Como eu uso drogas diariamente

Gravei esse videozinho em 26/04/12 pra mostrar meus monstrinhos de estimação. Aqueles que fazem minha manhã começar tarde. Aqueles que eu odeio e amo ao mesmo tempo. Eu estava um tanto deprimida porque, como sempre, juntei um monte de coisinhas e coloquei aqui dentro e virou uma coisona. Bom, sempre me perguntei porque que a maioria dos “transtornados”, incluindo euzinha, tem tanta dificuldade em tomar remédios. Tenho um primo que sofre de TOC, mas tem mania de perseguição (é meio esquizóide). Quando ele fica atacado ele nem quer comer em casa, porque acha que colocaram remédio na comida. Se alguém souber, com certeza, porque é tão penoso tomar a medicação (especialmente a da noite, no meu caso) me diga. Às vezes preciso ter um ataque e dar uma boa chorada antes de tomar os troços e ir dormir. Não que eu queira, só acontece!

São só comprimidos que precisam ser engolidos com água. Cadê a dificuldade nisso? Talvez a dificuldade seja perceber que se está dependente de algo para ter o mínimo de saúde. Talvez os comprimidos representem a saúde que foi perdida. Talvez os remédios não sejam meu problema, talvez seja o ato de dormir mesmo. E alguns deles me botam pra dormir. Talvez os comprimidos sejam como monstrinhos. Cada uma daquelas carinhas redondas, ovais, marcadas ou lisas está sempre cuspindo na minha cara.

Cada um dos comprimidos cospe na minha cara e diz: “Ei, sua inútil! Agora você precisa de mim também. Não é mais só comida não, minha filha!” ou então “Teus amigos não precisam tomar remédio todo dia e você precisa, feito uma inválida, inútil, doente!” Ou ainda “Sua irmã mais nova pode dormir mais tarde que você e você, feito uma velha ou um bebê, precisa estar na cama mais cedo!” Acabou a farra!

Às vezes eu engulo cada um deles com raiva só de saber o efeito esperado e o colateral. Cada leva de caixas que chega é o alívio e o sofrimento ao mesmo tempo. Não quero depender de rémedios porque talvez eles representem vulnerabilidade. Era vulnerável na infância, quando não tinha como me proteger, como me defender, como me cuidar. Mas sou adulta agora e desenvolvi armaduras pra me proteger de todas as pessoas, de cada uma de um jeito diferente. Porque cada pessoa é diferente e cada uma precisa de um olhar diferenciado. As pessoas são únicas, e isso é belo, mas não sei quem vai me fazer mal, por isso tento não desarmar.

Apesar de belas nas suas diferenças as pessoas são más na sua natureza, inclusive eu (que vez ou outra também faço mal aos outros e tenho vontade de me matar quando isso acontece). Mas consigo ser leal se eu estiver protegida. Não posso ser vulnerável, não posso! Eu era. Preciso me cuidar sozinha, porque ninguém vai aparecer do nada pra me tirar seja lá de qual buraco for. Ninguém nunca aparecia e eu tive que aprender sozinha. Não confie totalmente nas pessoas! Não se abra demais porque podem abusar da confiança. Remédios demonstram que eu não posso mais me cuidar sozinha. Demonstram que se eu ficar sem eles eu fico vulnerável. Com eles eu já fico, imagine sem!

E se eu falar em proteção e cuidado que possam faltar, e me obrigar a me virar só, é lógico que não falo do cuidado e proteção de Deus. A vulnerabilidade é no nível físico-emocional. Deus tem seus propósitos e foi o único que nunca tirou os olhos de mim, desde que eu era um zigoto. Até antes disso. Eu sei que ainda estou dizendo todo dia “O Senhor deu, O Senhor tomou. Bendito seja O nome dO Senhor“, enquanto a minha vida se arrasta, se atrasa e atrapalha a vida alheia. Mas, mesmo em momentos de violência incontrolável (sim, eu sou o Hulk às vezes), choro doentio, com direito a prostração matinal, eu sei que Seus olhos ainda me veem e cuidam, e protegem meu espírito.

E eu vou tomando remédios que cospem na minha cara, enquanto não chegar o dia do refrigério quando eu vou dizer “Eu Te conhecia de ouvir falar, agora os meus olhos Te veem“. E eu sei que esse dia pode chegar como chegou pra Jó que, não por acaso, teve ‘a mãe’ de todas as crises depressivas e Deus lhe recobrou a saúde mental mesmo assim. Se a depressão de Jó estava ao alcance da cura de Deus, certamente minha doença maníaco-depressiva também está. Mas sei que é somente se o propósito for a cura. Se for, bem! Se não for, Amém!  (Jó 1:21b; Jó 42:5).

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Sobre a dona do blog

Pecadora redimida por Aquele que morreu na cruz e ressurgiu. "Pois ele conhece a nossa estrutura; lembra-se de que somos pó." Salmos 103:14
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