Eu, eu mesma e Lola

Sou mais o meu blog, meu casulo, do que esses vulgares por aí. Infelizmente posso “identificar” de levinho situações, pessoas ou lugares e fazer doer em gente querida porque talvez achem que foi pra si. Às vezes foi. Pedoem esta desparafusada! É minha natureza! Às vezes controlo, às vezes não. Sou Mr. Hyde e Dr. Jekill, sou leão agressivo, sou borboleta carinhosa. Uso armadura, uso camisola, uso salto alto, ando descalça, gosto de cachorros e também não gosto, bato as portas pra não bater nas pessoas, quero espadas pra atacar, mas quero escudos pra defender, saio bem maquiada e saio de cara lavada. Descontrolo pra cima, pra fora, pra tudo. Descontrolo pra baixo, pra dentro, pra nada. Estabilizo com o copo nem meio cheio nem meio vazio. Gosto de ar condicionado, mas não gosto muito. Gosto de calor, mas não gosto muito. Gosto de cachos longos e gosto de curtinho charmoso. Gosto de sorvete sem cobertura. Gosto de tacacá com pimenta.

Quando criança fazia milhares de associações que eram difíceis para as outras crianças. Montava centenas de quebra-cabeças dentro da minha cabeça, um universo inteiro dentro de uma mente de 2 ou 3 anos. E não parou aí. Anos passam, aumentam as peças dos quebra-cabeças. O universo continuou se expandindo. Parece que são suficientes 3 décadas pra encher e transbordar completamente todo o universo de dentro, e para os quebra-cabeças se desmontarem de vez. Estou perto e sinto que quase não cabe mais nada. Quando criança sabia das coisas. E quando criança ficava confusa. Mergulho em mim, mergulho na Palavra atrás de respostas e consolo, mergulho nos olhos das outras pessoas pra ver quem são. Mergulho fundo nas perguntas sobre mim e sobre os outros. Só venho à tona quando acho o que quero ou preciso ter como resposta. Às vezes fico sem fôlego lá no fundo e quando subo dá vontade de gritar. Mas demore o tempo que demorar as respostas sempre aparecem.

Às vezes me escondia atrás do “problema da mente”. Parei. Percebi que não poderia mais me esconder ou usar como justificativa para todo tipo de deslize moral, comportamental etc. Que coisa feia! Mas se esconder atrás da doença é normal pela própria natureza da doença. É fase e passa. Mas e agora? Sou pra cima? Sou pra baixo? Desde quando? Até quando? Onde termina a hipomania e começa a minha real manifestação de alegria e vice-versa? Onde termina a simples tristeza, o simples cansaço ou o tédio e começa a depressão e vice-versa? Onde termina a maníaco-depressiva e começa a “eu mesma” saudável de verdade? Até onde vai “eu mesma”? A partir de onde começa a louca, perturbada, em crise, hipomaníaca, deprimida?

Quem sou “eu mesma” se desde a primeira infância eu sinto o que sinto e sou o que sou? Até onde vai minha saúde mental e meu juízo perfeito? Porque esses dois tem se perdido tanto ultimamente? Porque se perdem quando eu tenho o mapa? Talvez não seja boa com mapas. Sou boa com pontos de referência. Meu referencial é Deus. Consciente, racional e incrivelmente às vezes eu O perco, mas Ele não me perde nunca, sempre me acha. E eu volto a achá-lO. Mas porque o universo da mente e as pecinhas do quebra-cabeça não se entendem, não se ajustam perfeitamente nunca. Estou há 1 ano e uns meses de completar 3 décadas de vida. Será que vou transbordar se continuar assim?

Se eu transbordar e parar em algum lugar, se eu perder a noção, se eu me perder no universo de dentro da mente, se eu me perder no meio das peças, quero que por favor, não me deixem perder a dignidade. Não me deixem babando ou vazando qualquer coisa que seja pelos corredores de alguma instituição ou dentro de casa. Não deixem escapulir comida da minha boca. Família, amigos, sei lá quem. Será que vou melhorar até as 3 décadas completas? Será que vou piorar e o quadro que acabei de pintar se tornará realidade?

Deus sabe, Ele sabe tudo. E também sabe que estou acelerada mas chorosa neste exato momento. Sinto a crise aqui e agora. Não consigo parar de escrever e estou sem sono (hipomania) mesmo com 6 comprimidos sublinguais de Clonazepan. Mas quero chorar horrores e me lamentar da vida (depressão). Talvez os parágrafos anteriores sejam prova disso. Ou talvez só estou sendo chata como qualquer ser humano normal e saudável. Como é que eu tenho certeza do que é um ser humano normal da cabeça e saudável do juízo se desde pequena sempre fui assim?

Considerando meu humor de extremos e minha emoção à flor da pele, eu sinto tudo com mais intensidade, largura, profundidade, altura, força e até violência do que as pessoas comuns. Ando sempre no limite de todos os humores, de todas as sensações, de todas as emoções, de todos os pensamentos. É tão incontrolável quanto maravilhoso, é tão sofrido quanto incrível! É suave e visceral ao mesmo tempo. É coisa demais na cabeça, é coisa demais no coração, é uma alma incontida, é um mundo dentro do ser, é coisa demais querendo sair, é coisa demais querendo ficar… É coisa demais pra ser normal.

Como é que eu vou saber de onde eu comecei ou onde eu vou parar? Como eu tenho crise e lucidez pra escrever e considerar tudo isso ao mesmo tempo? É um universo grande demais dentro de uma mente só. São muitas coisas em uma só alma  que não conseguem sair a contento (e é muita coisa e tá chegando na tampa, quando derramar eu não quero nem ver). Esqueci minhas dorgas de dormir no apartamento e estou remediando com outras aqui em casa. Preciso dormir. Bonan Nokton*!

*Boa noite em Esperanto.

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Sobre a dona do blog

Pecadora redimida por Aquele que morreu na cruz e ressurgiu. "Pois ele conhece a nossa estrutura; lembra-se de que somos pó." Salmos 103:14
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