Confissões, Lucubrações

Coisas sem nome

Mais importante do que o nome das coisas das quais a vida é feita, é a maneira como observamos as coisas, como as sentimos, a maneira que encontramos para purgá-las e sobreviver a elas. Muitas vezes há uma boa dose de loucura envolvida no processo de administração das coisas. E administrar é mais importante do que nomear. Às vezes o nome é mais feio, mais atroz e mais sofrido do que conseguimos verbalizar, e mais difícil e complicado do que os outros conseguiriam entender. Mas depois de lidar com as coisas o mais importante é esquecer seus nomes feios. Um dia serão coisas sem nome, sem forma e sem significado na minha vida. Simplesmente esquecidas pelo caminho.

borboleta

“E, quando estiverdes orando, perdoai, se tendes alguma coisa contra alguém, para que vosso Pai, que está nos céus, vos perdoe as vossas ofensas.” Marcos 11:25

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Lucubrações

Paciência

“Não vou te dar nenhuma orientação, pois eu acho que você não precisa. Você tem conseguido lidar. Você já sabe de cor e salteado.”

Ouvir isso de uma psicóloga maravilhosa na última sessão de terapia (aquela da negociação com o psiquiatra), simplesmente não tem preço! Só corrobora meu pensamento de que o ser humano pode sim adquirir autoconhecimento através da confiança na sabedoria e na provisão que Deus pode dar, através da consciência sobre a função que o sofrimento desempenha na vida e através de paciência, muita paciência! Demorei para aprender que o doente sofre e se lamenta, mas quando busca informações e ajuda ele não é mais só um doente, ele se torna um paciente. Alguém que espera pacientemente pela cura, pela melhora, pela remissão, pela manutenção de uma boa qualidade de vida, pela saúde do corpo e da mente, pela partida da dor, pela compreensão alheia que nem sempre vem logo. Cedo ou tarde, pela graça e misericórdia de Deus, o que precisa ir embora vai, e o que precisa chegar chega. E nada nessa vida vem ou vai fora de hora. As coisas difíceis só vão embora depois de nos aperfeiçoar, e as boas não chegam antes de estarmos preparados para recebê-las. É só fazer sua parte, confiar que Deus fará a dEle e esperar com paciência.

“E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência, e a paciência a experiência, e a experiência a esperança. Romanos 5:3-4.

“Tenha, porém, a paciência a sua obra perfeita, para que sejais perfeitos e completos, sem faltar em coisa alguma.” Tiago 1:4.

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Lucubrações

Tô na mesa

mesário voluntário

Dia 05 de Outubro de 2014.

Não costumo distribuir santinhos de candidatos na rua sob o sol escaldante, nem balançar bandeiras ao final do expediente. Não sou obrigada a isso e creio que cada um deveria fazê-lo por vontade própria e com tranquilidade, e não de forma estressante, por pressão ou medo de perder um emprego. Essa pressão é um absurdo e um desrespeito ao cidadão trabalhador. O voto não deve ser negociado, especialmente se a moeda de troca for o sustento ou o bem estar laboral das pessoas. Quem se sujeita a esta situação também tem sua parcela de culpa, mas isso é outra história.

Trabalhar é algo digno. Mas todos precisam ter condições igualmente dignas para o laboro. Pressão, perseguição, coerção, incompreensão e muitos outros ‘ãos’ tem sido causa de adoecimento físico, mental e muitas vezes espiritual do trabalhador. Não, não vou para a rua para insistir que alguém vote no candidato que eu escolhi. E também não brigo com meus amigos e familiares por causa disso. Não corto relações por causa de política. Preciso muito mais manter os bons relacionamentos do que mostrar que estou certa. Então, entre ter razão e manter a amizade, eu escolho a amizade. Se o outro se irritar, me calo sem problemas.

Apesar do meu não envolvimento em certos expedientes e apesar do meu escapismo, por vezes reclamo – pois tenho direito de reclamar – de partidos, candidatos ou quaisquer lideranças que não cumprem com seu papel, que pratiquem a tal da coerção sutil, que mintam descaradamente e prejudiquem o povo, que negociem bens inegociáveis (como a dignidade) em favor da sanha de continuar no poder, que gastem muito com propagandas das realizações e busquem reconhecimento por isso, quando na verdade não estão fazendo nada além daquilo para que foram eleitos.

Não, não me envolvo demais, mas tenho minhas convicções. Como por exemplo, a posição de que, em um estado democrático e pluripartidário, deve haver alternância de partidos no poder. Sim, me posiciono contra ou a favor, pois tenho o direito e a liberdade de expressão que me são garantidos por Lei neste país. Posso divulgar minhas escolhas, opinar sobre a situação política sem gritar, mas não sem indignação com relação ao que está errado.

Minha paixão não é por partido preferido, pois nem defendo um único partido. Todos apresentam aspectos bons e ruins. Nada é perfeito. Alguns, porém, abusam de tudo que não poderiam abusar, manipulam a ignorância alheia, oprimem o povo, o deixa mal acostumado e muito confortavelmente sentado no sofá do desconhecimento e da miséria maquiada. Partidos que assim procedem, às vezes precisam ficar sem roer seu osso pelo menos por um tempo. A estes não faço caso de me posicionar contrariamente.

Enfim, minha maior paixão em época de eleições é com foco no processo. Entendo que a melhor maneira de contribuir para o processo eleitoral é adquirir entendimento suficiente para não ser um analfabeto político e votar com consciência. A segunda melhor maneira é ser mesária. Por incrível que pareça e apesar do cansaço que me acomete no fim do dia de votações, eu gosto muito de ser mesária! Mesmo com as desconfianças sobre o processo (contagem errada de votos, urnas adulteradas etc), me sinto honrada em contribuir com a Justiça Eleitoral, e quando não me convocam para servir eu mesma me candidato. É aí onde transita minha paixão política.

A propósito, nestas eleições eu vou Marinar!

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