Lucubrações

Tétrico

O post abaixo não é meu. É um texto intrigante e eu dou um bombom de cupuaçú pra quem descobrir o mistério (que eu posso me gabar porque descobri na primeira leitura). É um texto do dono do site Vivendocidade, o Carlos Correa, que não é esquizofrênico.

“Hoje o sol estava forte, me dói a cabeça. Sem sombras, vista turva, chão derretendo. Pássaros mortos, boca seca… Abro então uma torneira que está por aí – Terra, somente terra, morta. Vejo um escorpião, eu sou ele, e lanço meu veneno. Nada acerto. Deserto. Pó.

Chuva aqui não existe, não tem utilidade. O que tem utilidade portanto?

Sou uma serpente, e me rastejo na terra seca; um carro se aproxima, faz poeira, e poeira entra nas narinas; olhos ficam vermelhos, e surgem lágrimas.

Umidade boa, salgada – só que não mata a sede; morte, talvez esteja próxima, não importa… Me lembro dos pretos, povo estranho esse, morrem mais do que nascem.

Se fosse eu, antes de morrer, lutaria. Pensamento é uma coisa estranha, sem sentido; me esqueci de algumas coisas, por exemplo meu nome. Mas não tenho com quem conversar, essas coisas não estão vivas; acho que nem eu estou, ao menos não me sinto como se estivesse.

Sonhos? Não são para mim… O sol, já disse isso? Está muito forte.

Pelo jeito já disse isso, ultimamente tenho me confundido com essas coisas, não sei ao certo. De qualquer forma, o que faz aqui? Sério? Mas por que alguém se importaria? Digo, eu não ligo.

Quer um café? Não sei se está tão bom, fiz faz tempo. Não! Não reclame! Humm, pensei que estivesse melhor… Jogue aqui, talvez use para algo; não jogo nada fora, nem posso.

Também quero ouvir algo, com bastante guitarra. Isso mesmo, ótimo. The Cosmos Rocks…

Esse grupo existiu há muito tempo; como eu sei? Sou velho, não burro, lembra-se?

Faz um bom tempo…

Tem um baralho velho por aí em algum lugar, do tempo em que jogava todos os dias, sabe? Odiava aquilo tudo, mas nunca disse isso. Deixa pra lá, não importa mais. O que veio fazer aqui mesmo?

Outro dia um professor apareceu por aqui, o nome dele? Artur eu acho, disse ser pesquisador dos sonhos das pessoas. Que veio procurando por aquele que não sonhava mais, eu sou essa pessoa. Quem diria?

Logo que abri a porta, notei que levava um jornal debaixo de seu braço, data antiga, de alguma data que passou. Na verdade nunca entendi o motivo de ler coisas que já aconteceram. Dentro da minha cabeça, as notícias são sempre aquelas que estão acontecendo, ou que vão acontecer. Sempre me confundo qual delas.

E o professor foi logo montando uma série de coisas, espetando pequenas torres elétricas no chão, e até tentei ajudá-lo com isso, mas não pude. A desculpa foi que precisava estar limpo, roupas novas, sem se esquecer do perfume com nome de gasolina que ainda tinha um resto na prateleira.

E foi o que fiz, sem querer deixar aquele sujeito sozinho. Geralmente não sou de fazer as coisas, teimosia é o nome que dão, eu prefiro dizer que sou o senhor das coisas, e que elas devem se curvar à mim.

‘A Persistência da Memória’ by Salvador Dalí (1931)

Esse quarto é novo? Não me lembro de tê-lo na minha casa, parece tão diferente… Cama simples e cômoda de três gavetas, uma janela fechada e um banheiro modesto para completar o conjunto.

Como eu parei de sonhar? Você deve estar se perguntando… Eu tinha acabado de chegar à esse país, na época da guerra, e estava… deixe me ver… acho que desde aquela época eu gosto de ficar sentado, ouvindo o som que o silêncio faz, e é estranho, nos dias de hoje, passar a maior parte do meu tempo, sentado num banco, no mesmo lugar.

