Confissões, Vlogs

Graças em meio a desgraça

Mesmo que a atitude, o exterior, seja muitas vezes de desespero, tristeza, desistência. Mesmo que às vezes haja revoltas, crises, reviravoltas no tratamento e outros problemas de saúde, a felicidade e a gratidão nunca deixaram de existir no meu coração.

Anúncios
Confissões

Dank ‘al Dio*

SENHOR OBRIGADA:

Pelas perdas, que na verdade não são perdas, são só uma mudança nos planos, e também é o Senhor me livrando de mal maior e me dando uma surra por não ter feito o que o Espírito Santo estava mostrando que era pra fazer;

Pela infecção nos rins (com a cólica renal que quase me partiu ao meio), pois com ela o médico foi procurar uma coisa errada no meu organismo e achou outra que provavelmente não seria achada tão cedo;

Pela baixa resistência e saúde abalada que passei a ter de uns anos pra cá, pois assim eu dependo mais de Ti, Te busco mais, aprendo a depender dos outros também e sou mais paciente com as limitações dos outros e conformada com Tua vontade;

Pelos poucos irmãos e amigos compreensivos que me ajudam com suas orações e se interessam em saber como é, quando acontece, porque acontece e o que fazer. São poucos, mas no final das contas não preciso de muitos. Só preciso de poucos mas bons amigos, que estejam lá pra mim e que eu possa estar lá pra eles. Esses me mostram o que é ser irmão em Cristo;

Pela condição que tenho de me tratar e pelo monte de remédios que eu tomo todo dia. Apesar de às vezes surtar de revolta com eles, no fundo sou muito grata! Enquanto isso muitos enlouquecem, se matam, sem chance de tomar um comprimido que alivie seu sofrimento mental, sua doença;

Pela ignorância das pessoas e por suas palavras cegas e imaturas, pois me fazem dar um tempo longe do lugar que amo. E assim posso fazer novos amigos e conhecer pessoas maravilhosas. Ainda que eu espere que pessoas ignorantes e imaturas desfaçam a cagada que fizeram, cresçam um pouco intelectualmente e sejam menos ignorantes;

Pelos cuidados que tenho em casa mesmo que a família não se interesse muito em ir ao âmago dos meus problemas; mesmo que no fundo alguém dentro de casa tenha vergonha do meu mal mental, não queira que eu me exponha para ajudar outros e queira que eu tenha vergonha de ser quem eu sou. Mas eu nunca vou ter. Isso me faz sentir que somente o Senhor me entende;

Pela felicidade de pessoas queridas (que também me deixa feliz), com seus amores e com seus planos para o futuro se concretizando, pois pessoas queridas merecem a felicidade com toda intensidade e em todas as suas formas. Isso me mostra que Tua vontade sempre prevalece sobre a nossa;

Por eu ser e permanecer solteira (apesar da chateação dos trolls), pois assim posso desfrutar da Tua companhia com mais liberdade e perceber que eu posso viver sem uma saúde de ferro e sem qualquer ser, coisa ou pessoa nesse mundo, mas nunca poderia viver sem Ti, Senhor;

Pelo médico ter me livrado de um dos remédios que não preciso mais (Ebaaaa!!); pela crise que está se instalalando devido à fase de mudança no esquema de medicação (e é preciso passar por Mara para chegar a Elim); pelo afastamento do trabalho até a adaptação estar completa; pela compreensão de chefes, colegas e professores;

Enfim, por tudo na minha vida Senhor, desde a infância roubada, destruída, devastada (Dorie Vanstone que o diga); a adolescência problemática, sofrida e difícil; o início de vida adulta não menos problemático e traumático; por todas as vezes que eu ouvi ‘eu te amo’ junto com promessas e mais promessas, que se acabaram em nada (ou em mais dor); por todas essas coisas, e muitas, muitas outras que me levaram a Ti Senhor e que me ensinaram que do meio do sofrimento pode surgir redenção, salvação, esperança e vida, é que eu senti necessidade de Te agradecer assim.

