Confissões

(…)

“(…) Eu amanheço, eu estremeço, eu enlouqueço (…)

(…) eu me derreto,
eu evaporo e caio em forma de chuva, eu reconheço

Eu me transformo (…)”

butterfly_cloud_by_pramin-d47cj0g

}ï{

Anúncios
Confissões, Fotografias

Os Ilustres

“Uma borboleta, além de ser bela e encantar as pessoas quando voa e ser frágil, ela teme os predadores, mas consegue ir aonde eles não vão, consegue ser o que eles nunca serão, consegue viver tempo suficiente, mesmo sendo pouco, para fazer o que tinha que ser feito. Consegue ver o que muitos não veem, consegue fazer o que muitos não conseguem. É uma criatura predestinada, feita de uma forma pensada, com uma função única, com um motivo existencial singular, com uma obra a fazer. Fazer o que? O que uma borboleta faz! Te cuida e faça da vida uma missão. Missão de glorificar o nome dAquele de te fez. Voe!” N. Shoenman

Em um sábado de manhã recebi uma ilustre visitante na minha cozinha. Foto by Lola

Muitas vezes as palavras mais carinhosas, mais confortadoras e que ecoaram por mais tempo não foram de alguns antigos que me viram mais ou menos bem, que depois me viram transformar em algo assustador e muito mais insuportável. Algumas palavras que foram cruciais para o meu processo de melhora muitas vezes foram as que vieram dos novos que tinham acabado de pousar na minha vida, que já me conheceram perturbada e mesmo assim não tiveram medo. Estes indivíduos se tornaram ilustres pra mim e eu louvo a Deus pela vida de cada um.

“Em todo o tempo ama o amigo e para a hora da angústia nasce o irmão.” Provérbios 17:17

}ï{

Confissões

Habeas alas

Essas coisinhas amareladas por debaixo dos galhinhos desse pé de pimenta são casulos de mariposa. Aquela prima da borboleta que só gosta de sair à noite e só pousa de asas abertas. Sei que são de mariposa porque fiquei olhando um tempão e em um dado momento uma encostou a asa bem coladinha na lateral e deu pra ver que era bem acinzentada. Borboletas em geral tem um colorido mais forte. Mariposas não são feias, elas só se camuflam de cores escuras porque são voadoras da noite. Às vezes sou uma também. Gosto de voar à noite. Mas não posso mais.

Foto by Lola

Bem que eu queria um casulo desses aí pra me enfiar dentro e só sair quando tudo tivesse passado e eu pudesse voar à vontade. Quem sabe à noite também? Atualmente só posso voar de dia, que saco! E só consigo ter o dia pela metade, só posso ter a tarde. Eu quero o dia inteiro, não só da hora do almoço pra frente. Quero a manhã também! Sinto falta da manhã, de ver o sol nascer, bem lúcida, sem indisposição, sem parecer um zumbi, pra trabalhar, pra estudar, pra fazer o que se faz enquanto o sol brilha. Mas também quero a noite. Não precisa ser toda. Pelo menos até o sono chegar. Pra olhar a lua, pra escrever, pra contar estrelas, pra ler, pra ouvir música.

Quem roubou da borboleta a metade do dia e o direito de voar de manhã? Quem tirou da mariposa a liberdade de voar durante à noite até a hora que ela quiser? Quem nos roubou o tempo e a disposição do nascer do sol? Quem tirou nosso direito de voar com saúde à noite? Porque nos tolheram? Cadê nossa liberdade para ser quem somos? Tanto tempo no casulo se preparando pra sair e quando sai não se pode voar do jeito que quer, a hora que quer. Isso dói, caramba! Exijo um habeas corpus! Ou um habeas alas, que seja!

}ï{

Confissões

Me gustas cuando callas

Me gustas cuando callas porque estás como ausente,
y me oyes desde lejos, y mi voz no te toca.
Parece que los ojos se te hubieran volado
y parece que un beso te cerrara la boca.

Como todas las cosas están llenas de mi alma
emerges de las cosas, llena del alma mía.
Mariposa de sueño, te pareces a mi alma,
y te pareces a la palabra melancolía.

Me gustas cuando callas y estás como distante.
Y estás como quejándote, mariposa en arrullo.
Y me oyes desde lejos, y mi voz no te alcanza:
déjame que me calle con el silencio tuyo.

Déjame que te hable también con tu silencio
claro como una lámpara, simple como un anillo.
Eres como la noche, callada y constelada.
Tu silencio es de estrella, tan lejano y sencillo.

Me gustas cuando callas porque estás como ausente.
Distante y dolorosa como si hubieras muerto.
Una palabra entonces, una sonrisa bastan.
Y estoy alegre, alegre de que no sea cierto.

(Pablo Neruda)

Pra comemorar as aulas de espanhol. Aliás, se alguém souber como é a fala das borboletas me avisem, quero começar a estudar o idioma delas também.

“Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.” I Coríntios 13:1

}ï{

Confissões

O casulo que protege lola

Rastejando a lola encontrou um casulo que nunca se desfaz. Pelo Deus Criador foi planejado. Um lugar onde a metamorfose acontece sem fim, enquanto ali viver. De onde, por vezes, se pode bater asas e voar livre, sem nunca se desligar por completo do seguro lar. Encasular é aconchegante também, e tão agradável como voar. Sair do ovo como larva, fortalecer-se e encasular para que a mudança aconteça, pode ser algo solitário e sofrido, ou pode ser algo extravagante e notável. Depende do extremo onde se encontra a lola. Lola é alcunha para a borboleta que por vezes se deixa apreciar e ama voar, mas pode entrar em seu casulo para se proteger e curar asas partidas. Aos simples curiosos que quiserem apreciar a transformação, a lola pode falar e compartilhar coisas que pensa, gosta e faz no casulo e fora dele. E os curiosos de fé, esperança e amor como ela poderão realmente entender a transformação com toda a sua dor e beleza. Às vezes olharão dentro e entenderão, mas às vezes só verão por fora sem entender bem o que se passa. Às vezes verão dor, às vezes verão beleza. Pois dor e beleza fazem parte dessa breve vida. Voando ou encasulando a lola sabe como são a dor e a beleza, mas também conhece bem a fé, a esperança e o maior deles, o amor do Criador. Pois é Ele quem sustenta a lola em qualquer lugar e situação.

“E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.” Romanos 12:2

}ï{

Confissões

Lagarta saindo do ovo

Não fiquem com nojo. Ela ainda será linda!

Bom, pra início de conversa preciso deixar bem claro que não tenho grandes pretensões com esse cantinho que arrumei pra escrever minhas sanidades e insanidades e compartilhar o que achar que devo do meu dia a dia. Não tenho pretensão de ter uma grande audiência nem nada assim. Postar coisas aqui pra mim é só algo que acho que talvez me ajude a me expressar melhor.

Esses tempos descobri que está mais fácil escrever do que falar. Até porque as palavras escritas não se perdem com tanta rapidez quanto as palavras ditas, e muitas vezes aquelas machucam menos que estas, pois temos mais tempo para pensar no que escrever do que para pensar no que falar. A larvinha de borboleta quando decide sair do ovo não sabe o que vai encontrar fora, mas ela sente que precisa sair. Mesmo sentindo que pode haver um pássaro faminto esperando para devorá-la, ela se aventura para ver no que vai dar. Escrever aqui, pra mim vai ser como sair do ovo também.

“Tu conservarás em paz aquele cuja mente está firme em ti; porque ele confia em ti.” Isaías 26:3

}ï{