Lembro que via as mesmas pessoas caminhando apressadas, outras preocupadas com sua saúde, filhos com seus pais, que ainda devem ser filhos…

Percebi uma criança me olhando, sério. A presença dela me inquietou um pouco, confesso, meus filhos há muito não são mais assim. Tentei desviar sua atenção, mas de muitas maneiras diferentes, me senti único, como se não houvesse mais ninguém naquele parque. Como se tivesse sido escolhido para algo maior, que nem eu mesmo sabia.

– Posso me sentar ao seu lado? – me disse a criança se aproximando de onde estava.

– Acho que sim, tudo bem? – respondi em seguida.

O banco era demasiado grande para ela, que tive que dar uma ajuda para que ela se acomodasse ao meu lado.

– Obrigado. – disse.

– Como é o seu nome? – perguntei.

– Não me lembro… E o seu?

Confesso que tive um sentimento confuso, mas fiquei muito curioso sobre aquela criança. Quem era, por que estava ao meu lado, como se me conhecesse há muito tempo, ou que estivesse esperando o momento certo para vir conversar comigo.

– Serje. – disse a ele. Naquela época eu ainda tinha um nome…

Ele me encarou profundamente, até hoje quando lembro do fato, sinto como se tivesse levado uma pancada das boas na cabeça. O que será que ele viu num velho como eu, manchado pela vida, destinado a morrer longe da minha pátria, dos lugares que fui quando criança, que…

– É muito difícil viver, Sr. Serje? – me perguntou o garoto.

– Por que me diz isso?

– O senhor está muito triste, não está?

Eu realmente estava triste, não só naquele dia, mas como ele poderia saber, se não tinha idade nem para estar sozinho, quanto mais para me perguntar sobre o que me afligia? Fiquei confuso, meio que sem ação e, quando me dei por si, estava contando minha vida, minhas inseguranças, meus medos àquela criança. Sabia que não merecia passar por aquilo que passei, do terror que é viver privado de suas vontades, mas estava hipnotizado, deixando as palavras ganhar sua liberdade.

Naquele dia em diante, eu não sonhei mais.

Talvez eu tenha parado de sonhar para não ter que lembrar daqueles demônios todos, pessoas que não morriam, que se separavam em duas como micróbios super vitaminados ou qualquer coisa do tipo…

Me chamam de tétrico, mas ao fazer o tal teste do professor, eu vi que eles estavam ao meu lado, vários deles. Cabeças com chifres, corpo de cachorro…

O que eu não sabia, é que cada vez mais apareciam novos desses monstros, e que “nasciam” de mim, e por algum motivo, eu gostei da sensação de poder que aquilo me deu, e coitado do professor, era boa pessoa, desacordada num canto da sala, acho que morto, ou vivo… não sei.

 Isso é amor. Será?

 Só me lembro disso, e depois que recupero minhas forças, encontro um professor tão assustado quanto eu.

– Você demorou para acordar.

– Mas eu estava acordado, os monstros estavam aqui, você que…

– Assim que o equipamento começou a funcionar, surgiu uma luz negra de dentro de você, tudo ficou maluco, e fui jogado contra a parede, bati a cabeça. Quando voltei, você estava lá no canto, parecia que um daqueles furacões de antigamente tinha acabado de passar, e… Que é isso?

– Sangue. Tem um corte na sua barriga.

– É verdade, mas porque eu não sinto nada ou simplesmente morro?

– Porque ainda não é sua vez de morrer.”

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Confissões, Fotografias

Gotinha brilhante

Eu nem sei bem de quem é essa foto (espero que não venha me cobrar) mas entendo muito bem essa gotinha brilhante escorrendo em um rostinho bochechudo e corado, arrematado por olhos azuis (é, meus olhos ficaram verdes depois). Algumas lágrimas de criança não são nada além de fome ou sono. Mas outras representam o desespero de um quase bebê que por vezes desejaria gritar a plenos pulmões, mas o medo petrificante nunca deixou. Gotinha brilhante, eu sei quem você é! Já deixei escorrer muitas iguais a você pelo meu rosto.

Eu nem sabia soletrar “sofrimentos” mas já sabia muito bem o que eram, quantos eram, que cor eles tinham, como falavam comigo, o que faziam e a que horas vinham. Gotinha brilhante saiba que não é fácil segurar você e suas irmãs. Nunca foi fácil impedir que vocês caissem no chão ou na roupa, sentada na beira da cama, de joelhos orando, andando na rua, no trabalho, escondida no banheiro da igreja, de cabeça baixa na sala de aula ou deitada antes de dormir.

