Devaneios, lembranças e sonhos – parte II

Pensando nas coisas que devem importar pra mim à essa altura do campeonato, nas coisas que não importam mesmo e naquelas que tanto faz, vou continuar agora contando uma coisa que acho que tanto faz, mas que sinceramente gostaria de registrar porque me deixou abismada. Outra brincadeira (ou não?) que meu cérebro fez comigo por esses dias de crise e troca de medicação e tudo o mais. A segunda peça pregada pela minha imprevisível mente em mim mesma foi de lembrar com detalhes de 3 sonhos em 3 noites consecutivas e lembrar de tudo até hoje. E só lembrei de José no Egito rs. Mas que bobagem! – vão dizer.

Vocês não estão entendendo! Isso jamais aconteceu antes! Nunca, nunquinha! Meus sonhos sempre vão se desfazendo feito fumaça a medida que vou despertando. Raramente acontece de eu lembrar alguma parte do sonho da noite. Às vezes só lembro o tema geral: Sonho que Fulana estava grávida, que algo ruim, que não sei o que é, acontece com Beltrano ou que estava com Cicrano em algum lugar, que não lembro bem onde nem fazendo exatamente o que. Mas é só. Os detalhes se perdem. Passam o primeiro, o segundo dia e a coisa toda já sumiu da cabeça.

Mas na noite de 17/12 eu passei a tarde com a cabeça a mil por hora, com uma elevação de energia que não tinha pra onde ir. Daí fui pra internet procurar alguém pra encher o saco e descarregar a energia pelo menos teclando. Resultado: entrei numa crise de choro enquanto conversava no gtalk com um amigo. Nada a ver com a conversa ou com meu amigo, que aliás é super gente boa. Eu só estava ficando exausta pela lenta queda de energia que se processava e por pensamentos desagradáveis com relação a mim mesma, pois desde cedo eu estive me sentindo descoberta com relação aos outros amigos. Tenho alguns que assim se dizem, e mesmo assim não me deram nenhum sinal de vida nesse período turbulento. Quando não sabem o que está acontecendo está tudo desculpado, explicado e justificado. Mas quando sabem de tudo e não dão nem um Oi, significa o que?

O acesso de choro só piorava e meu amigo precisou me fazer sair do pc e ligar pra mim láááá dos Cafundós do Breu de Isengard, e passar um bom tempo no celular conversando comigo (aumentando a conta telefônica dele, diga-se de passagem) enquanto eu me acabava de chorar dentro do guardarroupa com o celular colado na orelha e sem falar coisa com coisa. Ele conseguiu, não sei como, me convencer a sair do guardarroupa, limpar o rosto e me deitar. Só desligou depois de eu ficar mais calma, terminar de orar deitada na cama e fechar os olhos pra dormir. Esse é o tipo de amizade que a gente agradece a Deus por ter mesmo de longe. E eu dormi. E sonhei com esse mesmo amigo vindo me cobrir durante a noite porque eu estava desembrulhada.Talvez eu tenha me sentido assim com aquela ligação: coberta, protegida por amizade, que era o que eu precisava naquela hora. Amizade serve pra isso também. Não serve só pra organizar surpresa de aniversário. Mas, enfim, o que me intriga é a riqueza de detalhes que minha mente me deixou lembrar.

No sonho era como se eu olhasse por uma janela alta, tipo um basculante de banheiro ou sei lá. O teto era bem alto, como o teto de um galpão. Eu via nitidamente o quarto todo pintado de cinza, de alto a baixo, com uma luz pálida, quase fria, entrando por cima, como se faltasse um pedaço do telhado. Eu via a cama de casal com a cabeceira encostada na parede da direita. Havia, bem mais afastado, do lado de lá da cama, um criado mudo também cinza e de linhas retas, com uma só gaveta com pegador de bolinha. Havia lá perto da parede, já quase no escuro, um cabide desses de pendurar roupa, mas não tinha nada pendurado nele. Havia uma cadeira cinza, também do lado de lá da cama, só que mais perto dos pés dela, quase na diagonal. Eu estava deitada também na diagonal, de bruços, e o lençol da cama era cinza. Meu amigo me cobria com outro lençol também cinza, sentava na cadeira e ficava lá olhando pro nada.

Incrivelmente eu lembro de tudo! Mas acho que não era uma casa minha, pois não imagino montar uma casa pra mim na qual tenha móveis com linhas retas, móveis quadrados com quinas e pontas pra eu bater com as pernas e ficar roxa. Casa de gente desastrada deve ter tudo redondo ou arredondado ou com bastante espaço entre os móveis (isso me faz até pensar na distância enorme entre o criado mudo do sonho e cama onde eu estava). Uma casa que eu montasse também não teria gavetas com pegador de bolinha, porque escapolem, e definitivamente não teria qualquer coisa que fosse cinza ou acinzentado. Essa cor não me agrada pois me remete à depressão, tédio, tristeza, perda. Acho que deveriam usar cinza nos velórios e não preto.

Bom, pra mim já é o máximo lembrar de tantos detalhes de um sonho que tive, imagine 3 seguidos!? Até tenho algumas idéias sobre quais figurinhas o meu consciente e o meu inconsciente andaram trocando esses dias, ou talvez fossem peças de quebra-cabeça pra eu montar. Não sei se é temporário, se foi só devido às crises ou se é por causa da troca de medicação. Mas por enquanto vou guardar as figurinhas ou peças em alguma caixa com chave aqui dentro. Os outros sonhos cheios de detalhes eu vou ter que postar depois. Mente cansada, hora de parar! }ï{

Anúncios

Sobre a dona do blog

Pecadora redimida por Aquele que morreu na cruz e ressurgiu. "Pois ele conhece a nossa estrutura; lembra-se de que somos pó." Salmos 103:14
Esse post foi publicado em Confissões, Lucubrações e marcado , , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s