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Corrida, felicidade e vida

Viva e feliz! Apesar da crise, apesar do cansaço, apesar da cara, apesar de tudo. Pois a felicidade é um estado permanente que independe das mazelas temporárias da nossa existência, como surtos, cansaço, agressividade, desânimo ou abatimento. Aliás, o bom e o ruim fazem parte da plenitude da vida. Felicidade não é necessariamente cruzar a linha de chegada das conquistas pessoais ou o ato de subir ao pódio com seus metais preciosos pendurados ao pescoço. Felicidade é a carreira veloz, ou a marcha moderada, ou a lenta caminhada. Felicidade é muito mais o caminho sendo percorrido do que o local onde se chega.

Estar vivo e ser feliz é o “ir” e não obrigatoriamente o “chegar”. Onde está o pódio em que as pessoas querem subir? Quais são os louros que cada um deseja? Se eu receber meus louros, vou depositá-los aos pés dAquele que merece o mais alto degrau em todos os pódios. Ainda que eu tenha que parar para descansar de vez em quando, ainda que eu caia e precise me tratar, ainda que um obstáculo me atrase, continuo indo. E vou na velocidade de caminhada, marcha ou carreira que me for permitida pelas minhas capacidades e limitações. E há tanta vida e tanta beleza pelo caminho, que os louros são apenas detalhe e consequência de um trajeto feito com paciência, cuidado e dedicação ao aprendizado. Um trajeto cheio de felicidade, apesar de tudo.

“Prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.” Filipenses 3:14

“Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira.” Atos 20:24 a

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O trabalho

Depois de muito tempo consegui editar esse vídeo. Repetitiva e prolixa como sempre, mas dá pra entender o recado.

Trabalhar pouco ou não trabalhar? Escolho trabalhar.

“Em todo trabalho há proveito.” Provérbios 14:23 a

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Boas novas sobre as drogas

Um dos meus objetivos com relação ao tratamento é ficar bem sem os psicofármacos ou com o mínimo possível deles. Os remédios são, como o nome diz, remediadores das circunstâncias e não a salvação completa da lavoura. Pra um remédio virar veneno não precisa muito esforço e, assim como os pesticidas matam as pragas mas podem contaminar o vegetal, a medicação alivia os sintomas mas pode trazer consequências negativas pro organismo também. Em casos como o meu os remédios são ajudantes que auxiliam no controle mas não significa que vão me curar obrigatoriamente.

A medicina diz que não há cura e que eu vou precisar de medicamentos todos os dias pelo resto da vida pra me manter minimamente sã. Isto, pra mim, é como afirmar que um pomar jamais dará frutos totalmente saudáveis e precisará de agrotóxicos enquanto existir. Cada terra é uma terra, cada planta é uma planta e as pragas existem. Porém, é sabido que plantação de produtos orgânicos (sem pesticidas e que busque harmonia e equilíbrio do sistema) dá trabalho mas é possível, basta aprender a manejar e fazer sua parte. A natureza cuida do resto.

Como o futuro só pertence ao Altíssimo eu vou buscando nEle força pra ir me cuidando e tomando meus ajudantes. E estes podem até me proteger dos bichinhos mas eu preciso fazer minha parte. Assim, os remédios continuarão tratando, ajudando, aliviando sintomas sem me envenenar, até que eu não precise mais deles. Quem sabe esse dia chegue! Meu Deus há de mandar boas chuvas pra que eu tenha boas safras, independente do tipo de manejo que eu tenha que aprender pra dar conta do meu pomar.

“E junto ao rio, à sua margem, de um e de outro lado, nascerá toda a sorte de árvore que dá fruto para se comer; não cairá a sua folha, nem acabará o seu fruto; nos seus meses produzirá novos frutos, porque as suas águas saem do santuário; e o seu fruto servirá de comida e a sua folha de remédio.” Ezequiel 47:12

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Pulando da ponte

A apreensão maior não acontece na hora do salto, acontece antes dele, ao olhar para baixo e ver a altura que supostamente se vai cair. Sentir a vida ameaçada causa essa emoção desagradável que é o medo, e é natural senti-lo pois o ser humano foi programado para pelejar pela vida. Mais uma razão para crer que um suicida é basicamente alguém em estado de desordem mental e/ou emocional, com a ‘programação’ comprometida. Em sã consciência não há pessoa no mundo que deseje morrer, pois isso entra em conflito com instinto de sobrevivência.

No caso de um salto no pêndulo o tal frio na barriga se dá simplesmente pela altura e pela queda que prenunciam dano à integridade física. Porém ao perceber que se está seguro o medo dá lugar ao entusiasmo por estar brincando em um balanço gigante. E que gostoso quando percebe-se que não há mais risco de despencar! A vontade é ficar ali embalando para sempre, sentindo o vento refrescar o rosto, bagunçar o cabelo e sibilar no ouvido.

