A guilhotina da estabilidade

Tanto tempo sem escrever! Ou a vida ordinária muito me absorveu que precisei ficar mais normal do que louca, ou estou tão louca que fiquei estável demais. A estabilidade me capacita a conviver, a sociabilizar, a estudar e fazer boa parte das coisas que as gentes do mundo fazem ou desejam. Mas ser mais louca do que normal ou oscilar entre uma condição e outra com frequência é tão mais criativo! Fazer o quê? Preciso fazer algo além de escrever, pois neste país escrever não paga as contas. Quero realizar o antigo desejo de ser psicóloga, mas para isso preciso estudar, e estudar demanda estabilidade mental.

Pois bem! A estabilidade é necessária para o bom andamento do cotidiano e desejada para findar o sofrimento, mas se tornou a lâmina que decepa a cabeça da criatividade. Para funcionar na sociedade pós-moderna é preciso ser normal nos moldes que ela determina. E esta tal normalidade está me castrando. Gosto de não sentir um apocalipse mental, gosto de não sofrer terrivelmente de um mal invisível, gosto de conseguir me levantar e fazer algo diferente de quebrar tudo dentro de casa ou me arrastar por 4 dias sem tomar banho, só não gosto muito dessa falta de emoção nas coisas. Antigamente eu era misturada à doidice, mas tinha um parque de diversões dentro de mim.

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O que eu poderia fazer para ter de volta minhas borboletas na cabeça e minhas estrelas cadentes da madrugada seria abraçar um pouco mais a loucura. Só o suficiente para produzir algo além de trabalhos acadêmicos e anotações para seminários e provas. Mas como fazê-lo sem perder o controle? Tocar a insanidade de leve é coisa que inevitavelmente tenho feito, mas além de não ser suficiente para tirar a criatividade da guilhotina, me obriga a escolher entre trabalho e faculdade. E tem sido muito difícil, porque ou se canta ou se assobia. Esses tempos o trabalho vem perdendo. Nunca pensei que fosse dizer isso com sentimento de falta ou saudosismo, mas no momento não há espaço na minha vida para enlouquecer e deixar minha mente se libertar, voar e brilhar. No contexto atual da minha vida, as borboletas estão presas e as estrelas cadentes não passam de pedras opacas.

“…mas tu és o meu refúgio forte”. Salmos 71:7 b

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Sobre Dona Lola

Pecadora, redimida, justificada, serva, peregrina, esperançosa, crente e portadora de seu próprio espinho na carne. Pertencente Àquele que morreu na cruz e ressurgiu, habitada pelo Consolador enviado e filha do Pai Eterno. Eternamente feliz, não importam as aflições.
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2 respostas para A guilhotina da estabilidade

  1. Rafael disse:

    Exatamente o q sinto , n sou diagnosticado , mas sei que às vezes fico eufórico e isso me faz perder o foco ,vou ter uma filha agora é preciso me estabilizar ,manter a rotina , construir minha vida, não posso deixar minha mente e emoções saírem do controle pois comigo é tudo 8/80 no último ano tentei ficar estável ,mas sinto falta das minhas emoções

    • Dona Lola disse:

      Oi Rafael! Que bom encontrar um semelhante. Esse borbulhar de emoções é estimulante, mas nos faz perder o foco, o rumo etc. Você expressou bem. Que possamos encontrar a medida certa entre a lucidez e a maluquez. Precisando, estou por aqui. Forte abraço!

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