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O homem no buraco

“Seja conhecido de vós todos, e de todo o povo de Israel, que em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, aquele a quem vós crucificastes e a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, em nome desse é que este está são diante de vós. Ele é a pedra que foi rejeitada por vós, os edificadores, a qual foi posta por cabeça de esquina. E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos.” Atos 4:10-12.

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Confissões, Vídeos diversos

Curiosidade sobre possibilidades

Na minha última consulta o psiquiatra levantou uma possibilidade. Essa possibilidade me deixou com o carrapato atrás da orelha, por que pulga pula e vai embora, já o carrapato  fica grudado incomodando. Não que eu dê mais tanta importância às nomenclaturas, afinal em psiquiatria tudo é complicado, tudo é misturado, tudo é difícil, tudo é demorado e como diria meu médico: “A resposta terapêutica é o mais importante”. Nem tudo é exato quando se fala de saúde mental. O que se chamava Doença (ou Psicose) Maníaco-Depressiva pode passar a se chamar pelo banalizado, mal empregado e chacoteado nome de Transtorno Afetivo do Humor Bipolar.

Garanto do fundo dos meus rins que não preciso de letreiro na testa. Sinto muito pelos que passam a vida todinha se rotulando, mas compreendo que é por que o ser humano acha que necessita se identificar com algo pra que sua vida tenha sentido. O homem quer um lugar pra chamar de lar, quer se encaixar em algum grupo, quer uma tarja na testa que comprove que ele pertence a algum lugar. Alguns entendem cedo que isso não é vital, outros passam a vida colando etiquetas diferentes na barriga. Daqui a pouco não sabem mais quem são nem qual é seu lugar. Compreendo, mas sinto muito.

Enfim, diagnósticos às vezes geram etiquetas indevidamente e nem sempre é culpa do médico. Às vezes um diagnóstico se fecha com certeza, às vezes se fecha mas fica uma duvidazinha ou por parte do paciente, ou do médico ou dos dois. Às vezes a pessoa passa a vida inteira tratando algo mas depois se percebe que esse algo era outro algo, mesmo assim o tratamento deu certo a vida inteira. Cada pessoa reage de uma maneira aos diversos tratamentos que existem. Tem gente que toma medicação e não melhora, e tem gente que melhora com remédios (tipo eu). Tem gente que melhora fazendo psicoterapia e tem gente pra quem isso não influi nem contribui (tipo eu). Tem gente que gosta de acupuntura e atividade física como tratamento complementar (euzinha), tem gente que faz massoterapia (eu), tem gente que toma chá relaxante, tem gente que só toma seu Rivotril durante 6  meses e resolve o problema, tem gente que melhora do nada. Cada organismo é único e o perfume que cheira em nós pode feder nos outros.

O nome das desordens de saúde, as meramente físicas ou as mentais, só são importantes até que se encontre o tratamento adequado, aquilo que se encaixaria melhor em cada caso. Pensando com a razão e não com a curiosidade, entendo que é pra isso que serve o diagnóstico. Meu médico sempre trabalhou nessa linha: priorizar o tratamento pra seja lá o que isso for, mas sem bater muito na tecla do nome disso. O problema é que eu sou muito curiosa, muito mesmo! Um cricri. E toda vez que eu encho o saco do meu psiquiatra perguntando o que é isso e o que é aquilo, o que pode ser tal ou tal sintoma, ele sempre me diz as possibilidades. Ele sabe que eu não vou ficar quieta se ele não me disser.

Bom, existe um tipo de personalidade explosiva, que quando sai do controle e se torna doentia passa a se chamar Transtorno Explosivo Intermitente. Existe também um tipo de personalidade extremamente sensível (tanto pra se entristecer quanto pra se irritar), que quando sai do controle e se torna doentia passa a se chamar Transtorno da Personalidade Limítrofe ou Borderline. O TEI e o TPB são frequentemente confundidos e muitos profissionais demoram pra ter certeza. Muitas vezes até depois de bater martelo pode ser que o médico ou psicólogo perceba sintomas novos, sintomas que passaram batido, ou pode ser que haja relato de sintomas antigos já tratados.

