Exposição

exposição

Recebi um comentário em um vídeo e decidi que merecia um post. Na verdade o comentário foi mais uma interpelação que acabou me trazendo à lembrança algumas coisas sobre esse feedback que eu recebo por conta de vídeos e textos. Se expor pode ser fácil ou difícil para a mesma pessoa dependendo da fase e das circunstâncias da vida. Exposição exclusivamente para o ridículo, para a vergonha, para o mal testemunho é tão péssimo e indigno quanto para o exibicionismo narcisista e vaidoso. Mas quando a exposição traz benefícios seja para quem se expõe, seja para quem observa, não deve ser vista como um fim de mundo. Durante todo esse tempo em que compartilho minha fé, minhas crises, melhoras, vitórias, recaídas, reclamações, certezas e sandices, poucas foram as manifestações negativas com relação a minha exposição.

Repreensão indevida eu recebi de um ente que se doeu com as verdades declaradas por mim e tomou as carapuças para si. Para o tal eu peço a Deus misericórdia, pois me fez muito mal e eu sofro sequelas até hoje. Mal estar eu constatei em indivíduos que, desconhecendo minha pessoa e minhas circunstâncias, se escandalizaram no que não é escândalo e isso não foi justo. Desavença eu tive com alguém que amo mas que vive em uma bolha protegida, alheia à esta realidade, e que se precipitou em julgar o que não conhece. E como julgou mal!

Parvoíce eu presenciei em alguém que, ao ler e assistir o que exponho, me veio com tão preciosa pérola que mereceu até postagem. Teve um que criou o endereço de e-mail  com o nome de usuário “vaisefudercrenteescrota” só pra comentar aqui no blog me chamando de alienada. E digo que criou só pra comentar porque me recuso a crer que o ser humano use mesmo esse endereço de e-mail em outras situações. Outro me recomendou usar maconha pra melhorar do THB e tanto eu não gosto da ideia como acho que poderia influenciar quem lesse seu relato. Um outro me disse pornografia, mas canal de Youtube desprovido de comentários sem noção é difícil de ver. Uma pessoa se deu ao trabalho de logar só pra comentar que eu não sei segurar uma câmera. Ô novidade! Descobriu o Brasil!

Enfim, os raros comentários que subtraem qualquer saúde que a publicação possa ter e que não contribuem em nada são descartados na sua maioria. Além dos que citei não lembro de mais. As críticas construtivas e/ou úteis para um debate permanecem.  Os que entram em contato me pedindo dica, orientação, sugestão ou só querendo desabafar eu vejo como bênçãos de Deus. São oportunidades pra dar um pouco de atenção e compartilhar experiências com quem muitas vezes está cercado de hostilidade e incompreensão. Essas pessoas somam na minha vida, compartilham suas dores e também me ajudam sem perceber. Consegui fazer amigos, mostrar e receber esperança, compartilhar um pouco da minha fé e até dar uns puxões de orelha em quem admite não querer nada com a vida, mas usa uma doença como escudo. Das pessoas que comentam, mandam mensagem particular e procuram interagir mais fora do espaço do blog e do canal, a maioria esmagadora é de gente que sofre com males da mente ou convive com quem sofre. E é um povo que em geral se sente muito só. E eu sei bem como é.

Eis o comentário que me inspirou a este post e trechos de outro exatamente como foram colocados:

Me desculpe,mas por que vc faz estes videos?Ñ acha q se expõe demais ou a intenção é essa? Busque dentro de vc as respostas,fora ñ vai encontrar.Acompanho seus videos por causa dessa dúvida. Qual a necessidade de mostrar sua doença publicamente? E como vc consegue fazer os videos em plena crise?” “continuo achando curioso o meio q escolheu pra fazê- lo,afinal podia escrever descrevendo as crises,a doença…Fico imaginando como encontra condições de fazer esses videos mesmo nos piores momentos.Noto um componente exibicionista, narcisico,talvez inconsciente,entenda q ñ estou diminuindo a dor do quadro.”

