Vídeos diversos

Ela é bipolar

Ignorando o cantor (sobre o qual nem tenho informações suficientes para julgar se é bom ou ruim), desconsiderando questões mais profundas sobre ser zen ou baixo astral e tirando a parte da simplicidade do tratamento (que não é tão simples assim), até que achei a música bacaninha. Os sintomas são realmente diversos, mas não se resumem a um dia estar bem e no outro não estar legal. Quem tem a doença bipolar sabe que o cenário é mais aterrador do que a música bacaninha descreve.

}ï{

Anúncios
Lucubrações, Vídeos diversos

Duro de pedra

Declarações preconceituosas, discriminatórias e infundadas do jornalista Luiz Carlos Prates sobre pessoas portadoras de depressão. Que a Associação Brasileira de Psiquiatria vá mesmo à Justiça e o coloque no seu devido lugar. E esse senhor ainda é formado em Psicologia. Uma vergonha para a classe. Que ele tenha seu posicionamento pessoal, mas que saiba colocar de maneira adequada, especialmente em um meio de comunicação de massa. Homem duro de coração! Não sei se feliz ou infelizmente, mas tenho familiares e amigos amados que também são assim. Alguns já me fizeram passar mal, agravaram um quadro de crise, me adoeceram. Pena eu só me dar conta da necessidade de cortar contato quando já havia me envolvido e era tarde demais. O depressivo não é digno de pena, não é uma vítima, nem um coitadinho, como o jornalista mesmo afirma. Porém, por estar padecendo de uma patologia, o depressivo deve ser tratado com cuidado como qualquer outro enfermo.

A Bíblia diz que todas as nossas coisas devem ser feitas com amor. E o que seria isso senão ter paciência, delicadeza e bondade no trato? Dureza não é uma qualidade quando se refere aos relacionamentos interpessoais. Dureza não deve ter espaço na hora de prestar apoio, emitir opiniões, fazer aconselhamento, exortação etc. Até mesmo quando a situação exige firmeza de nossa parte devemos fazer uso da ternura. Seja qual for o caso, o amor é sempre o melhor remédio. É desagradável esse sentimento, mas sinto um tanto de pena de gente com coração de pedra. Gente que por alguma razão, do presente ou do passado, endureceu por dentro. Um abandono, um problema familiar, uma desilusão amorosa, uma perda, uma doença qualquer… O evento muitas vezes se esconde tão profundamente que a pessoa não percebe.

Uma das características do duro de coração são os ares de juiz, como esse jornalista que parece emitir uma sentença. Dedinhos em riste, semblante pesado, braços inquietos, inabilidade para expressar sentimentos ternos e incapacidade  de conceber emoções, até mesmo as mais simples. Ouso dizer que até a saúde física de um ser humano como esse deve correr risco. Pela dureza do coração alguns desenvolvem doenças na carne também. Condições sérias como câncer ou de menor gravidade como um intestino fragilizado, podem ser consequências de um interior endurecido. Mas aos duros também é bom mostrarmos ternura, paciência e compreensão, pois eles também padecem. Quem sabe eles entendam como se deve enxergar e tratar os outros olhando nossa maneira de tratá-los. Quem sabe entendam que as perdas e frustrações passadas não são motivo para deixar de ter e expressar carinho às pessoas até mesmo nos momentos de confrontação. E quem sabe desenvolvam capacidade de digerir emoções ao invés de tentarem ser juízes de todos ou de sofrerem diarreias, principalmente as mentais.

“O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal;  Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade;  Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.” I Coríntios 13: 4 – 7.

“Tenho-vos mostrado em tudo que, trabalhando assim, é necessário auxiliar os enfermos, e recordar as palavras do Senhor Jesus, que disse: Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber.” Atos 20:35

“Todas as vossas coisas sejam feitas com amor.” I Coríntios 16:14

}ï{

Lucubrações, Vídeos diversos

Encrespando

Em um país de raiz cultural escravocrata, na qual se vê a herança genética africana como algo inferior e indesejado, não é surpresa que o cabelo afro/crespo seja visto como feio. É armado, é volumoso, é alto, é trabalhoso, é seu! Foi Deus quem te deu. Já tive cabelo armadão, de cachos bem miúdos e encolhidinhos, o que me rendeu o apelido de poodle na época do colégio (e só fiquei sabendo disso 15 anos depois). Mas aprendi que o problema do cabelo considerado difícil não é o trabalho que dá ou o tempo gasto com os cuidados certos. O problema é falta de amor pelo que se tem e a má influência dessa padronização de beleza imposta por esse mundo pecador. “Odeio esse meu cabelo!”, “O seu é bonito, o meu é uma farofa”, “Você fala assim porque o seu é bem definido”, “Meu cabelo é ruim”. Já ouvi cada coisa! Só lembro da minha fase de autoestima abalada, com cabelo que considerava horroroso etc. Graças a Deus passou.

Odiar o que se tem não é um sentimento dos mais nobres, pois é como dizer que Deus cometeu um erro em te dar aquilo. Achar que o dos outros é sempre melhor demonstra autoestima problemática. E o que será que eu faço pra que o meu fique com cara de saúde e que você não faz? Eu gosto de mudanças, mas também amo o que eu tenho. Quer mudar a juba? Mude! Mas averigue sua intenção e seu sentimento ao fazer uma mudança, seja alisar, enrolar, pintar, cortar etc. Mude pra ficar bonita mas de um jeito diferente, não por achar que o jeito diferente é o único jeito aceitável pra ficar bonita. Aprender a amar o que Deus deu ajuda a querer cuidar com carinho. E quando aprendemos a cuidar do jeito certo, passamos a amar mais ainda. É um ciclo que nos deixa, parafraseando Salomão, mais formosas entre as mulheres. Palmas pra essa moça do vídeo, que aprendeu a se amar e cuidar do cabelo lindo que Deus lhe deu.