Por vários motivos você e suas irmãs continuaram brotando dos meus olhos ao longo dos anos. E me perdoe porque nunca as derramei por alegria. Mas não se preocupe Gotinha Brilhante! Mesmo que por muitas vezes eu não consiga segurar você e suas irmãs, tenho certeza absoluta que durante todos esses anos, mesmo rolando bochecha abaixo e caindo, Deus recolheu e continua recolhendo cada uma de vocês nas mãos. }ï{

Lucubrações

Sobre blogar e aquisição de informações

Depois de ter passado uma situação lamentável neste final do ano, em que chutaram um cachorro morto (leia-se eu), achei por bem elucubrar sobre a questão de escrever em um blog. Claro que minha indignação e chateação e humilhação e qualquer outra ‘ção’ que seja bem desagradável não me deixam escrever de outro jeito a não ser do meu jeitinho desaforado, desbocado, ácido etc. Me pouparei de ter aborrecimentos (preciso cuidar do meu psicológico), ainda que para isso não poupe uma pitada de intolerância e impaciência, porque eu sou humana, com necessidade de me expressar e agradeço a Deus por isso.

Bom, esses tempos vieram me questionar sobre o porque de eu escrever em um blog. Alguém perguntar porque é importante que se leia o que eu escrevo no meu blog só mostra a total, absoluta e completa falta de conhecimento da criatura sobre o assunto. A minha vontade era dar uma resposta cretina para essa pergunta idiota, a qual eu sei que provavelmente foi influenciada pelo ‘dono do Totó’. Como diria João na Ilha de Patnos, “Quem ler entenda”.

Quantos blogs pessoais existem no mundo? Resposta: Mais de 157 milhões (Fonte: Revista Época). Quantos milhões de blogueiros, famosos ou não, existem no planeta? Resposta: Considerando que alguns blogs tem mais de um dono… sei lá! Quantos milhões de blogueiros ganham a vida e sustentam suas famílias trabalhando como probloggers? Resposta: Vide resposta anterior.

E quantos que, como eu, são despretensiosos e praticamente anônimos e só querem escrever, sem nenhuma preocupação sobre se alguém vai ler ou não, usando um humilde bloguinho como válvula de escape? Muitos, muitos mesmo. Às vezes eu acho que gente que faz perguntas estúpidas como essa lá de cima, que deu origem ao post só pode ter nascido e se criado dentro de uma caverna e saiu pro mundo agora. Ou então a pessoa realmente não tem acesso à informação e se for por condição financeira eu entendo perfeitamente, pra mim está totalmente justificado.

Mas quando a pessoa tem acesso à informação e não se utiliza deste benefício, pra mim é como se quisesse voltar pra caverna e se trancar lá, longe de tudo, com medo do mundo. Me desculpe mas talvez por eu ser curiosa e gostar de pesquisar coisas eu seja um tantinho intolerante com pessoas que não querem ser informadas. Não adianta dizer que não tem tempo. Alôôô! Eu já cheguei a trabalhar 10 horas direto, fazer duas faculdades e mais um cursinho de idiomas, tudo ao mesmo tempo. Mesmo assim nunca dei a desculpa da falta de tempo pra não ver um jornal, pra não acessar a internet, pra não ler uma revista ou pra não gostar de ler um bom livro.

Muitos cristãos acham que ser fiel a Deus é não ter conhecimento de nada que está ocorrendo ao redor. Que o mundo jaz no maligno nós sabemos, que não devemos nos contaminar com a podridão que está aí fora, também sabemos. Mas ser cristão, não se contaminar com esse mundo, saber o que acontece nele, filtrar o que é útil e usar para seu benefício e de outras pessoas é melhor do que viver alienado, alheio a tudo ao redor e sem noção de coisas que, para lidar com o sistema e a contaminação que causam no nosso meio, seriam de grande importância saber. É bom conhecer bem seu inimigo e saber quais armas ele usa antes de intentar confrontá-lo.

