Confissões, Vídeos diversos

Sapato velho

Menos de 30 e já me sinto como um sapato velho. Êêêê canseira da pós-modernidade que dispara doenças genéticas que jamais se manifestariam se a vida fosse mais simples. Doenças que te cansam e te impedem de viver e curtir a vida adoidado (como no filme). C’est la vie! }ï{

Anúncios
Fotografias

Beija-flor ao entardecer

Foto by Lola. Beija-flor na cozinha da casa da vovó.

“Não se admire se um dia um beija-flor invadir

a porta da tua casa te der um beijo e partir.

Fui eu que mandei o beijo

que é pra matar meu desejo.

Faz tempo que não te vejo,

ai que saudade d’ocê!

Se um dia ôce se lembrar

Escreva uma carta pra mim.

Bote logo no correio com frases dizendo assim:

Faz tempo que não te vejo, quero matar meu desejo.

Te mando um monte de beijos,

ai que saudade sem fim! (…)”

(Trecho da música Beija-flor, de Geraldo Azevedo).

}ï{

Confissões, Fotografias

Pausa para delicadezas

Foto by Lola

Eu aperto a corrente da minha moto; ando de salto alto (aquele de solado todo vermelho); resolvo meus problemas burocráticos e bancários sozinha; gosto de vestido florido (tipo de camponesa); já briguei de porrada de punho cerrado com um homem (apanhei mas também fiz estrago, mas disso não me orgulho nem um pouco); faço selagem nos cachos de vez em quando e troco garrafão de água do bebedouro sozinha; já fui Policial Militar Voluntária e já fui recepcionista; sou maquiadora quando tenho oportunidade.

Adoro maquiagem (e modéstia à parte, eu sou boa nisso apesar de não ser escrava dela); não gosto de rosa mebendazol (um remédio pra verme que tomava quando pequena e que tem um tom de rosa intragável), mas uso outros tons sem problema; já andei na rua sozinha à 1:00 da madrugada na minha moto, só pra não ter que pedir carona pra um bando de machos; gosto de música romântica e gosto de filmes de guerra onde o sangue jorra e cabeças rolam; já fui andando pra casa descalça porque a sandália quebrou (3 vezes).

Foto by Lola

Argumento com os PMs e outros condutores em incidentes de trânsito sem chamar irmão, pai, namorado, marido etc (esses  dois últimos eu não tenho, mas nunca dei uma de donzela em perigo quando eu posso resolver sozinha); assisto filmes de drama e choro horrores; vejo comédia romântica comendo brigadeiro de panela; tenho certas reservas com contato físico, mas também preciso de colo às vezes.

Uso armadura na frente das pessoas, mas longe da vista de todos prefiro minha camisola azul e um roupão macio; não gosto de bate boca, mas se quiser debater algo venha com um quente que eu vou com dois fervendo; eu mesma faço minhas unhas e tenho um monte de esmaltes; gosto de arrumar meu cabelo, mas o capacete desarruma;

Já namorei; já me apaixonei; já planejei casar; já decidi não casar; já quis muito ter um filho biológico, mas a saúde talvez só me deixe a adoção; já terminei relacionamento sem derramar uma lágrima, mas também já terminei e adoeci, demorando mais de um ano pra me recuperar; já percebi que consigo cativar rápido se eu me interessar; e já percebi que assusto os homens depois de um tempo;

Já percebi que no início eu sou perfeita, um sonho, e depois de uns meses viro um pesadelo digno de ser trocado por um sonho de verdade; aguento a bipolaridade (e agora os ataques de pânico) firme e forte, tentando suportar até as últimas gotas de sangue, mas quando eu digo que não aguento mais é porque realmente não sobrou nem uma gota.

Foto by Lola

Bom, pra mim ser mulher não é ser fresca e viver pra vender beleza ou vir ao mundo só pra passear. Deus disse que a mulher seria “uma ajudadora idônea” e não a fresca que deixa o cara fazendo o serviço pesado pra não estragar as unhas ou pra não suar. Ser feminina não é dar uma de desentendida e bobinha só pra receber atenção do marido, noivo, namorado ou daquele carinha por quem você está apaixonada.

