Lutos e mais lutas

borboletinha

Uma semana e dois suicídios. Uma depressiva e uma bipolar em fase depressiva. Uma tomou para morrer os remédios que deveriam ser tomados para ajudar a viver. A outra já estava com a mente em queda livre e decidiu jogar o corpo para uma queda livre sem volta. Como não se compadecer por desconhecidas que conheciam o sofrimento uma da outra e o meu também? Vendo a situação delas lembro de palavras como impotência, negligência, desolação. Impotência por não ter tido condição de fazer alguma coisa, negligência dos parentes e amigos que as viam definhar e nada fizeram, desolação dos poucos parentes e/ou amigos que tentaram fazer algo mas não tiveram sucesso. Vendo isso só penso na minha situação. Lembro de palavras como medo e insegurança. Medo do bicho da cabeça e insegurança por ser tão instável e frágil. Todos nós somos, embora façamos de conta que não. Mesmo buscando o tão desejado e superestimado autoconhecimento nós não nos conhecemos de verdade. Só Deus conhece nossos corações, nossas habilidades e fraquezas. Vendo a situação inteira que Deus permitiu que acontecesse, não só um pontinho isolado mas tudo, lembro que ainda existem palavras como esperança, confiança e fé. Esperança de melhora e estabilidade, confiança nas promessas de Jesus, especialmente aquela que diz que eu nunca estarei desamparada, e fé que existe também para suprir quando todo o resto faltar.

“Porque ele disse: Não te deixarei, nem te desampararei.” Hebreus 13:5b

“(Porque andamos por fé, e não por vista).” II Coríntios 5:7

“Digo-vos que não sabeis o que acontecerá amanhã. Porque, que é a vossa vida? É um vapor que aparece por um pouco, e depois se desvanece.” Tiago 4:14

“Todo caminho do homem é reto aos seus olhos, mas o Senhor sonda os corações.” Provérbios 21:12.

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A vida basta

Ainda que a saúde me assuste com uma falseada na estabilidade que já é pouca; ainda que as pessoas se afastem (porque são lentas do juízo ou imaturas demais pra me acompanhar); ainda que as conquistas materiais não venham e que a esperança e a fé se abalem, eu preciso continuar mantendo meu coração satisfeito. Pois há pessoas em situação de saúde pior (e eu preciso pensar nisso deixando um pouco de lado a relativização); há pessoas que não tem nem família nem amigos (eu sei que há); há quem não tenha oportunidade nem de correr atrás de seus objetivos e há os que não tem fé em nada, em ninguém, e se angustiam sozinhos porque sua esperança não tem um nome para que possam chamar na hora da agonia. Talvez nem uma réstia de esperança tenham em si. Independente do quanto eu peça, e rogue e implore por uma cura eu sei que ela não virá, como não vem aos aidéticos, como não vem aos diabéticos, como não vem aos portadores de Parkinson ou Alzheimer. A cura não virá. Se é assim, então me serve o que foi dito a Paulo: “A minha graça te basta!”* Enfim, sou satisfeita em ter a graça da Vida. Estou viva! E isso basta.

* II Coríntios 12: 7-10

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Rastejando em frente

Quando tudo estiver desmoronando do lado de dentro ou do lado de fora da cabeça (ou do resto do corpo); quando os órgãos se acertarem para muitos deles adoecerem de uma vez só; quando as crises vierem para me despedaçar e assustar os outros; quando eu chorar e não tiver nenhum colo ou ombro; quando ninguém souber o que fazer com minha loucura; quando eu ficar sozinha; quando a sensação de perda iminente da vida se instalar; quando as forças faltarem; quando os joelhos fraquejarem; quando o sofrimento for tão cortante a ponto de me emudecer; quando a dor me der vontade de berrar mas a prostração levar meu fôlego embora… eu vou continuar indo em frente.

