Confissões, Vlogs

O trabalho

Depois de muito tempo consegui editar esse vídeo. Repetitiva e prolixa como sempre, mas dá pra entender o recado.

Trabalhar pouco ou não trabalhar? Escolho trabalhar.

“Em todo trabalho há proveito.” Provérbios 14:23 a

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Confissões

Furiosa bonança

Quem não tem nada a esconder não tem vergonha de mostrar seu lado mais azedo junto com seu lado mais doce. Todos tem os dois lados, mas a maioria prefere continuar mostrando somente as fadinhas da alma e escondendo os dragões mais horrorosos que tem por dentro.

A perfeição dos contos de fadas não funciona na vida real. É digno mostrar a todos tanto a bruxa quanto a princesa, em vez de fazer de conta que só existe o bom mocismo e a personalidade de realeza. Assim, quem se aproximar não vai estar sendo enganado achando que receberá apenas o que de mais doce e belo alguém tem a oferecer. Vão sabendo que junto também podem se deparar com toda a feiura e o azedume de um ser.

bolas de sabão

Isso é ser humano e eu sou muito disso. De um extremo ao outro, em alta velocidade e com violência maior do que minha saúde consegue suportar. E, infelizmente, com dramaticidade e intensidade maior do que minhas pessoas conseguem tolerar.

Sinto muito, sou eu. Com emoções mais furiosas do que eu mesma gostaria (as quais dificilmente controlo sem medicação), mas sou eu. Não tenho nada além disso pra oferecer.

“E, chegando-se a ele, o despertaram, dizendo: Mestre, Mestre, perecemos. E ele, levantando-se, repreendeu o vento e a fúria da água; e cessaram, e fez-se bonança. “Lucas 8:24

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Confissões, Lucubrações, Vídeos diversos

Andando na beirada

A dona do canal Quebre o silêncio (no Youtube) conseguiu explicar um pouco como é a personalidade do tipo limítrofe (ou borderline). O  portador pode manifestar sintomas já na infância. No meu caso, as lembranças da infância me mostram que eu sempre dei sinais, não só deste transtorno de personalidade mas também da doença maníaco-depressiva (atualmente chamada de bipolaridade). Infelizmente os adultos ao meu redor nunca conseguiram interpretar os sinais do jeito certo. Dizem que a infância é a melhor época da vida mas, apesar de eu também ter boas lembranças, me dá um certo aperto no peito quando penso que muito do meu sofrimento acumulado ao longo dos anos poderia ter sido evitado logo no início. Desde criança eu ando na beirada, não precisei de empurrão muito forte pra cair no abismo. O filme Garota Interrompida mostra um pouco como o TPB era tratado antigamente, na década de 60. Hoje há meios mais acessíveis de tratamento, mais informação e mais conhecimento para diagnosticar, apesar de ser um diagnóstico demorado. No meu caso foram necessários 29 anos de vida e 10 de tratamento para mania e depressão até saber o nome da outra desordem que ajudava a bagunçar minha vida.

Reconheço que é necessária muita paciência pra lidar com um borderline. E pra lidar com um bipolar/borderline (ou bipo/border) é preciso paciência dobrada. Atualmente não sei como as pessoas ao meu redor me veem e no fundo sei que não fará muita diferença pra mim, pois mais importante é como Deus me vê. Mas muitas vezes me peguei pensando se todos (familiares, irmãos, amigos, colegas) acham que eu sou realmente aquela coisa descontrolada que eles viam nos períodos de crise, ou se pelo menos alguns compreenderam com o tempo que eu sempre fui doente mas que agora estou melhorando. Sempre bateu uma pequena curiosidade de saber o que pensam. Mas agora que estou me recuperando eu tenho consciência das fases, tenho mais consciência dos sintomas, e me esforço pra não dar asas a essa curiosidade, pois sei que tem grande chance de ser mais uma brincadeira da personalidade limítrofe querendo me assustar na beirada do abismo. Enfim, vale a pena ver o vídeo.

