Devaneios, lembranças e sonhos – parte IV

Bom, continuando minha jornada (só minha mesmo, não interessa quem lerá ou o que vão pensar) de lembranças que pra mim são totalmente novas e absurdas, volto à noite de 18 para 19 de dezembro. É como se o sonho dessa noite pós escarificação e cheia de lacunas fosse uma afronta ao meu gosto pessoal. Mas afronta ou não, acho interessante o antagonismo entre o sonho da noite anterior e esse. Ambos, e mais o terceiro, que devo contar mais pra frente, são pra mim como apreciar uma pintura ao vivo. Eu só preciso fechar os olhos.

Lembro e vejo tudo com detalhes que nem eu sabia que havia nos sonhos, pois eu nunca lembrei de nenhum sonho ou pesadelo direito. Três sonhos tidos em período turbulento, os quais eu lembro como se fosse agora, como se fossem palpáveis, como se realmente tivesse acontecido há poucos minutos. Os que sonhei antes e depois desses três dias se foram da minha lembrança feito névoa. Talvez tenha sido reação a tantos medicamentos psicotrópicos e a um surto que eu nunca havia vivenciado antes. Talvez minha mente tenha virado do avesso com tanta confusão. Não sei de nada direito mas preciso registrar o que lembro e minhas impressões.

Então! Diferente do sonho cinza esse da noite de 18/12 era iluminado de doer na vista. Nunca tinha visto tanta luz nem sonhando nem acordada. Lá vou eu de sapatos cor de rosa (eca²!), de vestido de cetim na cor salmão, com decote canoa, mangas soltas e comprimento na altura dos joelhos (ainda copio esse modelo), com duas malas antigas da cor do vestido, uma em cada mão, cabelos soltos e com cachos perfeitos que só terei em sonhos. Devo dizer que não é de todo tom de rosa que desgosto. Enfim, eu entrava em um hotel que não tinha placa na frente, mas eu sabia que era um hotel. Um hotel engraçado, sem recepção e com uma escada frontal em forma de meia-lua quase da largura do prédio. A porta da frente era larga, estava escancarada e já era o início de um longo corredor.

De um lado e outro do corredor enfileiravam-se quartos de portas quase quadradas, todas escancaradas. Nos quartos havia janelas abertas nas paredes opostas às portas. Lembrando agora eu até me assusto com a luz que entrava pelas janelas de um lado e do outro do corredor. O que era aquilo? É normal em sonhos? Era uma luz alegre, intensa, levemente amarelada e que entrava pelas janelas, invadia e iluminava todos os cantos de todos os quartos e, como se não coubesse neles, irradiava-se através das portas esparramando-se pelo corredor inteiro, fazendo com que paredes, teto e piso brilhassem como um dia ensolarado. A luminosidade era quase cegante, a ponto de me impedir de tentar ver o que havia lá fora após das janelas.

Era como se os raios de sol tivessem vida e vontade própria e decidissem descer e inundar aquele lugar feito uma cachoeira ou uma torrente de águas douradas. E que alegria dava pra sentir! Mas não demorou muito a alegria se tornou em uma leve frustração, seguida de resignação, pois eu continuei andando até o final do corredor. O que não disse ainda e que talvez pareça estranho é que em cada quarto havia alguém. Uma pessoa por quarto. Mas o mais estranho vem agora: eu tinha plena certeza de que cada um dos hóspedes já havia morrido.

Estranho! Havia senhores e senhoras enrugadinhos e uma senhora que conheço, que não morreu ainda mas que perdeu o esposo recentemente. Em um dos últimos quartos estava uma amiga minha que está jovem e viva como nunca. Agora, pergunta pro meu inconsciente o que ele quer dizer com isso! Não acredito que as que estavam vivas no sonho devam morrer logo. Pra mim, sonhos representam brincadeiras que o inconsciente faz com as informações do dia a dia, e só.

Mas a minha frustação seguida de resignação se deu por conta de eu chegar até o fim do corredor e olhar para o último quarto à direita, ver um senhor, enrugado feito um cão da raça sharpei, e ouvir dele: “Não tem lugar pra você aqui!” Me virei e voltei caminhando corredor afora.  A última imagem que vejo é de mim mesma, com uma mala em cada mão, com aquela luz absurda brilhando atrás de mim. Eu pisava no primeiro degrau da escada para ir embora. E nessa hora me veio de frente uma lufada de vento fresco, de fora para dentro do corredor que ficava para trás.

Não sei o que deu na minha mente ou o que houve com minhas lembranças, mas sei que não vou ficar aqui  pirando na batatinha porque já tomei as dorgas da noite e preciso dormir. Vou correndo porque a crise maníaca de ontem à noite me deu arritmia cardíaca, o que o médico chamou de ataque de pânico (mas hein?!). Minha mãe me cuida e já está aos berros. Bom, na minha situação dormir é vida! }ï{

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Sobre a dona do blog

Pecadora redimida por Aquele que morreu na cruz e ressurgiu. "Pois ele conhece a nossa estrutura; lembra-se de que somos pó." Salmos 103:14
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