Ainda que eu precise me arrastar para continuar, eu vou continuar. Nenhuma doença é páreo para Aquele que criou o universo. Nenhuma destruição é demais para Aquele que contruiu e reconstrói todas as coisas. Não sei vocês, mas eu creio! Ainda que demore, ainda que desespere, ainda que enlouqueça, nEle eu vou esperar, me alegrar, crer, viver. Quando minha sanidade mental faltar, Deus será minha sanidade.

“Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado; Todavia eu me alegrarei no Senhor; exultarei no Deus da minha salvação. O Senhor Deus é a minha força, e fará os meus pés como os das cervas, e me fará andar sobre as minhas alturas.” Habacuque 3:17-19

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You raise me up

You Raise Me Up
When I am down and, oh my soul, so weary;
When troubles come and my heart burdened be;
Then, I am still and wait here in the silence,
Until you come and sit awhile with me.
You raise me up, so I can stand on mountains;
You raise me up, to walk on stormy seas;
I am strong, when I am on your shoulders;
You raise me up… To more than I can be.
You raise me up, so I can stand on mountains;
You raise me up, to walk on stormy seas;
I am strong, when I am on your shoulders;
You raise me up… To more than I can be.
There is no life – no life without its hunger;
Each restless heart beats so imperfectly;
But when you come and I am filled with wonder,
Sometimes, I think I glimpse eternity.
You raise me up, so I can stand on mountains;
You raise me up, to walk on stormy seas;
I am strong, when I am on your shoulders;
You raise me up… To more than I can be.
You raise me up, so I can stand on mountains;
You raise me up, to walk on stormy seas;
I am strong, when I am on your shoulders;
You raise me up… To more than I can be.
You raise me up… To more than I can be.
 
 
Você Me Levanta
Quando estou pra baixo, e minha alma tão cansada
Quando problemas vem e meu coração foi queimado
Então eu permaneço e espero aqui no silêncio
Até Você vir e sente um pouco comigo.
Você me levanta, então eu posso subir montanhas
Você me levanta para andar em mares turbulentos
E eu sou forte quando estou em Seus ombros
Você me levanta…para mais do que eu posso ser
Você me levanta, então eu posso subir montanhas
Você me levanta para andar em mares turbulentos
Eu sou forte quando estou em Seus ombros
Você me levanta…para mais do que eu posso ser
Não há vida, não há vida sem vontade
Cada coração inquieto bate tão imperfeito
Mas quando Você vem e eu fico maravilhado
Às vezes, eu penso de relance na eternidade
Você me levanta, então eu posso subir montanhas
Você me levanta para andar em mares turbulentos
Eu sou forte quando estou em Seus ombros
Você me levanta…para mais do que eu posso ser
Você me levanta, então eu posso subir montanhas
Você me levanta para andar em mares turbulentos
Eu sou forte quando estou em Seus ombros
Você me levanta…para mais do que eu posso ser
Você me levanta…para mais do que eu posso ser
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Salmos 23

O Senhor é o MEU pastor, nada me faltará. Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranquilas. Refrigera a minha alma: guia-me pelas veredas da justiça por amor do seu nome. Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque Tu estás comigo; a tua vara e teu cajado me consolam. Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos, unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda. Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos dos dias da minha vida; e habitarei na casa do Senhor por longos dias. Salmos 23

Situações de desespero exigem medidas desesperadas! Já estou no vale, Senhor, e não temo nada! Mas me deixe ir porque preciso desses longos dias de refrigério na Tua casa.

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Quando o inverno parece nunca acabar

Jardim do Château de Chenonceau – Foto by André Gustavo Lima

Aproveitando o céu azul, o sol amigo que fez hoje e o ânimo melhorado, com cara de início de primavera (mas ainda é verão amazônico), decidi criar coragem pra relatar um pouco sobre a última semana. Meu tratamento estava prestes a tomar rumo novo na segunda-feira da semana passada. Um dos comprimidos, um mísero comprimido, seria tomado intercaladamente durante uns dias e depois disso … adeus paroxetina! Já ia tarde  a bandida que me seca as mucosas nasal e bucal e me obriga a andar com garrafinha de água de vez em quando. Abri mão de uma viagem que duraria todo o  fim de semana temendo  os sintomas da abstinência. Passou o sábado, tudo normal. Veio domingo, uma moleza no corpo, cansaço mental, mas tranquilo.

