Devaneios, lembranças e sonhos – parte I

Não sou expert no assunto mas sou curiosa e adoro pesquisar. Pesquisando descobri que, falando a grosso modo, para Freud os sonhos eram como a manifestação de desejos ocultos. Já Jung, além de admitir tal afirmação, também acreditava que os sonhos eram um meio de compensação para que o equilíbrio do ser fosse alcançado. Saindo do humanismo e vindo para a Bíblia, creio ser verdade que antigamente Deus falava com seus servos através de sonhos, visões ou revelações. Mas também creio que tal fato não se repete na atualidade da mesma maneira, nem com a mesma frequência e nem com os mesmos propósitos. A coisa funciona um pouquinho diferente hoje em dia. É o que creio.

E acredito piamente que sonhos são manifestações do inconsciente. Um processo de idas e vindas de imagens, cores, formas e ações, até mesmo absurdas, as quais fazem com que o cérebro fixe informações do consciente, muitas vezes já adquiridas e não percebidas, e se mantenha organizado e saudável. Isto a neurociência explica.

Falando sem pretensão nenhuma de autoridade ou certeza no assunto, acho até que o consciente e o inconsciente tem como hobby trocar figurinhas, mas nem sempre um consegue compreender a figurinha do outro, ou nem sempre as figurinhas se correspondem, mesmo assim eles continuam brincando, pois dessa brincadeira também depende o equilíbrio da mente. É o que eu acho! E entre os humanistas, com suas deliberações sobre desejos ocultos reprimidos, e os religiosos fanáticos, com suas milhares de visões e revelações que vão de previsíveis a cabeludas, eu fico com o bom senso cristão e com a neurociência, que também é uma bênção. Ahh, quem me dera ainda ter tempo de estudar tudo que eu quero! Faltaria vida e sobrariam estudos. Mas não podemos ter tudo, então prossigamos de onde estamos para lá! Seja lá onde lá for.

Enfim, considerando que uma mente cheia de remédios ou em estado de adoecimento pode enganar, pregar peças, se confundir etc; considerando que creio sim que sonhos são manifestações do inconsciente, que por sua vez capta informações do nível consciente e de todos os acontecimentos reais; e considerando que, em geral, não vejo sonhos como premonição, visão do futuro, revelação, desejo oculto etc etc etc, achei que não seria de todo mal contar duas peças pregadas pela minha mente em mim mesma. Uma se refere à uma certa confusão entre minha memória visual e a minha memória auditiva. A outra vou deixar pro próximo post.

Quanto à primeira, foi que eu, sendo péssima em gravar nomes de pessoas, mas muito boa fisionomista, não consigo lembrar os traços de ninguém da noite de 29/11, mas lembro de todos os nomes que me falaram e até da voz de alguns. No mínimo estranho pra mim. Das pessoas daquela noite, eu já me esforcei, mas minha mente não me dá detalhes de fisionomia. Sempre fui boa nisso, o que houve então? Dos caras que passavam na rua e pararam pra me ajudar eu sei que um estava de bicicleta e o outro (Júnior) tinha uma Bíblia, mas as feições não vem. Dos PMs (Edicarlos e Saimon) eu sei que o primeiro me tratou como lixo e o outro conversava tentando ser gentil. Queria lembrar bem do rosto do Wilson, que segurou minha mão durante o procedimento no hospital e dos rostos dos outros. Não consigo e não sei porque.

Talvez tenha razão a Dra. Kay Redfield Jamison, um dos meus exemplos de superação pessoal em doença maníaco-depressiva, quando diz que o cérebro drogado age de maneira diferente de um cérebro alerta. Resta saber se voltarei a ser boa em diferenciar gêmeos idênticos, dizer quem é que vem lá longe só pelo jeito de andar ou lembrar de alguém que vi há um mês na fila do banco. Não sei se vou voltar a confundir os nomes das pessoas e ficar perguntando mais de uma vez na mesma conversa. Ou ainda se ficarei mais lesada e não reconhecerei direito feições, vozes ou lembrarei de nomes nem de nada. Mas a essa altura da minha vida, será que isso realmente importa?

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Sobre a dona do blog

Pecadora redimida por Aquele que morreu na cruz e ressurgiu. "Pois ele conhece a nossa estrutura; lembra-se de que somos pó." Salmos 103:14
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