Não é necessário se contaminar com nada para ter conhecimento do que está lá fora. Para  conhecer algo é necessário chegar perto o suficiente para ver como é. Mas para não se contaminar é necessário manter uma distância respeitável. Ou seja, nem tão perto que contamine, mas nem tão longe que não possa ser enxergado direito. É aí onde entra o esclarecimento, a aquisição de informações e a busca por saber sempre mais. Deveria haver um vírus da curiosidade para infestar todo mundo. E não falo de curiosidade acerca da vida pessoal alheia. Falo da curiosidade por adquirir conhecimento de mundo. E ter conhecimento de mundo não é o mesmo que se contaminar com ele.

A própria Bíblia nos manda examinar tudo mas reter somente o que for bom. Como se examina algo de muito longe? Como se retem o que é bom e separa do que é ruim se nada foi visto e avaliado com certa proximidade? Muitos cristãos ainda se batem e estrebucham em questões como ir ao cinema, ir à restaurantes, ir à praia, usar internet, redes sociais, ler revistas ou literatura não-cristã, fazer depilação, fazer as unhas, pintar o cabelo, fazer atividades físicas, usar maquiagem etc. Vivem achando o diabo em tudo que é filme, série, livro, notícia, site, revistas, produtos, tratamento de saúde e de beleza, música, gravura… PAREM! Parem com essa doidice!  Não seria melhor parar de satanizar coisas que não se conhece ou que a Bíblia nem dá pistas de que sejam ruins? Não seria melhor procurar um equilíbrio em vez de pender só para o lado da ignorância?

Às vezes vemos o erro onde ele não existe e vemos a santidade onde ela não está por pura ignorância. Nosso julgamento é tão falho que precisamos nos apoiar no equilíbrio de Deus e na capacidade que Ele nos dá de usar esse órgão maravilhoso que temos dentro da caixa craniana. Portanto, deixar de obter informações e adquirir conhecimento de mundo só faz aumentar a idéia errônea que o mundo tem sobre o povo de Deus: “Bando de ignorantes!” Quantas oportunidades de evangelização são perdidas pela aversão que o mundo tem de gente estúpida como nós! E sobre a pergunta da importância de escrever no blog e as pessoas lerem, só digo que alguns pecam por saberem e não desenvolverem a ideia quando é necessário, outros pecam por não quererem saber e outros por pura preguiça mental.

“Examinai tudo. Retende o bem.” I Tessalonicenses 5:21

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Confissões, Lucubrações

Devaneios, lembranças e sonhos – parte IV

Bom, continuando minha jornada (só minha mesmo, não interessa quem lerá ou o que vão pensar) de lembranças que pra mim são totalmente novas e absurdas, volto à noite de 18 para 19 de dezembro. É como se o sonho dessa noite pós escarificação e cheia de lacunas fosse uma afronta ao meu gosto pessoal. Mas afronta ou não, acho interessante o antagonismo entre o sonho da noite anterior e esse. Ambos, e mais o terceiro, que devo contar mais pra frente, são pra mim como apreciar uma pintura ao vivo. Eu só preciso fechar os olhos.

Lembro e vejo tudo com detalhes que nem eu sabia que havia nos sonhos, pois eu nunca lembrei de nenhum sonho ou pesadelo direito. Três sonhos tidos em período turbulento, os quais eu lembro como se fosse agora, como se fossem palpáveis, como se realmente tivesse acontecido há poucos minutos. Os que sonhei antes e depois desses três dias se foram da minha lembrança feito névoa. Talvez tenha sido reação a tantos medicamentos psicotrópicos e a um surto que eu nunca havia vivenciado antes. Talvez minha mente tenha virado do avesso com tanta confusão. Não sei de nada direito mas preciso registrar o que lembro e minhas impressões.

Então! Diferente do sonho cinza esse da noite de 18/12 era iluminado de doer na vista. Nunca tinha visto tanta luz nem sonhando nem acordada. Lá vou eu de sapatos cor de rosa (eca²!), de vestido de cetim na cor salmão, com decote canoa, mangas soltas e comprimento na altura dos joelhos (ainda copio esse modelo), com duas malas antigas da cor do vestido, uma em cada mão, cabelos soltos e com cachos perfeitos que só terei em sonhos. Devo dizer que não é de todo tom de rosa que desgosto. Enfim, eu entrava em um hotel que não tinha placa na frente, mas eu sabia que era um hotel. Um hotel engraçado, sem recepção e com uma escada frontal em forma de meia-lua quase da largura do prédio. A porta da frente era larga, estava escancarada e já era o início de um longo corredor.