Infelizmente há outros medos que não podem ser vencidos tão instantaneamente. Há o medo de confiar nos velhos amigos depois de sofrer um agravo por eles causado, o que traz consigo o medo de fazer novos amigos. Há o medo de se envolver em situações que exijam tomada de decisões que possam vir a gerar consequências dramáticas para si e para outros, o que ocasiona omissão ou cegueira para a verdade. Há o medo de amar novamente após sofrer feridas profundas causadas por mentira, engano, destruição de planos, traição etc.

Medo é um mecanismo desenvolvido por nós com a finalidade de nos deixar alertas e nos preparar para luta ou para fuga. Ele vem quando as circunstâncias são incertas ou perigosas e sentimos necessidade de nos proteger de traumas e dores que possam surgir. Isso tudo é perfeitamente normal pois a natureza humana não é destemida. É frágil, limitada e, por isso, medrosa. Mas não quer dizer que não podemos ser corajosos. Aprendemos que a coragem e o medo são opostos, o que pode ser interpretado como afirmação de que em um não há nada do outro. Não concordo integralmente pois, como disse o amigo das cordas, coragem não é ausência de medo.

Os corajosos também se apavoram e hesitam, mas vão em frente para executar aquilo que desejam ou precisam realizar. Um exemplo disto está na Bíblia, no livro de Deuteronômio, capítulo 31. Na ocasião Moisés, já velho e avisado por Deus que não atravessaria o rio Jordão, estava passando para Josué a tarefa de liderar Israel no restante da jornada. Com a responsabilidade de estar à frente de um povo numeroso, Josué deve sim ter se atemorizado. Porém as palavras de Moisés a ele foram reconfortantes:

“O Senhor, pois, é aquele que vai adiante de ti; ele será contigo, não te deixará, nem te desamparará; não temas, nem te espantes.” Dt 31:8.

Quando precisamos ou desejamos saltar, é bom demais termos a certeza de que estamos seguros por uma corda que aguenta milhares de quilos de tranco e pressão. Uma corda que não se desgasta e que depois do temor inicial nos proporciona muita satisfação, tranquilidade, alegria e plenitude. Deus é minha corda segura e minha certeza de que posso ser corajosa mesmo com meus medos. Ainda que alguns deles demorem para ser domados, a preparação para o salto sempre será um exercício de confiança muito produtivo.

“Em qualquer tempo em que eu temer, confiarei em ti.” Salmos 56:3

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O feriado, o bicho e o monstro

Fui viajar de ônibus pro interior no feriado da Páscoa. Foi uma oportunidade de ouro pra me colocar à prova e confesso que o medo de ataques do monstro do estresse foi grande, pois tenho histórico disso em viagens longas de ônibus. Quando o estresse aparece o bicho (aquele bicho) se solta e sai mordendo todo mundo. Mas dessa vez já sabia que precisava de focinheira e coleira o tempo todo, então me precavi. Não posso ficar trancada pra sempre por culpa do bicho da cabeça e deixar as coisas boas passarem. Então, Dramin pra não enjoar, música instrumental pra relaxar, respiração profunda pra oxigenar o cérebro e oração pra Deus me dar tranquilidade.

Fiquei contente, calminha, de boa na lagoa, ou melhor, no igarapé. Me diverti, tirei fotos, encontrei os familiares, comi muito peixe e nadei um pouquinho, coisa que não fazia há tempos. Mas como alegria de transtornado mental dura pouco, ao chegar da viagem recebi uma notícia que fez vir à tona alguns sentimentos que já estavam naufragados. Aquele tipo de notícia que quase explode os miolos. Situação traumática de 12 anos atrás se repetindo na vida pessoal de maneira tão semelhante que pareceu um déjà vu. Foi peso demais até pra quem já superou. E nem foi ressentimento da coisa passada, pois não dói mais nem faz mais diferença na minha vida. Foi só o cérebro processando sentimentos semelhantes aos do passado. Então, como não lembrar? Eu preocupada em não ficar estressada durante a viagem e o estresse veio me morder na chegada.

Bom, os cérebros mais “normais” se surpreendem com notícias de explodir os miolos, mas cérebro de gente como eu não se contenta em se surpreender. Somatiza e entra em surto mesmo! Então tive uma crise, que nem considero forte, na qual tive um episódio de autoagressão com objeto perfurante. Nada sério, mas fato é que autoflagelo é uma válvula de escape, uma maneira de tentar fazer com que a dor física cubra a emocional. Fato é também que, em gente como eu, causar dano físico ocasiona uma descarga de adrenalina e serotonina deliciosa, apesar de a consciência sobre as consequências desse ato ficar em segundo plano na hora da prática. Isso não me acontecia há mais de 2 anos e me deixou bem chateada depois. Até por que nunca aconteceram cortes e furos com frequência. Foi uma vez na vida e outra na quase morte.

