Lucubrações

Conhecimento de causa

“Após três tentativas de suicídio, diversos surtos psicóticos em que eu rosnava como um animal, uma internação, e cutting, consegui encontrar meu equilíbrio. Arranjei a companhia que me deixava bem, não importava o que acontecesse, eu sempre estava bem. Bastava procurá-la nos momentos difíceis, e ela me consolava e ao mesmo tempo me consumia. A ilusão da felicidade me pareceu real o suficiente, e fiquei feliz, afinal consegui até me livrar do cutting graças à ela. Mas ela foi e sempre será desleal. Me fez precisar dela cada vez mais e mais, me iludiu, perdeu o efeito e agora mesmo eu estando com ela as coisas voltaram à ser como antes, aliás, pior, porque agora ela é mais um problema que tenho pela frente. Droga, seja qual for, não passa de ilusão, de fuga, e não é possível fugir para sempre, um dia a realidade te alcança, cedo ou tarde ela te alcança.” Relato de Odirlei Prado Macedo.

monstroExperiência própria não se discute. Segundo os dados estatísticos da Previdência Social colhidos pela Dra. Maria Cristina Palhares Machado, no ano de 2011 o abuso de álcool e outras drogas foi a terceira maior causa de afastamentos dos serviços laborais no Brasil. Esses tempos pude presenciar um parente com problemas para deixar a bebida e sofrendo de depressão em decorrência do vício. Dependência química causa tanto sofrimento quanto qualquer doença. Chega devagar e vai ganhando espaço, quando a pessoa percebe já foi engolida. Às vezes nem dá tempo de perceber. Não despreze um dependente químico, ajude como puder. Para saber os padrões de uso colocados pelo Ministério da Justiça é só clicar http://goo.gl/5EpZb.

“Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar.” I Coríntios 10:13

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Lucubrações

Suprimento

lírios“Mais é a vida do que o sustento, e o corpo mais do que as vestes. Considerai os corvos, que nem semeiam, nem segam, nem têm despensa nem celeiro, e Deus os alimenta; quanto mais valeis vós do que as aves? E qual de vós, sendo solícito, pode acrescentar um côvado à sua estatura? Pois, se nem ainda podeis as coisas mínimas, por que estais ansiosos pelas outras? Considerai os lírios, como eles crescem; não trabalham, nem fiam; e digo-vos que nem ainda Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como um deles. E, se Deus assim veste a erva que hoje está no campo e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós, homens de pouca fé? Não pergunteis, pois, que haveis de comer, ou que haveis de beber, e não andeis inquietos. Porque as nações do mundo buscam todas essas coisas; mas vosso Pai sabe que precisais delas. Buscai antes o reino de Deus, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.” Lucas 12: 23-31

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Lucubrações

A ‘não-cura’ também é plena

felicidade

Cura é estado de plenitude ou satisfação total. Não estar curado não quer dizer que não se esteja curado. Não curado em algo não significa não curado em nada. Não estar curado em algo não quer dizer que a plenitude da cura não esteja presente em outro algo. Às vezes uma área da vida curada já é suficiente para curar uma vida inteira.

“Eis que eu trarei a ela saúde e cura, e os sararei, e lhes manifestarei abundância de paz e de verdade.” Jeremias 33:6

“E, sabendo-o a multidão, o seguiu; e ele os recebeu, e falava-lhes do reino de Deus, e sarava os que necessitavam de cura.” Lucas 9:11

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Lucubrações, Vídeos diversos

Exemplo de fé

Essa moça é bem conhecida por aqui por ser um exemplo de fé e de superação. Ela faleceu dia 05 de Maio de 2013. Embora tenha levado a saúde do corpo não foi a doença que venceu a guerra. O crente em Jesus vai para guerra sabendo que a vitória já é sua por meio dAquele que nos amou primeiro. E também não se importa com a morte física pois, apesar desta vida valer a pena se for vivida para Deus, o espírito está nas mãos do Senhor para Ele fazer o que lhe aprouver, até mesmo tomar de volta para Si. O que pareceu desgraça, foi usado por Deus para glorificar Seu nome. O que pareceu derrota fez o amor Cristo ser reconhecido em uma vida. Não somos fortes. Adoecemos, nos desesperamos, nos entristecemos, somos pó. Mas Deus nos faz fortes o suficiente para suportar as mazelas e servos o suficiente para creditar cada vitória a Deus. Não tenho dúvida de que essa moça, Susiane Balestieri, superou a doença e teve a vitória em todas as suas formas. Para um salvo em Jesus Cristo a morte física não é derrota, não é o fim. É o começo de uma infindável e perfeita adoração ao Senhor. A morte de um servo de Deus não é nada além de uma passagem só de ida para uma eternidade de regozijo. Essa moça não perdeu a luta. Ela foi para o casa receber sua coroa.