Pois se as pessoas não tem vergonha de publicar e expor imoralidade, declarações de amor, piadas etc, eu não tenho nenhum pingo de vergonha de declarar publicamente no meu blog o meu amor e gratidão a Ti meu Deus. Mesmo ainda doente, mesmo com um pouco de dor, mesmo em uma leve crise depressiva (ai mudança nos remédios!), mesmo com lembranças boas e muita ruins, eu só tenho o que Te agradecer. Toda a minha vida, com tudo que sofri e sofro até hoje, só me empurrou pra mais perto de Ti. E por tudo isso, e muito mais, eu te dou graças, Senhor! GRAÇAS A DEUS!


*Graças a Deus em esperanto

}ï{

Lucubrações

A depressão é falta de Deus?

O artigo abaixo, de Giselle Fachetti Machado, foi enviado pelo amigo, colaborador e, também bipolar,  João Carlos. Vale a pena ser lido pois é bem esclarecedor. Somente omiti alguns termos (como ‘endógena’), se referindo à depressão para não causar uma certa confusão na mente dos leigos e fazê-los pensar que exista algum tipo de depressão que não seja doença, porque não existe. Meu diagnóstico é de bipolaridade do tipo II, então eu passo pela depressão com mais frequência do que pela hipomania, então sei bem o que é isso. Os destaques em negrito no texto são meus. Obrigada mais uma vez João Carlos, amigo e solidário das mesmas lutas que eu, por compartilhar o texto. Leiam com carinho:

As pesquisas científicas mais recentes são categóricas em afirmar que a fé religiosa interfere positivamente na capacidade de recuperação de um doente. Por outro lado, existem pessoas que atribuem à sua fé religiosa seu estado de saúde plena.

Sem dúvida, a fé é um recurso transformador da mente, porém, sem discernimento ela deságua no fanatismo e no preconceito, o que é sempre pernicioso. Os bens espirituais não são materiais ou físicos, por isso, as bênçãos divinas não podem ser medidas pelo sucesso financeiro ou pelo vigor físico de um indivíduo.

Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam.” Mateus 6:20

O que pretendemos discutir neste artigo é o outro lado da moeda. Será o doente um indivíduo sem fé, sem Deus? Será que o otimismo, o pensamento positivo, a boa vontade, a fé em Deus são suficientes para que tenhamos saúde?

Todas as doenças têm causas multifatoriais. Existe um componente físico, um emocional e outro espiritual. A conjunção dos três níveis de desequilíbrio é que abre as portas do organismo humano para a instalação de doenças.

Choca-me a forma recorrente e incisiva com que pessoas esclarecidas, atuantes dentro de comunidades religiosas das mais diversas, afirmam que para elas a depressão é falta de Deus. Como se se tratasse de uma questão de escolha. Chegam a cogitar que os medicamentos antidepressivos seriam os responsáveis pela doença. É lastimável que essa visão distorcida seja tão presente em nossa sociedade.

Trata-se de questão relevante, pois o doente com depressão tem ao seu lado, em sua família, pessoas com esse pensamento. O que resulta em um retardo no diagnóstico, prolongamento do sofrimento do deprimido e sabotagem de seu tratamento. Essa visão se transfere ao doente e ele sente-se ainda pior. Considera-se fraco, incapaz ou indolente.

As pessoas que assim pensam cometem vários erros do ponto de vista médico e outros tantos do ponto de vista evangélico. Elas assim agem por interpretarem os sintomas dessa doença como puramente emocionais ou como falhas de caráter. Desconhecem os mistérios da mente em sua interação complexa envolvendo o universo biológico, emocional e espiritual.

O religioso precipitado julga o doente ignorando o verdadeiro mecanismo da sua doença, que é expressão de anomalia física e não de anomalia de caráter. Assim como o diabetes traduz a falta de insulina, a depressão reflete déficit de neuro-hormônios no cérebro.
Existe, logicamente, um intricado emaranhamento entre questões emocionais e o curso mais ou menos favorável dessa condição, como em qualquer outra situação de desequilíbrio orgânico.