“Eu os corrigi, e lhes esforcei os braços, mas pensam mal contra mim.” Oséias 7:15

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Confissões, Fotografias

THB e TPB

Transtorno Afetivo do Humor Bipolar (ou Doença Maníaco-Depressiva) é um transtorno de humor. Já se manifesta como patologia, é incurável e é preciso tratamento para ter qualidade de vida. Personalidade Limítrofe ou Borderline é só um tipo de personalidade que se torna patologia quando o emocional da pessoa se desequilibra. A pessoa perde o  controle das emoções o suficiente para ter sua vida prejudicada em várias áreas. Aí sim virou Transtorno da Personalidade Borderline ou Transtorno da Personalidade Limítrofe, ou (como alguns especialistas já estão nomeando atualmente) Transtorno de Regulação Emocional. THB é transtorno de humor, TPB é transtorno de personalidade. Sendo assim, é perfeitamente possível ter ambos. O THB  permanece o resto da vida e só estabiliza com tratamento, já o TPB vai melhorando naturalmente com o passar do tempo. Eu infelizmente (ou felizmente) levo as duas cargas. E não é nada fácil viver com eles, mas com muita fé em Deus dá pra viver sim e ser muito feliz como eu sou.

Foto by Lola
Foto by Lola

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Confissões, Lucubrações, Vlogs

Sobre despersonalização e desrealização

Meu vídeo picadinho (pra não dizer mal editado) é sobre episódio de despersonalização ou desrealização em uma bipolar e borderline (eu e eu mesma de cabelo arrepiado como sempre). Alguns separam despersonalização de desrealização. Tudo bem que o primeiro fenômeno é com relação à própria pessoa e sua sensação de ter a própria personalidade tirada de si (daí o nome) e o segundo é com relação ao ambiente e a sensação de modificação anormal do mesmo. Eu não faço distinção pois, apresento os dois fenômenos e talvez minha ligação com o ambiente seja forte o suficiente para eu, quando me sinto fora do corpo ou inexistente, perder também contato com o ambiente, perder a noção de espaço e formas.

Penso que meus episódios sempre foram curtíssimos (coisa de segundos). Mas como posso saber se realmente é assim ou se eu fico fora da realidade por mais tempo e não percebo? Não tinha parado pra pensar nisso até pouco tempo atrás, até porque sempre lidei bem com isso. Mas quando lembro dos casos em que iniciava algum tipo de interação com pessoas durante uma despersonalização, ou quando eu despersonalizava já estando no meio de uma conversa, fico preocupada com  a maneira como eu posso ter sido vista, preocupada com o que eu disse ou se me fiz entender. Eu não lembro mas as pessoas sim.

Às vezes dá até medo de continuar conversando com as pessoas em períodos, lugares e situações em que eu possa apresentar um episódio desse. Dá vontade é de ficar muda com todo mundo. Mas uma hipomaníaca (que fala) consegue ficar muda quando interage com os outros? Dificilmente. Lembro que quando eu era criança os episódios pareciam mais demorados. Depois de adulta parece que encurtaram. Mas como saber se minha noção de tempo é realmente fidedigna em uma situação dessas? Vai saber!

Vou deixar alguns links de vídeos, artigos e sites ou blogs de apoio (em português, inglês e espanhol) para quem tiver interesse em saber mais sobre TAHB, TPB, Despersonalização e Desrealização. No fundo sei que poucos vão se interessar em procurar mais informações. Mas enfim, estou fazendo minha parte.

https://www.youtube.com/watch?v=ki6M352e_DI&feature=plcp
http://www.youtube.com/watch?v=j_rEBKxW3qE
https://www.youtube.com/watch?v=Zfnkcf3taxM&feature=related
http://www.panikentosonline.blogspot.com.br/
http://www.soyborderline.com/
http://www.tara4bpd.org/pdf/LancetReview.pdf
http://www.dsm.psychiatryonline.org/article.aspx?articleid=174424&RelatedWidgetArticles=true
http://ajp.psychiatryonline.org/article.aspx?articleid=1213767
http://www.abtb.org.br/
http://www.bipolarbrasil.net/
http://www.pensamentosfilmados.com.br/
http://www.psiqweb.med.br/site/?area=NO/LerNoticia&idNoticia=184

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Confissões, Lucubrações

A novela da usualidade

Cansei! Vou  modificar as coisas um pouco e tentar trocar a palavra “normal” por “usual” pois acho que soa melhor pra mim e pra todo mundo que sabe que o conceito de normalidade, no que diz respeito a sanidade mental, emocional e física, é sebosamente aplicado na maior parte do tempo. Definitivamente eu sou tão anormal quanto as mais de 6 bilhões de criaturas humanas do planeta (sendo que a maioria é só criatura mesmo). E devo registrar minha satisfação em saber que faço parte do seleto grupo que tem a felicidade de ter tomado consciência de sua anormalidade e imperfeição.