“Preciosa é à vista do Senhor a morte dos seus santos.” Salmos 116:15

“Por isso sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco então sou forte.” II Coríntios 12:10

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Confissões

Levando o bicho pra passear

Essa semana deixei minha moto na oficina e fui à faculdade caminhando pois ficava perto de onde eu estava. Saí da aula e senti disposição pra voltar pra casa a pé. Longe que só! Era tarde e fazia um calor da moléstia. Mas eu penso demais e a caminhada me deu tempo pra ir lembrando de um monte de coisas. Lembrei do meu bichinho de estimação e decidi que iria caminhar com ele um pouco. Lembrei da vez em que fiz uma viagem com um grupo. Durante um passeio alguém fez uma brincadeira boba. Eu comecei a gritar e quase virei a mesa da lanchonete em um shopping de Brasília. Eu tinha 17 anos. Fiz vergonha a todo mundo e passei o resto do dia emburrada, ouvindo indiretas e piadinhas dos amigos e me sentindo um lixo, a ridícula do grupo.

filhote bravoLembrei de quando eu tinha uns 6 ou 7 anos e um primo meu fez uma geringonça com mangueirinhas e uma pequena caixa d’água presa ao caule de um pé de manga pra eu brincar. Não lembro o que causou minha ira na hora mas lembro que eu destruí tudo aos prantos, arrebentei as mangueirinhas, quebrei a caixinha d’água de plástico, mordi tudo com uma fúria desenfreada, dessas de quando a gente acaba com tudo e cai no chão ou sai correndo (já tive várias). O bichinho era novo mas já mostrava os dentes e sofria (roía as unhas até sangrar, chorava toda noite e tinha bruxismo). Pouco tempo depois eu entendi a relação de dependência e hostilidade que tinha com o tal primo e com outras figuras. Quem sabe isso um dia saia da memória pra fora, ou se perca da memória pra dentro.

Lembrei de uma situação ainda no ano passado, quando eu fui ao pronto atendimento pois estava com dor por ter acabado de expelir o cálculo renal. Minha mãe foi lá mas, como não gosta de hospitais, não queria que eu permanecesse até a dor passar. Queria ir embora e tentou me convencer de que eu não precisava ficar lá, mesmo com dor. Elevei a voz além da conta para um local como aquele. Saí rápido e esbarrei no suporte do soro, juntei do chão e passei pela porta como um vento. Não esperei liberação do médico e a essa altura nem liguei pra dor. Subi na moto, fugi pra casa e me tranquei com o bicho no quarto. Quis chorar mas não chorei. Quis gritar mas não gritei. Quis ficar com raiva mas não fiquei. Tinha que segurar o bicho na marra. Sofri mas segurei.

Lembrei de uma vez em que combinamos de ir à uma praça para lanchar depois do culto dos jovens e eu percebi que o pneu da minha moto estava murcho. Daí perguntei onde exatamente a turma iria e avisei a todos que os encontraria lá depois, pois precisava ir à borracharia arrumar o pneu. Saí da borracharia em questão de 10 minutos e fui diretoRottweiler triste aonde todos disseram que estariam, pedi meu tacacá e fiquei procurando todo mundo. Não vi ninguém e decidi telefonar pra um amigo. Ele disse que tinham ido a outro lugar.

Não lembraram que eu estava junto, mudaram de planos e não estavam sentindo minha falta, pois ninguém me telefonou avisando da mudança de planos. Fui ao lugar onde estavam e entrei fazendo brincadeiras bobas como puxar a orelha de um ou de outro por terem me esquecido. “Ai, para com essa brincadeira!” Ninguém me pediu desculpa e eu, como sempre, paguei de chata. Conversei, ri e brinquei com as pessoas das quais sentia que dependia tanto. Queria ficar lá grudada em todo mundo, mesmo que ninguém sentisse minha falta, por que eu sempre tive a mania feia de mendigar amizade e presença. Foi cada um pra sua casa. Eu cheguei na minha, me tranquei no quarto e chorei a noite toda com a sensação de não ser amada, sensação de abandono. Isso foi em 2008.