Portanto nada julgueis antes do tempo, até que venha o Senhor, o qual não só trará à luz as coisas ocultas das trevas, mas também manifestará os desígnios dos corações; e então cada um receberá de Deus o seu louvor.” I Coríntios 4:5

É interessante como a humanidade repete, incansavelmente, os mesmos erros de seu passado. Os hansenianos contemporâneos de Jesus eram tidos como malditos e pecadores, como vítimas do castigo divino.

Sob o prisma da medicina sabemos que humor é uma função da mente regulada por neuro-hormônios. A pessoa com distúrbio do humor não está triste ou alegre. Ela está deprimida ou eufórica. Em medicina não são sinônimos, podemos ter uma pessoa deprimida e alegre e uma pessoa em euforia e triste. A tristeza é um sentimento em reação a um fato exterior. A depressão não depende de causa externa.

Quando ocorre uma diminuição da produção de neuro-hormônios, especialmente da serotonina, ocorre alteração do humor no sentido da depressão. A euforia é mais rara e, associa-se a um distúrbio da mente mais severo conhecido como doença bipolar.

A depressão, portanto, reflete déficit de neurotransmissores e a etiologia desse déficit por sua vez é multifatorial. A influência genética é bastante evidente. Trata-se de condição mais frequente na mulher em função da flutuação hormonal que ela sofre. A progesterona, hormônio da segunda fase do ciclo e, da gravidez, predispõe à depleção de serotonina, por isso a tendência feminina para alterações do humor na fase pré-menstrual.

Trata-se de doença com caráter cíclico e recorrente. Os episódios de depressão costumam ser longos durando entre seis meses e dois anos. Em suas formas graves pode levar a uma profunda apatia, sensação de intenso pesar que pode levar o deprimido até extremos como o do suicídio.

As formas leves muitas vezes são negligenciadas, pois tem manifestação de algo diferente. A pessoa fica irritada, ansiosa, intolerante, pode desenvolver pânico ou comportamento obsessivo compulsivo. Mesmo em sua forma leve a depressão compromete bastante a qualidade de vida do seu portador, compromete ainda seus relacionamentos profissionais e pessoais. São pessoas tidas como chatas, arrogantes, perfeccionistas, intransigentes ou cheias de manias.

A Distimia é um distúrbio crônico do humor, uma forma mais leve de depressão que se caracteriza por persistir por períodos maiores que dois anos e por manifestar-se com humor mais irritável do que depressivo.

Os exercícios físicos liberam endorfinas na corrente sanguínea as quais tem ação antidepressiva natural. O chocolate, fonte de triptofano, um precursor da serotonina, também tem ação antidepressiva. Atualmente existem medicamentos seletivos e seguros para o tratamento da depressão. São os antidepressivos, que não devem ser confundidos com sedativos, hipnóticos ou tranquilizantes. Estes últimos causam dependência química, o que não acontece com os medicamentos específicos para depressão.

Infelizmente, drogas ilícitas e lícitas, como o álcool, também têm algum efeito antidepressivo transitório. Isso leva, comumente, ao seu uso abusivo pelos doentes em função de um busca por alívio instantâneo do desconforto que os consome, especialmente, naquelas pessoas que não se sabem ou não se admitem doentes.

Assim, o risco de desenvolvimento de dependência química entre os deprimidos é aumentado. Não é incomum que o diagnóstico de depressão só seja feito após a instalação de uma dependência química, especialmente entre os adolescentes.

Os antidepressivos ainda que bastante eficientes devem ser associados a exercício físico e ao suporte emocional para que se obtenha um bom controle das crises depressivas. Tal medicação pode ser usada por extensos períodos, de acordo com a forma da doença e a necessidade de cada doente.

O suporte espiritual é também fundamental para o depressivo. Reduz ainfluência exterior negativa (obsessão) e, aumenta a capacidade de reagir à doença através da busca serena de soluções seguras. Quando afirmamos que a depressão é falta de Deus estamos julgando um doente como um simulador ou como um auto-agressor. Estamos julgando o doente como fraco e sem vontade. E pior, como distante de Deus. Quantos enganos em relação ao Evangelho do Cristo? Ele, O Cristo, nos conclama a não julgarmos, a sermos compassivos e misericordiosos.

“Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia;” Mateus 5:7

Todas as doenças enfrentadas com o auxílio divino são mais leves e tornam-se instrumento de educação do espírito. Tendo fé a nossa dor tem um sentido, faz parte de um conjunto de bênçãos do Criador em favor de nossa evolução rumo aos parâmetros celestiais. Com fé lutaremos pela vida e pela disposição, sem revolta e com inteligência.

Tendo fé usaremos todas as armas terapêuticas em nosso benefício e pelo tempo necessário conforme essa necessidade se imponha. Caso não precisemos de medicação, usaremos apenas os exercícios físicos e o apoio emocional como alternativa suficiente, já que múltiplos são os tratamentos eficazes em relação a essa doença.

A premissa que depressão é falta do que fazer, falta de Deus, chilique… é desinformada e cruel. A informação sobre essa condição permitirá que pessoas saudáveis acolham respeitosamente as necessidades dos doentes com os quais convivem. E, para finalizarmos, levantamos uma evidência óbvia de que a depressão não tem como causa, em hipótese alguma, a falta de Deus: os índices dessa doença são iguais entre ateus e teístas.

}ï{

Confissões, Fotografias

Levando

Céu e silhueta de uma parte de Goiânia ao entardecer. Foto by Lola

Posso alcançar? Posso ter? Então posso querer, fazer planos e caminhar para chegar lá. Não posso ter? Está tão longe que não posso chegar lá? Sinto muito, mas começo a trabalhar na minha mente o “não querer” e desisto de planejar antes mesmo de começar. O que aparecer pra mim é lucro. Se lá está tão longe do meu alcance que eu não possa chegar lá, então é porque não é pra eu ir lá. Só posso querer o que posso ter. Se não posso ter, não devo querer. Trabalho minha mente desta maneira: Só deseje e planeje aquilo que pode ter. Se vir que não pode ter, não queira. E ai de mim se não seguir essa regra! Ai de mim!

Talvez a vida seja muito dura (ou eu seja muito dura comigo), de modo que não me apego a sonhos (tirando os sonhos do sono e os sonhos de padaria). Também não vivo fazendo planos a longo prazo. Às vezes fico só olhando de longe aquilo que não posso e/ou não devo alcançar e percebo que às vezes a vista é mais bonita de longe do que de perto. E no final, acho que estou satisfeita acordando, dormindo, andando, comendo, bebendo, orando, lendo, tomando remédios, trabalhando precariamente, estudando idem, respirando, adoecendo, recuperando… enfim, vivendo cada dia sem grandes pretensões, sem grandes planos e, principalmente, sem grandes sonhos.

}ï{

Lucubrações

Esperando a justiça e tomando Toddynho

Dizem que uma imagem vale por mil palavras. Acho que o célebre ditador Hitler estava sempre dando a sua benção apostólica aos seus seguidores. Só pode! E olha a carinha dele! Veja suas olheiras de preocupação! Não dá uma leve impressão de que ele é um coitadinho, injustiçado, mal interpretado? Tão fofo! Tão hipócrita! Tão mentiroso! Tão manipulador!

Quem não te conhece que te compre, ditador! Você mostra que seus interesses são os mesmos interesses de seus liderados, mas esconde dentro do seu terno suas reais intenções. Os intelectualmente dominados por você sempre pensam que você defende interesses maiores e mais nobres. Sendo o “cristão” que é (Hitler era católico até o osso), muitos acabam pensando que você é um líder ungido por Deus para cumprir com Seus desígnios. Te admiram, prestam obediência cega. Não te contrariam, nem sequer te questionam. E isso não é obediência! É a anulação de um ser humano em detrimento de outro. É ditadura! Talvez os dominados pensem que você está sempre certo. De novo, quem não te conhece que te compre, ditador! Homem, verme, pó! Como qualquer um.

Não se pode agradar a gregos e a troianos. Da mesma forma, não se pode agradar aos ditadores e a seus seguidores. A diferença entre as duas situações é que entre gregos e troianos é visível a oposição. No caso do ditador e seus liderados, a oposição de  interesses também existe, o problema é que os liderados não sabem disso. O ditador, nesse caso, se torna um cavalo de Tróia. Um presente de grego! Logo logo o pau vai quebrar!

