Psicolouca

borboletas da alma

Enfim, decidi cursar Psicologia, uma das áreas do conhecimento pela qual sempre tive curiosidade. Gosto de ouvir e analisar situações, e isto acontece com tanta facilidade que às vezes me perturba e chateia alguns. Já ouvi falarem que “psicólogos são todos loucos” ou que “quem faz psicologia acaba ficando doido“. Pois bem! De doida já me chamam desde a infância por causa do meu jeitão e da minha mente desordenada. Logo, não poderão acusar os estudos em Psicologia de me deixarem louca.

Ao revelar meu novo curso universitário ouvi “Parabéns!“, “Até que enfim!” e muitas outras felicitações. Infelizmente algumas pessoas que me são muito queridas sempre condenaram essa área de estudo, falando dela superficialmente e fazendo uso de puro senso comum. Se expressam de um modo que me passam a seguinte mensagem: – Não veja, não ouça, não leia, não examine, não estude e, principalmente, não faça uso da Psicologia para nada! Aos ignorantes, a Psicologia se mostra não como uma simples área da ciência humana, mas como a pintura perfeita de uma arte das trevas. Para mim é uma área do conhecimento que, como qualquer outra, precisa ser filtrada e que de maneira alguma me definirá como pessoa.

Mas… portadora de transtorno mental pode ser psicóloga? Pode sim! Da mesma forma que alguém nascido com doença cardíaca pode se tornar cardiologista, da mesma forma que um psiquiatra pode desenvolver doença mental (ou já ter nascido com ela). Um cadeirante não pode ser esportista? Uma mulher estéril não pode se tornar mãe através da adoção? A limitação é característica humana, mas a capacidade de adaptação também é. Trabalhar na área da saúde mental é algo que eu posso e quero fazer. Antes de ter as portas abertas para estudar essa área, me foi permitido ser adoecida da mente. Não por maldade, mas para me aperfeiçoar, me colocar um freio e para que eu pudesse entender o que os outros passam.

Jamais poderão dizer com verdade que eu não sei o que o paciente está passando. Eu sei sim, pois o sofrimento mental quase me comeu viva. Minha situação é de limitação de saúde mental em tratamento, baixa resistência ao estresse que tento controlar, conflitos internos e externos em constante análise, crises e surtos uma vez ou outra, traumas de infância que precisam ser curados, depressão e mania estabilizadas, ataques de pânico já praticamente inexistentes, insônia de vez em quando, despersonalização e desrealização de vez em sempre e uma personalidade limítrofe encoleirada feito um rottweiler bravo. Apesar da minha situação, tenho uma enorme certeza do amor de Deus por mim e uma absoluta confiança de que Ele é provedor de tudo o que preciso para eu continuar me superando.

Posso estudar comportamentos, organizações, sociedade, políticas públicas, educação, processos neuropsicológicos e tudo o mais que eu desejar. Eu posso! Posso enlouquecer se eu precisar, posso surtar se minha mente necessitar, pois antes de ser estudante de Psicologia, eu sou humana. Mas sempre posso melhorar e dizer aos outros como fazê-lo. Deus iluminou minha estrada a cada passo que eu dei para chegar onde estou, e é Ele que tem limpado meus olhos e me dado autoconhecimento. Não é assim com todos, mas minha terapeuta mais recente percebeu e me afirmou a verdade que eu já tenho no coração: minha fé é meu “punho de força” e eu não devo perder isso de vista. 

Aliás, psicólogo pode professar uma fé e mesmo assim ser imparcial e competente, dentro daquilo que a profissão exige? Pode sim! Entendendo a urgência de se conhecer as perturbações que impedem alguém de viver plenamente, e observando não só o biopsicossocial mas também o espiritual com cuidado, com critérios, com discernimento de cada coisa, com respeito às escolhas e às mazelas dos outros, com a neutralidade necessária, eu sei que posso ser uma boa profissional e auxiliar pessoas a trilharem o caminho em direção à saúde da mente. 

Para ter um pedaço de papel que prove meu conhecimento teórico e capacidade de lidar com os problemas alheios, me faltam ainda uns 4 anos e muita dedicação aos estudos. Mas nada me impede de tentar tocar a alma alheia com os meios que tenho, e os tenho como dons. A dor, a perturbação e o choro do outro me afetam, assim como a alegria, a vitória e satisfação, mas não quero puxar ou empurrar ninguém, pois considero que a caminhada deve ser lado a lado, e a superação deve vir a cada manhã para profissionais e pacientes (ou clientes?). Me falta ainda bastante conhecimento, mas eu tenho uma alma que sente demais o próximo e que me faz sentir que eu já sou psicóloga há muito tempo!

“Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece.”Filipenses 4:13

“O que adquire entendimento ama a sua alma; o que cultiva a inteligência achará o bem.” Provérbios 19:8.

“A alma generosa prosperará e aquele que atende também será atendido.” Provérbios 11:25.

“… para que também possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação, com a consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus.” II Coríntios 1:4b

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Sobre a dona do blog

Pecadora redimida por Aquele que morreu na cruz e ressurgiu. "Pois ele conhece a nossa estrutura; lembra-se de que somos pó." Salmos 103:14
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7 respostas para Psicolouca

  1. Andréa disse:

    Primeiro: Parabéns! E depois, não se preocupe com rótulos q a s pessoas colocam, pois é isso o que muita gente faz o tempo todo, nos enquadrando em padrões que elas acreditam ser o certo. Tenho certeza que será uma excelente profissional porque você acredita em si. Vá em frente porque Deus é contigo.

  2. Você sempre falou muito bem dos assuntos da área , sucesso ^^

  3. Denise disse:

    Graças a Deus que te encontrei.

  4. Lua Pereira disse:

    OI Não está mais escrevendo?

    • Lola disse:

      Olá Lua! Estou sim, mas na marcha lenta. Não estive bem esses tempos, nem mesmo pra escrever eu tinha ânimo. Mas agora estou bem melhor. Obrigada por ler o blog. Espero que se sinta ajudada. Beijão!

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