De um lado e outro do corredor enfileiravam-se quartos de portas quase quadradas, todas escancaradas. Nos quartos havia janelas abertas nas paredes opostas às portas. Lembrando agora eu até me assusto com a luz que entrava pelas janelas de um lado e do outro do corredor. O que era aquilo? É normal em sonhos? Era uma luz alegre, intensa, levemente amarelada e que entrava pelas janelas, invadia e iluminava todos os cantos de todos os quartos e, como se não coubesse neles, irradiava-se através das portas esparramando-se pelo corredor inteiro, fazendo com que paredes, teto e piso brilhassem como um dia ensolarado. A luminosidade era quase cegante, a ponto de me impedir de tentar ver o que havia lá fora após das janelas.

Era como se os raios de sol tivessem vida e vontade própria e decidissem descer e inundar aquele lugar feito uma cachoeira ou uma torrente de águas douradas. E que alegria dava pra sentir! Mas não demorou muito a alegria se tornou em uma leve frustração, seguida de resignação, pois eu continuei andando até o final do corredor. O que não disse ainda e que talvez pareça estranho é que em cada quarto havia alguém. Uma pessoa por quarto. Mas o mais estranho vem agora: eu tinha plena certeza de que cada um dos hóspedes já havia morrido.

Estranho! Havia senhores e senhoras enrugadinhos e uma senhora que conheço, que não morreu ainda mas que perdeu o esposo recentemente. Em um dos últimos quartos estava uma amiga minha que está jovem e viva como nunca. Agora, pergunta pro meu inconsciente o que ele quer dizer com isso! Não acredito que as que estavam vivas no sonho devam morrer logo. Pra mim, sonhos representam brincadeiras que o inconsciente faz com as informações do dia a dia, e só.

Mas a minha frustação seguida de resignação se deu por conta de eu chegar até o fim do corredor e olhar para o último quarto à direita, ver um senhor, enrugado feito um cão da raça sharpei, e ouvir dele: “Não tem lugar pra você aqui!” Me virei e voltei caminhando corredor afora.  A última imagem que vejo é de mim mesma, com uma mala em cada mão, com aquela luz absurda brilhando atrás de mim. Eu pisava no primeiro degrau da escada para ir embora. E nessa hora me veio de frente uma lufada de vento fresco, de fora para dentro do corredor que ficava para trás.

Não sei o que deu na minha mente ou o que houve com minhas lembranças, mas sei que não vou ficar aqui  pirando na batatinha porque já tomei as dorgas da noite e preciso dormir. Vou correndo porque a crise maníaca de ontem à noite me deu arritmia cardíaca, o que o médico chamou de ataque de pânico (mas hein?!). Minha mãe me cuida e já está aos berros. Bom, na minha situação dormir é vida! }ï{

Lucubrações, Vídeos diversos

Nós somos a favor

Eu sou (muito) a favor do esclarecimento. Os normais, mentalmente saudáveis ou “normalóides”, precisam saber, precisam aprender, precisam entender (pelo menos o essencial) e deixar o preconceito de lado. Pois quando não conseguimos nos cuidar é deles que nós dependemos. E nessa hora eles precisam saber o que fazer, pois depender de alguém que não sabe o que fazer com você só torna a doença mais difícil de encarar. O sofrimento, nesse caso, se torna muito mais profundo, penoso e demorado. Sou a favor do esclarecimento, por relacionamentos sadios com os normais e pela qualidade de vida e saúde de todos nós, portadores de doenças e transtornos mentais.

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Confissões

Desparafusada

“Seus parafusos são soltos!”

Sim, também.

Uns soltaram e não consigo achar,

      outros só afrouxaram.

                                                                                                Ainda dá pra apertar.

                                                    É tão gostoso o barulhinho

                                                                                                        que eles fazem quando eu ando.

É música pra minha caminhada.

E eu adoro

               uma trilha sonora

desparafusada!

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