Ninguém tem a capacidade de agradar a gregos e troianos, a ditadores e liderados. Mas alguns renegados tem a incrível capacidade de incomodar os dois lados ao mesmo tempo. Se não se pode agradar a gregos e a troianos eles pelo menos conseguem irritar ambos. Então, os renegados, que tem a capacidade de incomodar lados opostos (mesmo que um desses lados não tenha consciência dessa oposição) ficam relaxados e, de longe, apreciam o quebra pau que sempre acontece cedo ou tarde. Assistem a tudo sentados em suas espreguiçadeiras, tomando Toddynho e comendo pipoca! Porque eles servem a um Deus que não é ditador e nEle confiam e esperam por justiça, descansados e sempre!

}ï{

Confissões

Borboletas são livres…

Seguindo o meu caminho...

Borboletas são livres
Minha alma também.
Anseio liberdade, beleza e amor
De ir, vir e sentir
Paixão, ar, calor.

Preciso criar…Voar
Sentir o vento nos cabelos
Mas os pés no chão.
Quero abraço
Mas quero espaço.

Mulher borboleta
Pequenina e voraz
Tem um vôo que seduz
Uma beleza que satisfaz.

Possuidora de uma leveza que conduz
De uma força que induz.
Sua fragilidade lhe traduz
Uma mulher que reluz!

Precisa de arte
Precisa que invada.
Que o coração dispare
Que a saudade mate.

Não a prenda
Traga flores para que venha.
Ela não é para qualquer um
Ela é da natureza
Ela é dela.

Tranque-a e ela morre.
Sopre-a no vento…
Que ela vai.
Mas espere
Pois ela volta.

.

Ver o post original

Lucubrações, Vlogs

A depressão de Jó

Bom, o vídeo saiu com o áudio um pouco baixo e eu já não estava com a melhor dicção do mundo, afinal estava em crise depressiva, medicada para dormir e meio grogue. Mas encontrei alguma resistência pra filmar meu lucubratio bíblico antes de cair na cama. Como não consegui colocar legendas (dá um trabalhão!) para entenderem melhor minha fala, decidi escrever o que falei no vídeo. Se alguém não conseguir entender algo, não conseguir ouvir bem, está tudo no texto.

Tentei reproduzir exatamente como falei, em linguagem beeeem coloquial, até parafraseando alguns trechos bíblicos pra ganhar tempo e também para a compreensão de quem não está familiarizado com a linguagem da Bíblia. Talvez o texto não esteja como eu queria, mas como sou melhor com a escrita do que com a fala, reproduzir minha fala, pra mim é escrever mal. Enfim, este é meu entendimento sobre a situação de Jó. E a Bíblia Sagrada está cheia de relatos sobre doenças físicas ou mentais que não eram ‘falta de Deus’.

Bom, esse aqui é um dos livros da Bíblia Sagrada: o livro de Jó. Eu digo que Jó foi um homem que sofreu ‘a mãe’ de todas as crises depressivas. Sabe porque? satanás começou a dizer pra Deus que Jó só servia a Ele por que era cheio de bênçãos, era um homem muito rico. E Deus deu permissão pro próprio diabo ir lá e arregaçar com a vida de Jó. Resumindo: ele perdeu os 10 filhos que ele tinha e todas as suas posses. E no capítulo 1, versos 21 e 22, depois que Jó viu a vida dele desgraçada financeiramente e seus filhos mortos, ele disse:”Nu saí do ventre de minha mãe, e nu tornarei para lá. O Senhor o deu, o Senhor o tomou. Bendito seja o nome do Senhor! Em tudo isto Jó não pecou, nem atribuiu a Deus falta alguma.”

Aí satanás, não satisfeito, foi lá de novo diante de Deus: “Ah é por que ele tem saúde. Por isso que ele ainda te adora e te serve, e dá graças a Deus por tudo”. E Deus disse pra ele: “Vai lá satanás! Toca na saúde dele. Só não mata!” Mas deu carta branca pro diabo ir lá e bagunçar com a saúde de Jó. E Jó ficou da cabeça até os pés coberto de tumores, de chagas, de feridas podres. E ele se sentou no meio das cinzas, que era um costume do povo. Sentou no meio das cinzas.

