Pulando da ponte

A apreensão maior não acontece na hora do salto, acontece antes dele, ao olhar para baixo e ver a altura que supostamente se vai cair. Sentir a vida ameaçada causa essa emoção desagradável que é o medo, e é natural senti-lo pois o ser humano foi programado para pelejar pela vida. Mais uma razão para crer que um suicida é basicamente alguém em estado de desordem mental e/ou emocional, com a ‘programação’ comprometida. Em sã consciência não há pessoa no mundo que deseje morrer, pois isso entra em conflito com instinto de sobrevivência.

No caso de um salto no pêndulo o tal frio na barriga se dá simplesmente pela altura e pela queda que prenunciam dano à integridade física. Porém ao perceber que se está seguro o medo dá lugar ao entusiasmo por estar brincando em um balanço gigante. E que gostoso quando percebe-se que não há mais risco de despencar! A vontade é ficar ali embalando para sempre, sentindo o vento refrescar o rosto, bagunçar o cabelo e sibilar no ouvido.

Infelizmente há outros medos que não podem ser vencidos tão instantaneamente. Há o medo de confiar nos velhos amigos depois de sofrer um agravo por eles causado, o que traz consigo o medo de fazer novos amigos. Há o medo de se envolver em situações que exijam tomada de decisões que possam vir a gerar consequências dramáticas para si e para outros, o que ocasiona omissão ou cegueira para a verdade. Há o medo de amar novamente após sofrer feridas profundas causadas por mentira, engano, destruição de planos, traição etc.

Medo é um mecanismo desenvolvido por nós com a finalidade de nos deixar alertas e nos preparar para luta ou para fuga. Ele vem quando as circunstâncias são incertas ou perigosas e sentimos necessidade de nos proteger de traumas e dores que possam surgir. Isso tudo é perfeitamente normal pois a natureza humana não é destemida. É frágil, limitada e, por isso, medrosa. Mas não quer dizer que não podemos ser corajosos. Aprendemos que a coragem e o medo são opostos, o que pode ser interpretado como afirmação de que em um não há nada do outro. Não concordo integralmente pois, como disse o amigo das cordas, coragem não é ausência de medo.

Os corajosos também se apavoram e hesitam, mas vão em frente para executar aquilo que desejam ou precisam realizar. Um exemplo disto está na Bíblia, no livro de Deuteronômio, capítulo 31. Na ocasião Moisés, já velho e avisado por Deus que não atravessaria o rio Jordão, estava passando para Josué a tarefa de liderar Israel no restante da jornada. Com a responsabilidade de estar à frente de um povo numeroso, Josué deve sim ter se atemorizado. Porém as palavras de Moisés a ele foram reconfortantes:

“O Senhor, pois, é aquele que vai adiante de ti; ele será contigo, não te deixará, nem te desamparará; não temas, nem te espantes.” Dt 31:8.

Quando precisamos ou desejamos saltar, é bom demais termos a certeza de que estamos seguros por uma corda que aguenta milhares de quilos de tranco e pressão. Uma corda que não se desgasta e que depois do temor inicial nos proporciona muita satisfação, tranquilidade, alegria e plenitude. Deus é minha corda segura e minha certeza de que posso ser corajosa mesmo com meus medos. Ainda que alguns deles demorem para ser domados, a preparação para o salto sempre será um exercício de confiança muito produtivo.

“Em qualquer tempo em que eu temer, confiarei em ti.” Salmos 56:3

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Sobre a dona do blog

Pecadora redimida por Aquele que morreu na cruz e ressurgiu. "Pois ele conhece a nossa estrutura; lembra-se de que somos pó." Salmos 103:14
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