Diferente das outras crises com cabeça na parede, tapas na cara, cabelo arrancado, arranhões, móveis e eletrodomésticos sendo chutados e portas sendo batidas amiúde, desta vez eu não tive vergonha de contar para alguns mais próximos que não tem preconceito com minha condição. Eu precisava falar e fiz isso semvergonhamente. Um me alertou que eu não devo ficar sentindo remorso nem culpa, pois eu não tinha real intenção de malograr esta morada que é meu corpo. E isso é verdade. Outra me chamou atenção também para o fato de que foi só 1 mísero episódio em 2 anos e que eu já me superei muito. E isso também é verdade. Fico tão feliz por esse apoio, mas senti que minha estratégia pra manter a calma em situações de tensão emocional falhou. Além do desalento típico da crise pesou a minha cobrança comigo mesma, então fui atrás de dicas de profissional da área e contei pro meu psiquiatra o que eu fiz. Expus pro meu médico minha avaliação pessoal sobre o acontecido.

No meu caso, a auto e a heteroagressividade são só sintomas de mania e/ou de desajuste temporário das emoções, são só nuances de crise e não motivo pra fechar o cerco com medicação. Na maior parte dos episódios de fúria eu apresento heteroagressividade com relação ao ambiente (chutar, bater e jogar coisas). Desta vez fiquei realmente chateada, pois pra mim agressão contra o corpo, o meu ou o dos outros, é até pecado. E também não me cuidei deixando que me dessem notícia pesada logo depois de uma viagem que, apesar de divertida, gastou um pouco do meu vigor físico e mental. Lá veio a autoagressividade se manifestar de uma maneira que há mais de 2 anos não se manifestava. E lá fui eu negociar com o psiquiatra. Nada de remédios a mais, estou bem com essas doses! Mas farei umas horas de psicoterapia. Não vou ficar muito tempo, até porque eu estou sentindo neste momento que nem preciso mais (nunca precisei muito). Mas é só um reforço e faz parte da negociação.

Tenho 30 anos de idade, talvez mais de 25 anos de sintomas, 11 anos de tratamento e 2 anos em remissão. Tenho uma relativa estabilidade, minhas doses de remédios reduziram consideravelmente, estou em manutenção. Nesses dois anos tenho me sentido cada vez melhor e minhas crises, além de já terem uma curtíssima duração, apresentam intensidade incomparavelmente menor do que as antigas. Sei que estou no lucro, mas como sou exigente comigo mesma, quero que seja tudo perfeito. Impossível né?! Eu tinha esquecido por um instante que não deixei de ter patologia mental, só não fico mais em surto o tempo inteiro. Estava tão feliz por não ter tido problemas com o bicho da cabeça, por não ter sido atacada pelo estresse durante o passeio que esqueci de me vigiar na chegada.

Nos dias de crise a vontade era dizer pra todo mundo que é tudo uma grande tragédia, que não tem solução, que vamos todos viver nesse horror pro resto da vida ou simplesmente morrer desse horror logo logo. Em vez disso eu dei um tempo pro meu cérebro, aceitei o atestado que o médico me sugeriu e editei meu vídeo do feriado pra mostrar que, apesar do medo do estresse, eu me diverti muito e já planejo ir de novo. Se eu for cuidadosa antes, durante e depois de viagens e eventos eu vou me divertir sem maiores problemas. Estou bem agora e vou continuar dizendo que dá pra melhorar, recuperar, manter a saúde e viver bem. Porque dá sim! Permaneço em remissão, não dei nenhum passo pra trás, só parei em um degrau e já estou subindo de novo. Quando a gente melhora até o monstro do ônibus fica bem mansinho e o bicho da cabeça não dá muito trabalho.

“Vigiai, estai firmes na fé; portai-vos varonilmente, e fortalecei-vos.” I Coríntios 16:13

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Lá vem ela de novo… Chegou!

Bom, a bola de neve uma hora precisa se esborrachar em alguma parede de pedras ou em algum penhasco. O resultado? Tudo dissolvendo, derretendo, espatifado. Mas é até bom pois ela para de crescer. Agora é esperar com muita paciência o inverno passar, a neve derreter toda e a primavera surgir. E ela virá!

“Por isso não desfalecemos; mas, ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia.” II Coríntios 4:16

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Micro crise e a grogueira

Não falei que ia dar em crise! Tive que registrar este momento grogue. Infelizmente estados de adoecimento que tem por apelido a palavra “crônico” devem ser respeitados nas suas condições. Pode até haver cura um dia, pois acredito em milagres, mas por enquanto me satisfaço com o que Deus tem me proporcionado em matéria de saúde. Ser regrada e ter saúde é melhor do que exagerar na dose e passar mal. Fiquei pensando: pra que fazer tantas atividades e se deixar esbaldar em tanta coisa. Tudo só causa canseira e mal estar. Enfim, agora é aguentar as consequências da minha inconsequência.

“Atentei para todas as obras que se fazem debaixo do sol, e eis que tudo era vaidade e aflição de espírito.” Eclesiastes 1:14

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