E 3 amigos de Jó vieram visitá-lo, porque ficaram sabendo da situação dele e de tudo que tinha acontecido. E os amigos de Jó, quando chegaram (eram Bildade, Elifaz e Zofar), a Bíblia diz que eles “consertaram juntamente virem e condoer-se dele e consolá-lo”. Eles foram chegando e a Bíblia diz: “E levantando de longe os seus olhos e não o reconhecendo…” Eles não o reconheceram porque ele estava completa e realmente irreconhecível, cheio de tumores, naquela situação lastimável e deprimido! …”e não o conhecendo, levantaram sua voz e choraram, e rasgaram seus vestidos, cada um o seu manto. Sobre suas cabeças lançaram pó ao ar”, que era costume do povo de Israel.

Era um costume jogar terra na cabeça em uma situação de sofrimento, e rasgar seus mantos, suas capas. E diz mais: “E se assentaram juntamente com ele na terra 7 dias e 7 noites. E nenhum deles dizia palavra alguma, por que viam que a dor era muito grande.” Os amigos de Jó viram que o sofrimento dele era tão grande, mas tão grande, que eles não falaram nada. Agora, quais foram os objetivos deles em irem até Jó? O primeiro objetivo que eles consertaram juntamente foi: virem condoer-se de Jó. Eles fizeram isso. Porque eles choraram, rasgaram as vestes, os mantos, jogaram terra na cabeça, demonstrando que estavam condoídos da situação de Jó.

O segundo objetivo: “e consolá-lo”. Eles conseguiram consolar Jó? Não, eles não conseguiram consolar Jó, por que eles viram que o sofrimento era tão grande, que eles não iriam consolá-lo. Não tinha consolo pra aquilo! Então o que que eles fizeram? Sentaram ao redor de Jó e ficaram 7 dias e 7 noites ali, sem dizer uma palavra. Porque a dor era tão grande que eles não falaram nada. Eles não tentaram puxar conversa, eles não tentaram puxar assunto, eles não violentaram aquele momento de Jó. Eles respeitaram aquela espécie de luto que Jó estava passando por ele mesmo. Eles respeitaram o momento de Jó, o sofrimento dele, a doença dele e o silêncio dele.

Muitas vezes as pessoas que sofrem de depressão ficam em silêncio, ficam caladas e ninguém respeita o silêncio dessas pessoas. E a Bíblia fala depois, no capítulo 3: “Depois disto, abriu Jó a sua boca e amaldiçoou o seu dia.” Quer dizer o dia do seu nascimento. Então, os amigos de Jó não ficaram puxando conversa, não ficaram tentando fazer ele rir, não ficaram tentando animá-lo. Os amigos de Jó ficaram calados e esperaram por uma manifestação de Jó, esperaram que ele desse a primeira palavra, em respeito ao silêncio da dor e do sofrimento que Jó estava passando.

E quando Jó abriu a boca pra falar, a Bíblia diz que ele amaldiçoou o seu dia, o dia do seu nascimento. Um deprimido espragueja, ele se amaldiçoa, ele amaldiçoa os outros, ele diz que quer morrer, ele diz que não serve pra nada, ele diz que ninguém o ama, ele não presta. O deprimido, em geral, se auto-deprecia, se auto-intitula como uma pessoa inútil, imprestável. E foi o que Jó fez porque ele estava deprimido.

Ele fala coisas fortes sobre ele mesmo: “Pereça o dia em que nasci, e a noite em que se disse: Foi concebido um homem! Converta-se aquele dia em trevas: e Deus, lá de cima, não tenha cuidado dele, nem resplandeça sobre ele a luz! Contaminem-no as trevas e a sombra da morte; habitem sobre ele nuvens; negros vapores do dia o espantem! A escuridão tome aquela noite, e não se goze entre os dias do ano, e não entre no número do meses! Ah! Que solitária seja aquela noite e suave música não entre nela! Amaldioem-na aqueles que amaldiçoam o dia, que estão prontos para fazer correr o seu pranto.”