Feminilidade não é dar uma de João sem braço pra fazer o homem vir resolver os problemas que você pode resolver sozinha, mas fica com medinho de tentar ou já diz que não consegue sem ter tentado nem ao menos uma vez na vida. Com problemas de relacionamento, com problemas de saúde, com o coração partido, com o coração consertado, com dificuldades e entraves do cotidiano, com cólicas etc, qualquer mulher pode ser forte e delicada ao mesmo tempo. Deus nos criou com a capacidade de conciliar os dois extremos.

Delicadeza nem sempre é fraqueza. Firmeza nem sempre é estupidez. Delicadeza pode coexistir com força e firmeza e eu sempre me esforcei para viver assim, nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Mas nesse momento eu quero uma pausa só para delicadezas. Porque esses tempos eu tenho tido que ser forte até as últimas gotas, sabe! E estou cansada de juntar caquinhos e colecionar cicatrizes. }ï{

Confissões, Fotografias

Dorgas Manolo!! (parte II)

Foto by Lola. Olha a dorga! Olha a dorga! Quem vai querer?!

Pois é, eu tomo tudo isso sim. Odeeeeeio tomar remédio! Mas é um mal necessário porque eu tive crise violenta e coisa e tal, e qualquer psiquiatra responsável se dedica a prevenir qualquer recaída nos meses após a crise. Mas é quase um salário mínimo em medicação psiquiátrica todos os meses.

Um desses aí é mais de 200 pilas aqui no Brasil e eu  preciso de 2 caixas/mês, daí apela-se para o genérico de cento e poucos reais. Eu só tenho 28 anos e às vezes não parece justo que eu precise tomar remédios como uma pessoa idosa. Minha avó tem 70 anos e toma menos comprimidos diariamente do que eu, e nenhum dos que ela toma é pra transtorno mental. Graças a Deus!

Faltou aí na foto o anticoncepcional, mas eu não tomo para evitar filhos, dããã! Só não posso ter ciclo ovulatório mensal como toda mulher normal por causa das alterações de humor do ciclo mentrual e outros entraves, que afetam muito minha saúde e meu tratamento, e eu já tenho coisa demais pra lidar. Isso me lembra que eu sou quase normal e que me sinto quase uma aberração, o que me deixa quase deprimida só de escrever.

Lembrei de uma amiga (pelo menos pra mim era) que uma vez, por telefone, esbravejou comigo: Você não é doente! Você não é doente! Você não tem doença nenhuma! Às vezes dá vontade de ir lá agora, pegar a cara dela e esfregar em cada uma das caixas de medicação que eu tomo ou levá-la à alguma das minhas consultas psiquiátricas. Mas coitada! Ignorante no assunto, né?! Justificado está. E a bem da verdade, eu daria todo ouro do mundo pra ter a saúde mental dela.

A esperança de paciente, médico e família é que as doses baixem com o tempo, que alguns remédios saiam de cena e a vida fique mais normal do que quase normal. Mas é difícil ter esperança às vezes quando se tem recaídas, crises mais fortes, necessidade de ajustar dose ou trocar remédios como foi dessa última vez que, depois de 3 anos bem, meu cérebro me quebrou as duas pernas de novo. Lá vamos nós de volta à estaca zero! Doença mental é assim mesmo, dá muito trabalho.

Tudo isso é física, mental e emocionalmente desgastante, corrói a esperança, balança a fé e fragiliza quem já carrega uma cruz bem pesadinha. Há dias em que odeio os remédios e tomo quase chorando, mas há dias em que morro de medo de ficar sem eles. Mas eu sempre me esforço pra ter fé no meu Deus, descansar em Seus ombros (que são bem largos) e me consolar nEle, que nunca me deu uma carga maior do que a que eu pudesse carregar. É nisso que eu me agarro e renovo minhas forças pra arrastar essa bendita cruz. Se é assim que tem que ser, então que assim seja! }ï{