Armadura sem graça

armadura femininaO estresse devido a minha reatividade a dados ambientes é guardado e se manifesta da pior maneira possível na minha saúde física e mental. Ambientes com tumulto (leia-se mais de 3 pessoas além de mim), ou com latente falsidade e/ou hostilidade me causam desconforto emocional, mas me esforço para me conter e me encaixar em favor das convenções sociais. Pra isso preciso vestir a armadura da sociabilidade. Mas ela adquire vontade própria, tenta tomar o controle e acaba sendo inapropriada em público muitas vezes. A luta se trava entre eu (incomodada com a ideia de não incomodar ninguém e com vontade de me isolar ou sair correndo) e a armadura da sociabilidade (rindo, brincando e sendo ‘simpática’ com todos). Minha ideia incômoda acaba se realizando e a brincadeira de cabo-de-guerra entre eu e a armadura causa estresse e acaba em irritabilidade, patada ou coice em alguém sem querer, piadas sem graça, comentários idem. Chegando em casa o que resta é desparafusar a dita cuja pra respirar aliviada, colocar remédio nas feridas que ela me causou e depois sentir queimar na pele das minhas costas o falatório (que eu sempre fico sabendo depois): – Você viu o que ela fez? Vocês ouviram o que ela disse? Que coisa deselegante! Que atitude carnal! Que feio! Ela gosta de aparecer! Que coisa mais sem graça! É, também acho que não tem a menor graça. Quando a armadura precisa ser vestida não é pra ser engraçado e os machucados não são só detalhe. Mas se eu não a vestisse os machucados mais feios seriam nos outros e não em mim. E quem se importa com o que tem debaixo da armadura?

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Sobre a dona do blog

Pecadora redimida por Aquele que morreu na cruz e ressurgiu. "Pois ele conhece a nossa estrutura; lembra-se de que somos pó." Salmos 103:14
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4 respostas para Armadura sem graça

  1. em relação àquele texto este tem um diferença que me saltou, no problema de elias você apresentou também uma solução, uma alternativa de convivencia com a problematica, isso me foi importante. neste texto não tem isso, está tambem muito bem escrito, e revela um situção, mas ao contrário daquele, este não insufla a esperança, não que isso seja um defeito, pode ser que que voce não tenha tido esse objetivo, de qualquer modo, o verde é muito bonito. abraços desde aqui desta acolhedora cidade, imperatriz-maranhão…

    • Lola disse:

      Obrigada pela visita Sebastião! Na verdade não é nem pra dar uma solução ou esperança ou algo assim. Muitos textos meus não tem objetivo específico. Eu só sinto, penso ou lembro de algo e vou escrevendo, a coisa vai saindo, sem planejar palavras nem nada. Às vezes depende do momento. Simplesmente acontece. Esse é mais um relato/desabafo do que acontece em certos momentos. Algumas coisas que tenho que fazer para conviver em comunidade. Espero que tenha acendido a luz aí rs. Abraços!

  2. claro, e já dançamos não sentes? e eu mesmo tenho peito para duas… é que também não ando sozinho, e ainda bem que encontrei duas flores que trago a ti. tchau, boa noite, fica com Deus.

    • Lola disse:

      Parafraseando Clodomir Monteiro (meu falecido mestre de antropologia): ‘O barco de quem te decifrar, do outro lado navega!’Obrigada pela audiência meu colega de mente marulhosa. Fica com Deus!

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