Quer dizer, ele estava dizendo que o dia em que ele nasceu era tudo isso. Ele queria não ter nascido. Às vezes as pessoas dizem: “Fulano vai se arrepender de ter nascido!” Era exatamente isso o que estava acontecendo aqui. Jó não queria ter nascido. Ele queria ter sido um aborto. No verso 16 do capítulo 3 diz: “Ou, como aborto oculto, não existiria: como as crianças que nunca viram a luz. Ali os maus cessam de perturbar, e ali repousam os cansados. Ali os presos juntamente repousam e não ouvem a voz do exator. Ali está o pequeno e o grande, e o servo fica livre de seu senhor. Porque se dá luz ao miserável, e vida aos amargurados de ânimo, que esperam a morte, e ela não vem; e cavam em procura dela mais do que de tesouros ocultos.”

Ele achava que a morte era o único objetivo, era a única solução pro problema dele, para aquilo que ele estava sentido e que estava passando. Isso é depressão! Por isso que eu digo que Jó teve ‘a mãe’ de todas as depressões. Foi uma ‘bela’ de uma depressão! E ele vai espraguejando, e reclamando, e se lamentando e se auto-vitimando e se auto-depreciando. E quando chega lá no final, o capítulo 42 se inicia dizendo: “Então respondeu Jó ao Senhor, e disse: Bem sei eu que tudo podes, e que nenhum dos teus pensamentos pode ser impedido. Quem é aquele, dizes tu, que sem conhecimento encobre o conselho? Por isso, falei do que não entendia; coisas que para mim eram maravilhosíssimas, e que eu não compreendia. Escuta-me, pois, e eu falarei; eu te perguntarei, e tu ensina-me. Com o ouvir dos meus ouvidos, ouvi, mas agora te veem os meus olhos. Por isso me abomino e me arrependo no pó e na cinza.”

Ele estava tendo uma atitude de humilhação diante de Deus, reconhecendo que tudo o que ele passou foi pra que ele pudesse enxergar Deus realmente como Ele era, e ver que Deus pode todas as coisas. E ver que Deus é um Deus que deixa a doença vir pra poder curar. Pra que a pessoa que foi doente e curada possa dar graças a Deus. Se não houvesse a doença não haveria cura e, consequentemente, não haveria o “Graças a Deus!”. É um verso muito bonito, esse 5º do capítulo 42. Em outras versões fala um pouco diferente mas na minha diz: “Com o ouvir dos meus ouvidos, ouvi, mas agora te veem os meus olhos.” Em outras versões diz: “Eu te conhecia Senhor, por ouvir falar. Mas agora os meus olhos te veem!”

Então Deus tirou Jó da depressão, da dificuldade financeira. Deus retribuiu a Jó o dobro do que ele tinha de posses, de saúde, e ele teve mais filhos. Com certeza os filhos que morreram ficaram no coração dele. Ele superou, mas com certeza ele tinha tristeza porque eram filhos dele. Mas ele teve outros filhos (que não substituíram os que morreram). Mas uma coisa é interessante: que a Bíblia diz que Deus abençoou o último estado de Jó mais do que o primeiro. E ele teve 3 filhas que a Bíblia diz que em toda a terra não havia mulheres tão belas, tão lindas, como as filhas de Jó.

Então, é um livro que mostra depressão na Bíblia, mostra estado depressivo, uma doença depressiva. Então, ninguém pode julgar os outros e dizer que a pessoa está com frescura, e dizer que a pessoa tem falta de Deus. O próprio Deus disse que Jó era um homem correto diante dEle. Não tinha ‘falta de Deus’. Deus permitiu o sofrimento por um propósito específico que Deus tinha. E é isso que as pessoas tem que ter em mente: nem sempre é castigo, nem sempre é falta de Deus. Muitas vezes é doença, muitas vezes é provação, pra fazer uma pessoa depender de Deus e pra fazer uma pessoa dar graças a Deus no final de tudo, com toda a sinceridade do coração.

Referências para conferir: Jó 1:8- 22; Jó 2: 1-8; Jó 2:11-13;  Jó 3: 1-8; Jó 3:16-21; Jó 42: 1-6; Jó 42: 12-15.

}ï{