“Pare de pisar em ovos”

elétrica

“Eu te odeio, não me abandones” – O Psicodrama Borderline

Imaginem uma pessoa que por algum erro constitucional nascesse sem pele. Qualquer toque, por mais leve, provocaria dor e reação intensa. Assim é o borderline, o que lhe falta é a pele emocional.

Buscando, de modo simplista, a fórmula de produção desta patologia, poderíamos pensar que uma criança demasiadamente sensível, em contato com um ambiente invalidador, multi-abusivo e destruidor de sua autoconfiança básica, tende a desenvolver comportamentos defensivos que se constituirão nas próprias características do distúrbio.

Como adulto, o borderline acaba reproduzindo as características invalidadoras de seu meio: invalida suas próprias experiências emocionais e busca nos outros interpretações sobre a realidade. É incapaz de resolver problemas rotineiros, tem dificuldades generalizadas de “como viver”. Formula objetivos pouco realistas, não valoriza pequenos êxitos e se odeia diante dos insucessos. A reação característica de vergonha é o produto natural de um ambiente que envergonha quem demonstra vulnerabilidade emocional.

O sofrimento e as reações emocionais são extremas: o que seria apenas embaraçoso, torna-se, para ele, profundamente humilhante; desagrado pode tornar-se ódio; culpa leve, torna-se vergonha; apreensão transforma-se em pânico. Prisioneiro das próprias emoções, basta um pequeno estímulo para provocar reações intensas, crises de fúria que confundem e assustam as pessoas à sua volta e ele mesmo. Cria grandes tragédias das quais reclama com fúria crescente, culpando os outros pela situação em que se encontra. Quanto maior a expressão da raiva, mais o borderline se convence e tenta convencer os outros de que são responsáveis por seus sentimentos. E como suas respostas emocionais são de longa duração (lento para voltar a um nível emocional adequado) permanece altamente sensível ao próximo estímulo.

Tendo seu desenvolvimento emocional detido nas primeiras fases, o borderline é uma criança num corpo adulto e, como a criança, é impulsivo, não sabe esperar, não aceita se frustrar, tem dificuldade em simbolizar conceitos abstratos.Tenta conseguir tudo que quer o tempo todo, a qualquer custo. Em resumo: o borderline tem imensa dificuldade em lidar de forma adequada com suas emoções e a terapia precisa encontrar caminhos: primeiro para não se deixar destruir por demonstrações emocionais grandiosas; segundo para não destruir a precária estrutura emocional que o paciente apresenta; por último, para conseguir formas criativas de fazer pequenos “enxertos” (ele não possui “pele emocional”) e dar algum invólucro que lhe possibilite crescer e se desenvolver dignamente.”
Trecho do livro Stop Walking on Eggshells, de Paul Mason MS e Randi Kreger

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Sobre a dona do blog

Pecadora redimida por Aquele que morreu na cruz e ressurgiu. "Pois ele conhece a nossa estrutura; lembra-se de que somos pó." Salmos 103:14
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2 respostas para “Pare de pisar em ovos”

  1. Chris disse:

    Convivo com uma familiar Borderline e sinto na pele toda a dificuldade de convivência.
    Já encomendei esse livro “Pare de pisar em ovos” e espero que me dê um pouco de clareza e inspiração para mim e outras pessoas da casa lidar melhor com isso.

    • Dona Lola disse:

      Olá Chris! Muito obrigada pelo comentário. Espero que o amor, as boas informações e a paciência possam contribuir para melhoria na sua qualidade de vida, na de sua família e na qualidade de vida desta pessoa que sofre de TPB. Volte sempre! Abraço.

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