E eis minha resposta:

Sim, eu acho que é exposição demais e eu não me sinto muito confortável com vídeos, por incrível que pareça. Note que, como eu, há milhões de pessoas ao redor do mundo que compartilham das maiores alegrias às mais difíceis tragédias pessoais na internet. Cada um tem suas intenções e a minha não é chamar atenção para minha pessoa ou fazer sucesso, se é isso que você quer saber.

Não, eu não estou compartilhando minhas crises e melhoras para buscar respostas para minha condição. E não creio que haja respostas nem dentro de mim, nem nas circunstâncias exteriores, nem em qualquer pessoa. Pois, para mim, Deus é resposta, início e fim de todas as coisas, e Ele tem propósitos que nem sempre entendemos. Não sei se você já leu todo o meu blog e/ou viu todos os meus vídeos. Os primeiros registros que fiz em vídeo e texto eram diários de desabafos. Porém, com a intenção de fazer contato com outros que sofrem dos mesmos males de saúde que eu, decidi publicá-los e dar a cara pra bater e isso foi muito difícil, acredite!

As pessoas ignorantes sobre o assunto “Transtornos Mentais” advogam que este tipo de problema humano deve ser escondido da sociedade e quem tem não deve trazer a público nunca, nem sequer no meio familiar, no meio profissional ou no círculo de amizades. Afinal, quem quer ser chamado de ‘doido’, não é mesmo?! Todos querem ser “normais”. Logo, revelar publicamente que se tem uma desordem mental é inadmissível aos olhos das pessoas mais alienadas ao assunto. Por causa desta alienação e ignorância acerca de desordens mentais é que existe um estigma difícil de quebrar. Cada um pode fazer sua parte no sentido de conscientizar a sociedade. O meio que me apareceu foi esse. Ninguém pode me julgar por isso, pois ninguém é igual. O que serve pra mim não serve para o outro e vice-versa.

Sobre fazer gravações durante as crises, creia que certamente você não viu nenhum registro em vídeo que eu tenha feito nos piores momentos, nas crises mais fortes. Em todas as gravações eu tenho alguma noção de realidade e algum senso de direção, espaço, tempo e cuidado. Nenhum vídeo, mas nenhum mesmo, foi gravado em momentos realmente ruins. Isto dá condições de fazer diários audiovisuais que, depois de um tempo, eu decido se posto ou não. Muitos vídeos não foram publicados pois não iria contribuir em nada.

Interessante é que profissionais da área da saúde mental acompanham meus registros no canal e no blog e absolutamente todos que se manifestaram e entraram em contato comigo, sempre o fizeram dando incentivo para que eu continue, pois afirmaram que isto faz bem a mim e aos outros portadores que leem e assistem. Quem acompanha minhas publicações somente com a intenção de achar pistas que possam sanar a dúvida do porquê eu gravo, do porquê eu publico e me exponho, está demonstrando com isso que tem preconceitos com os meios alheios, que se incomoda demasiada e desnecessariamente com as escolhas dos outros, que só querem fuçar sem nada acrescentar. Esta é uma curiosidade inútil.

As pessoas que fazem questionamentos em tom de reprovação e julgamento precisam entender que minhas publicações em nada afetarão suas vidas. Estas pessoas infelizmente não estão contribuindo para o debate sobre transtornos mentais. Uma pena! A coisa toda poderia ser mais produtiva. Mas cada um faz suas escolhas, e alguns escolhem a crítica não-construtiva, o tom de repulsa, julgamento e reprovação. Mas como é escolha pessoal e as opiniões são diferentes, não me resta nada além de respeitar.

“Vaidade de vaidades, diz o pregador, vaidade de vaidades! Tudo é vaidade.” Eclesiastes 1:2

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Sobre a dona do blog

Pecadora redimida por Aquele que morreu na cruz e ressurgiu. "Pois ele conhece a nossa estrutura; lembra-se de que somos pó." Salmos 103:14
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