariam dela.

As pessoas se acham tão cheias da razão que se não fosse pecado eu já teria matado pelo menos umas 2 no meu trabalho e umas 5 na minha igreja. Pelo menos com 3 delas eu estive hoje à tarde. Deus me livre de minha enfermidade e me proteja de mim mesma, e aos outros também! Mas o impulso de fazer isso (ou de pelo menos quebrar a cara de alguém com uma cadeira) ás vezes demanda um esforço hercúleo para segurar. Não ponho pra fora na forma de violência, dessa ira encubada, logo, enfio tudo pra dentro e a coisa vira doença, derruba minha pressão arterial, me faz chorar sem controle, faz minha imunidade baixar, apaga minha memória, me faz perder o sono. No meu caso sofrer pelos outros é isso. E ninguém valoriza nada disso, tudo que você segura por causa dos outros, todas as vezes que você adoece pra não magoar ninguém. Ninguém te vê como você realmente é, ninguém considera que você está prestando um bom serviço deixando de conviver junto dos outros. Mesmo que isso lhe cause sofrimento e solidão, você sabe que é necessário se isolar, se afastar, pelo bem daqueles que ama e que, mesmo amados, não te entendem.

Talvez eu crie coragem hoje, talvez não. Mas um dia eu vou ter que fazer algo pelas pessoas à minha volta. São todos tão ignorantes, nunca saberão o que fazer. No máximo chegam pra mim dizendo: “Estou orando  por você!” ou “Eu vou orar por você!”. Dãããã! Me digam algo que eu não saiba, me digam algo que eu precise ouvir, não o que eu já sei. Me digam algo que surta efeito, algo produtivo. Oração é produtiva quando ela é feita e não quando é dito que será ou que está sendo feita.

Vão estudar e aprender como lidar com isso, porque eu já cansei de fazer de conta que sou igual a todo mundo. Cansei de vestir cara de festa, de sociabilidade quando tudo que eu preciso é mostrar minha cara de louca. Quero poder vestir minha camisa de força e ser aceita e amada pelas pessoas de dentro da jaula de minha anormalidade e de incerteza da minha doença. Mas isso nunca vai acontecer.

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Razões porque as pessoas não vão à igreja

Crente é gente e gente tem defeito. Mas quem disse que na casa de Deus alguém precisa ser perfeito? É um lugar pra ser feliz apesar de. Apesar de lideranças: hora ditatoriais, inflexíveis e mimadas; hora passivas, omissas e teleguiadas. Apesar das desavenças, problemas, conflitos, sensação de abandono que às vezes vem.  Isso tudo acontece. Mas, tudo bem! O amor é apesar de tudo que é ruim e nunca em virtude de tudo que é bom e Jesus amou e ensinou a amar apesar de, não em virtude de. Se existe no mundo um lugar onde somos felizes, amamos e frequentamos apesar de tudo, esse lugar é a igreja local. Pois se fosse em virtude de qualquer coisa nenhum de nós poderia sequer entrar lá.

Confissões

É a treva!

Esse trecho é de uma música que gosto muito (Brilha em mim) e que se canta muito onde congrego. Mas fico às vezes me perguntando: de que adianta cantarem tanto isso se ninguém se dá ao trabalho de tentar acender as velas que se apagam frequentemente? Não sabem chegar perto o suficiente da vela apagada pra poder dividir a chama ou tem medo disso. Como essa chama vai reavivar a outra que está prestes a se apagar se a que está acesa não chegar perto o suficiente?

Acho que as velas que estão acesas tem medo da escuridão ao redor da vela que se apaga, por isso não chegam perto. Ou talvez o medo seja unicamente por não saber como acender a outra. Mas não sabem que a simples presença já transmite calor suficiente pra que a apagadinha acenda de novo.

Seria bom se as velas aprendessem que algumas outras precisam muito mais da presença delas quando estão no quarto escuro, adoecidas, com os comprimidos ou a lâmina na mão, ou ainda chorando numa ponte qualquer. Para que honrarias, homenagens, palmas e chamas nos momentos de alegria se, quando se está precisando de alguém mentalmente são pra te tomar a lâmina, os comprimidos ou te tirar da ponte, não aparece nem sequer uma vela com chama acesa? Só querem compartilhar chamas com velas igualmente acesas em momentos iluminados.

As apagadas (ou prestes a se apagar) metem medo nas acesas que acham que vão apanhar, ouvir grosseria ou ter seu calor roubado. Mas e se isso acontecer? E daí? Velas doentes não machucam e quando o fazem não é porque querem. É porque estão doentes, apagando lentamente e precisando que outra vá correndo acendê-la sem medo, antes que seja tarde.

No amor não há temor, antes o perfeito amor lança fora o temor; porque o temor tem consigo a pena, e o que teme não é perfeito em amor.” (I João 4:18).

Compartilhar chamas é como um casamento: sempre há o bom E o ruim juntos, nunca o bom OU o ruim. Querem compartilhar suas chamas com as outras velas? Compartilhem na alegria E na tristeza, na saúde E na doença, na riqueza E na pobreza, na claridade E na escuridão.  }ï{