Lembrei de uma vez em que fomos à um aniversário de congregação, em 2007. Viagem de ônibus que durou a noite inteira. Não era pra esperar boa coisa de quem estava com o joelho ferido de um acidente de moto recente, com baixa resistência ao estresse e que teve que passar a noite sem dormir direito. Depois do café da manhã eu estava com corpo e mente esgotados, louca pra tomar um banho e deitar em algum canto pra descansar. Decidiram ir à um balneário e eu disse que seria melhor irmos cão bravopra nossas acomodações pra descansarmos, pois o coral iria se apresentar à noite. Uma irmã muito querida se impacientou comigo: – Ai, por que tu é assim? Deixa de ser desse jeito! A gente tá aqui pra se divertir, nós somos jovens!

Uma fogueira se acendeu instantaneamente dentro de mim. Eu abri um sorriso e disse em tom de bom humor: – Jovens também se cansam e precisam tomar um banho e se deitar com os pés pra cima. Deus me ajude, mas na minha mente eu só me vi indo até a mesa de café da manhã, pegando a faca de cortar pão e rasgando o pescoço da moça de um lado ao outro pra ver o sangue jorrar. Pedi a Deus ajuda pra rebater esse pensamento maligno. Passei o resto do dia no balneário, gastando energia que não tinha e  tentando ser normal. Não guardei mágoa da moça que me criticou. Ela não sabia o que se passava comigo. Agradeci muito por ter um Deus piedoso na minha vida pra me ajudar a conter a impulssividade quando ela quer ganhar um terreno onde eu não conseguiria controlar. No fim desse dia achei graça ao ver um monte de gente reclamando que não deveríamos ter ido ao balneário, pois estavam todos muito exaustos.

sad puppyLembrei de muito mais coisa durante a caminhada! Lembrei da situação que já contei aqui e da situação que contei aqui. Lembrei dos sentimentos de várias situações. Não lembrei de tudo, mas lembrei de quando sentia aquela gastura roendo no estômago, aquele mal estar de escuridão que me engolia, o sofrimento sufocante por coisas corriqueiras, a fúria que me transpassava e se tornava maior que eu, a vontade de virar mesas e quebrar coisas que se concretizou algumas vezes, a vontade de cair matando em cima de alguém (que graças a Deus nunca se concretizou), a vontade de arrebentar a minha cabeça na parede, a vontade de me morder, de me arranhar, de me machucar, de gritar, de quebrar tudo pela frente, de arrancar os cabelos, de me jogar na frente do primeiro caminhão que eu visse, de chorar até cair dura, de arrancar a alma com as próprias mãos e jogar fora pra ela doer longe de mim.

Lembrei que isso tudo e muito mais vem de um certo tipo de bicho que eu sempre fiz força pra esconder dos outros, pra ninguém ouvir nem sequer um grunido. Às vezes não dá, mas o que os outros sabem dele não é nada perto daquilo que esse bicho realmente é. Lembrei que esse bicho tem um nome pelo qual rottweiler mansoeu não preciso mais chamá-lo, só preciso da corrente bem firme nas mãos. Lembrei que isso não deve me dominar pois sou eu que carrego isso, não é isso que me carrega. Lembrei que eu posso controlar o bicho na marra e se não conseguir não vou me importar de morrer tentando. Lembrei que é um bicho bravo mas não é o cão de três cabeças da mitologia. Só preciso de uma única coleira. Quando escapar das minhas mãos eu sei que posso contar com meu Senhor para segurar ou para me devolver o controle e fazer minhas mãos fortes o bastante para conseguir conter. Acho que nem sempre os meus bichos conhecidos estarão sob controle (quem sabe o amanhã?), mas pelo menos um desses bichos eu já estou aprendendo a adestrar. Minha caminhada com esse bichinho não acabou, mas se tornou mais tranquila.

“Irai-vos, e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira.” Efésios 4:26

“Assim me embruteci, e nada sabia; fiquei como um animal perante ti.” Salmos 73:22

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Confissões

Fazendo as pazes com os monstrinhos

Onde vivem os monstros? Às vezes na nossa cabeça. Alguns monstros nem sempre são inimigos, às vezes são aliados. E às vezes demora pra sentir que eles não são os inimigos reais. Mas nunca é tarde demais para levantar a bandeira branca.

Música: Igloo by Karen O and the Kids. (Tema do filme Onde Vivem os Monstros).

“Mas para vós, os que temeis o meu nome, nascerá o sol da justiça, e cura trará nas suas asas; e saireis e saltareis como bezerros da estrebaria.” Malaquias 4:2

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