Meu psiquiatra levantou a possibilidade de ter havido uma confusão e já me prometeu mais um de seus questionários, que eu certamente vou cobrar por que simplesmente não posso com a minha curiosidade. Mas quer saber? No fundo eu acho que não deve ser nada além do que já é. Todas as fraquezas humanas causam sofrimento, tanto faz o nome da dor, tudo é dor. Estou tratando, está dando certo e isso me basta. Independente do que seja e apesar da minha curiosidade, o nome continuará sendo desimportante na minha vida. Eu já tenho um selo bem definido e não preciso ficar trocando. O único rótulo que eu sei que vale muito a pena carregar em lugar visível é o de filha e serva de Deus. Mas neste caso, o rótulo só tem valor se Jesus estiver realmente preenchendo o interior. De outra forma será só mais um rótulo que não informa nada além do grande vazio que há por dentro.

“E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo.” II Coríntios 12:9

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Confissões, Lucubrações, Vlogs

Contatos imediatos

É próprio do ser humano procurar seus semelhantes. E é próprio do ser humano se entristecer quando percebe que não há tantos semelhantes assim. Se sentir um ET, procurar contato e não encontrar é bem desgastante emocionalmente. Mas é próprio do ser humano se alegrar ao encontrar alguns que sentem igual e que vivem situações parecidas. Deus nos criou com uma necessidade vital de nos sociabilizarmos, e é essa necessidade que nos faz procurar uns pelos outros. Chamo a interação com os que são mais iguais do que diferentes de compartilhamento, e a interação com os que são mais diferentes do que iguais de troca. Tanto o compartilhar quanto o trocar são essenciais para a vivência humana. Mas pelo fato de o contato com o diferente ainda ser o mais desafiador, apesar de ser o mais enriquecedor a meu ver, é que procuramos com mais frequência os que nos são semelhantes. E o compartilhamento das mazelas me parece ser mais almejado que o compartilhamento das bênçãos. Acho que a essência humana explica. Nossa natureza fragilizada, necessitada e carente de atenção, nos empurra muito mais no sentido de procurar a princípio quem entenda nossas fraquezas, do que no sentido de procurar quem compartilhe de nossas bem-aventuranças em primeiro lugar. Mas eu sinto que quando a derrota do outro é semelhante a nossa, a alegria pela vitória deste é como se fosse a alegria pela nossa própria vitória. É a empatia da desventura seguida da empatia da bonança.

Quando a graça é derramada na vida do outro, a esperança de que a nossa desgraça se desfaça também se torna mais tangível. Muitas vezes temos vergonha de compartilhar algumas dores por acharmos que ninguém vai entender. E realmente os que são mais diferentes do que iguais não vão entender direito nossos males. Mas quando alguém que é mais igual do que diferente dá o primeiro passo e expõe suas dores, é comum os demais perderem o constrangimento e começarem a expor suas dores também. Compartilhar da dor de alguém nos deixa alegres quando a cura ou a melhora se fazem na vida dessa pessoa. Só tenho a agradecer a Deus, pois poder compartilhar de derrotas e vitórias alheias tem me ajudado a sentir de maneira mais forte que há a possibilidade de vencer e que é vital o exercício da solidariedade. Pra mim é como aquela história de ter que colocar a minha dor no bolso pra dar atenção a dor do outro.  Várias vezes eu notei que as pessoas só precisam de um pouco de atenção, de alguém que leia sua história ou que ouça, de alguém que se interesse pelo seu sofrimento e que peça notícias de vez em quando. O ser humano de modo geral é carente mas é egoísta, e talvez a carência e o egoísmo estejam de mãos dadas. Cada um só quer falar de si mas poucos dispensam um tempo maior a ouvir os outros. Isso vai adoecendo todo mundo junto. Eu me incluo no grupo dos que precisam ser ouvidos (mesmo não assumindo) e só tenho cada vez mais certeza de que um dos piores males do ser humano é esse: não ser ouvido. Deus sabe tanto disso que inventou a oração. E definitivamente, eu jamais conseguiria ser sem vergonha o suficiente para aceitar ou dar atenção se não fosse esse Deus Maravilhoso na minha vida. Que Ele me ajude a dar mais e precisar de menos.

Música: Lord of Lords (Hillsong/Brooke Fraser).

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