Desrosquear palavras

sufocarParece que a glote da fulana está tentando se desfazer dela. Garganta fechando toda vez que tosse, secreção obstruindo tudo. É a revolta de um corpo contra si mesmo. Falta ar e sobra sensação de sufocamento iminente. E haja a fulana desesperada esquecendo das muletas, a correr pra lá e pra cá (com o pé costurado e inflamando os pontos) com os dedos enfiados na garganta, no intuito de que ela não termine de fechar. Aí a fulana vai chegar no médico e ele, previsivelmente, vai dizer “alergia” e depois “corticoide,” ou qualquer coisa do tipo. Querem apostar?

Há contribuição dos locais onde a fulana anda. Por exemplo, o trabalho. Onde se participa, de luvas e máscara, da Assembleia Municipal dos Ácaros e Poeiras Documentais. Nada contra o serviço, pois a fulana gosta de trabalhar e nem liga de fazer serviço braçal ou que lide com sujeira. Mas direito é direito e a fulana pode até estar ficando meio doida, mas não está ficando burra. Lá é onde estão enrolando sobre adicionais de insalubridade, pois segundo a administração pública, o local não é insalubre. E acham que a fulana é retardada pra não perceber que está sendo lesada na cara dura.

Fatores ambientais, como a Assembleia dos Ácaros, prejudicam a saúde e causam sintomas estranhíssimos às vezes. Porém, há outras causas de sintomas sufocantes e há a conveniência do corpo em utilizar algo já afetado para expressar o que se esconde no inconsciente. Por exemplo, algumas palavras, e tudo o que elas representam, podem ser a causa da glote assassina. Palavras com tampa de rosca se escondem por trás disso. Frasco que fecha a garganta. Palavras que tiram o ar e que ganham vida própria. Garganta fecha com a intransigência, sufoca com a insensibilidade e morre asfixiada com a opressão. Desrosquear  palavras certamente ajuda a respirar melhor.

“Porque na verdade, as minhas palavras não serão falsas; contigo está um que tem perfeito conhecimento.” Jó 36:4

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Sobre a dona do blog

Pecadora redimida por Aquele que morreu na cruz e ressurgiu. "Pois ele conhece a nossa estrutura; lembra-se de que somos pó." Salmos 103:14
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