Enquanto isso muitas criaturas se acham normais e perfeitas. Tadinhas! Mas o meu problema é ainda pensar que de vez em quando eu posso ser mais “usual”. Ir trabalhar de manhã, lavar uns 200kg de roupa à tarde, ir deixar a irmãzinha em casa e, mesmo assim, aceitar um convite para um evento na cidade vizinha sabendo que ficaria tarde, que eu teria que tomar remédios, que teria privação de uma parte do meu sono, que o cansaço do corpo puxa o da mente e o da mente puxa o do corpo e por vai e vai e vai. Mas o problema não está no trabalho, não está na roupa suja, não está nos eventos, nos amigos que convidam ou nos que fazem companhia, nos horários etc.

O problema é ter um cérebro que trilha um caminho não usual para a interpretação das atividades corriqueiras. Para o meu cérebro o trabalho, a lavagem de roupa e a saída de moto pra deixar a irmã são um cansaço físico que leva à uma necessidade vital de descanso e fuga para um ambiente de tranquilidade. O não suprimento desta necessidade leva a um estresse mental, que por sua vez é agravado com o gasto das últimas reservas de energia durante a noite. Nesse caso, eu não deveria sair de casa. Deveria ficar em casa, tomar banho, colocar o pijama de ursinhos e, no máximo, ler um livro agradável ou ver um episódio de The Big Bang Theory .

Mas nããão! Eu ainda acho que meu cérebro é comum, usual. Então eu não descanso, o estresse físico se agrava a medida em que o sol vai se pondo, o que faz com que o estresse mental se avolume também. E esses dois estresses, sem terem mais nada o que fazer da vida além ferrar a minha, se unem com o único objetivo macabro de levar o meu emocional para o lado negro da força estressado deles. O corpo reclama às vezes com tontura ou moleza, a mente reclama às vezes com esquecimento ou falta de concentração, o emocional reclama às vezes com explosão de fúria, exagero nas reações, irritabilidade ou com choro sem razão. A noite de sono não é agradável nem reparadora nesse caso. O sono demora séculos pra chegar. Meu cérebro transborda de hormônios ruins ou some com um monte de hormônios bons, dá na mesma. E quando meu corpo se exauriu e as emoções desmaiaram é porque minha mente já está agonizando na UTI.

O resultado é mais um ataque na manhã seguinte, gritos, coisas voando, desejo de matar, quebrar tudo ou me quebrar toda, só porque decidiram fuçar meus sms no celular e mentir dizendo que não. Ou seja, uma coisa abominável boba como essa não faria um cérebro usual vomitar tanta impulsividade e uma atitude violenta e incontrolável, digna de vilã-doida-histérica-de-novela-mexicana. Na verdade é pior que isso. Uma vilã-doida-histérica-de-novela-mexicana ainda tem a compreensão dos outros personagens da novela quanto ao que está acontecendo com ela. Sorte dela que pelo menos compreensão tem.

Ela é odiosa e odiada, mas está enlouquecendo e todos entendem isso apesar de não quererem aprender a lidar ou conviver com ela. No final ela sempre fica sozinha, pois nem a família aguenta nem sabe lidar com a tal loucura. Mas pelo menos aparece alguém com solidariedade suficiente para interná-la em um hospital mental enquanto a mocinha e o mocinho da novela se casam. A antagonista da novela mexicana é tão anormal quanto a protagonista boazinha da história. A diferença é que o cérebro daquela foi deixando de ser usual de forma intensa e violenta, projetando nos outros tudo que não presta. Pensando nisso (e em outras coisas também) acho que preciso me aperfeiçoar na arte de me cuidar sozinha, pois eu odeio ficar presa, principalmente em hospital.

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