“Eis que és formosa,” Cantares de Salomão 1:15a

}ï{

Vídeos diversos

O homem no buraco

“Seja conhecido de vós todos, e de todo o povo de Israel, que em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, aquele a quem vós crucificastes e a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, em nome desse é que este está são diante de vós. Ele é a pedra que foi rejeitada por vós, os edificadores, a qual foi posta por cabeça de esquina. E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos.” Atos 4:10-12.

}ï{

Confissões, Vídeos diversos

Curiosidade sobre possibilidades

Na minha última consulta o psiquiatra levantou uma possibilidade. Essa possibilidade me deixou com o carrapato atrás da orelha, por que pulga pula e vai embora, já o carrapato  fica grudado incomodando. Não que eu dê mais tanta importância às nomenclaturas, afinal em psiquiatria tudo é complicado, tudo é misturado, tudo é difícil, tudo é demorado e como diria meu médico: “A resposta terapêutica é o mais importante”. Nem tudo é exato quando se fala de saúde mental. O que se chamava Doença (ou Psicose) Maníaco-Depressiva pode passar a se chamar pelo banalizado, mal empregado e chacoteado nome de Transtorno Afetivo do Humor Bipolar.

Garanto do fundo dos meus rins que não preciso de letreiro na testa. Sinto muito pelos que passam a vida todinha se rotulando, mas compreendo que é por que o ser humano acha que necessita se identificar com algo pra que sua vida tenha sentido. O homem quer um lugar pra chamar de lar, quer se encaixar em algum grupo, quer uma tarja na testa que comprove que ele pertence a algum lugar. Alguns entendem cedo que isso não é vital, outros passam a vida colando etiquetas diferentes na barriga. Daqui a pouco não sabem mais quem são nem qual é seu lugar. Compreendo, mas sinto muito.

Enfim, diagnósticos às vezes geram etiquetas indevidamente e nem sempre é culpa do médico. Às vezes um diagnóstico se fecha com certeza, às vezes se fecha mas fica uma duvidazinha ou por parte do paciente, ou do médico ou dos dois. Às vezes a pessoa passa a vida inteira tratando algo mas depois se percebe que esse algo era outro algo, mesmo assim o tratamento deu certo a vida inteira. Cada pessoa reage de uma maneira aos diversos tratamentos que existem. Tem gente que toma medicação e não melhora, e tem gente que melhora com remédios (tipo eu). Tem gente que melhora fazendo psicoterapia e tem gente pra quem isso não influi nem contribui (tipo eu). Tem gente que gosta de acupuntura e atividade física como tratamento complementar (euzinha), tem gente que faz massoterapia (eu), tem gente que toma chá relaxante, tem gente que só toma seu Rivotril durante 6  meses e resolve o problema, tem gente que melhora do nada. Cada organismo é único e o perfume que cheira em nós pode feder nos outros.

O nome das desordens de saúde, as meramente físicas ou as mentais, só são importantes até que se encontre o tratamento adequado, aquilo que se encaixaria melhor em cada caso. Pensando com a razão e não com a curiosidade, entendo que é pra isso que serve o diagnóstico. Meu médico sempre trabalhou nessa linha: priorizar o tratamento pra seja lá o que isso for, mas sem bater muito na tecla do nome disso. O problema é que eu sou muito curiosa, muito mesmo! Um cricri. E toda vez que eu encho o saco do meu psiquiatra perguntando o que é isso e o que é aquilo, o que pode ser tal ou tal sintoma, ele sempre me diz as possibilidades. Ele sabe que eu não vou ficar quieta se ele não me disser.

Bom, existe um tipo de personalidade explosiva, que quando sai do controle e se torna doentia passa a se chamar Transtorno Explosivo Intermitente. Existe também um tipo de personalidade extremamente sensível (tanto pra se entristecer quanto pra se irritar), que quando sai do controle e se torna doentia passa a se chamar Transtorno da Personalidade Limítrofe ou Borderline. O TEI e o TPB são frequentemente confundidos e muitos profissionais demoram pra ter certeza. Muitas vezes até depois de bater martelo pode ser que o médico ou psicólogo perceba sintomas novos, sintomas que passaram batido, ou pode ser que haja relato de sintomas antigos já tratados.

Meu psiquiatra levantou a possibilidade de ter havido uma confusão e já me prometeu mais um de seus questionários, que eu certamente vou cobrar por que simplesmente não posso com a minha curiosidade. Mas quer saber? No fundo eu acho que não deve ser nada além do que já é. Todas as fraquezas humanas causam sofrimento, tanto faz o nome da dor, tudo é dor. Estou tratando, está dando certo e isso me basta. Independente do que seja e apesar da minha curiosidade, o nome continuará sendo desimportante na minha vida. Eu já tenho um selo bem definido e não preciso ficar trocando. O único rótulo que eu sei que vale muito a pena carregar em lugar visível é o de filha e serva de Deus. Mas neste caso, o rótulo só tem valor se Jesus estiver realmente preenchendo o interior. De outra forma será só mais um rótulo que não informa nada além do grande vazio que há por dentro.

“E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo.” II Coríntios 12:9

}ï{