Na segunda, o dia começa bem, apesar da indisposição e vontade de morrer pra não ir trabalhar com a cabeça no mundo da lua. Porém, lá pelas tantas da tarde, uma divergência boba, banalidade que nem discussão era, uma opinião contrária … e a vespa sai do vespeiro e se retira  logo em seguida deixando a lola trancada no quarto mais próximo, chorando a tarde inteira, desesperada, tentando descobrir quem era aquele bicho mais forte que ela, aquela armadura  com vontade própria, que manda e desmanda no ser que a veste, sem chance de defesa ou reação contrária. Chegou a terça-feira e como não dava mais pra faltar outro dia de trabalho, mesmo sabendo do perigo, lá fui eu. Pois o mundo não para só porque alguém precisa de tempo para um pequeno ajuste nos parafusos (tá bom, grande ajuste!).

Um pendrive que foi esquecido no local de trabalho e é visto  desmontado sobre a mesa foi só a gota que faltava pingar  pra que a desgraçada vespa saísse de novo.  O que é um pedrive? Sempre valorizei muito mais pessoas do que objetos. Não, esse não foi o motivo, tenho certeza. Alteração de humor, impulsividade são normais em algumas pessoas, mas AQUILO não foi normal. Terminar sentada e encolhida aos berros no canto da salinha de arquivo do departamento, no escuro, depois de agredir uma porta e uns armários de aço, definitivamente não é normal. Assustar as pessoas e dar um péssimo testemunho, pagar de doida é basicamente anormal, quando tudo pelo que se ora a Deus e se esforça é por manter um equilíbio e uma convivência amistosa com todos para que vejam a beleza de Cristo em si.

Os mais compreensivos até me dizem: “Não é culpa tua, te conheço e você não é assim!” Mas me trato há tanto tempo. Deveria ter percebido que não estava pronta para parar um dos drops que me ajudam tanto e que complementa a ação dos demais, o médico deveria ter percebido que eu não estava pronta, mas ele faz o que pode. A única coisa que passa pela cabeça quando as coisas reviram é que o que antes foi recebido como bênção se tornou em maldição. Mas enfim, depois de retomar o uso do dito cujo (mas dia sim e dia não), depois do médico me deixar de molho o resto da semana e depois de reclamar, falar besteira e choramingar para algumas pessoas, até sinto vida de novo em mim.

Às vezes quando parece que as bençãos se tornaram em maldição, quando o inverno da alma chegou, quando a desesperança toma de conta e nos faz perder o chão, o norte e quase desistir, Deus mostra que esse inverno é necessário, com seu branco, seu cinza, seu frio doloroso, seu céu nublado. É necesário passar pelo inverno para aprender a valorizar a primavera que vem em seguida, com suas cores, suas flores, seus perfumes e suas borboletas, claro! É necessário passar pelo inverno  pois é nesse período que se escuta coisas que nunca na vida tinha escutado, como: “Minha filha, eu sei que é difícil, mas mamãe tá aqui pra cuidar de você“! É no inverno que se vê a humanidade e compreensão escondidas onde menos se imagina, por exemplo, nos seus colegas de trabalho e chefes, que vão ao cubículo, acendem a luz, te trazem água e te levam  pra esfriar a cabeça em um lugar bonito e cheio de árvores. É no inverno que você  percebe como seu animal de estimação é sensível à sua situação, carinhoso e apegado a você (apesar do nosso  ter morrido enquanto eu escrevia este post, e escrevo sobre isso depois, pois agora estou arrasada demais e já chorei demais hoje).

O fato é que “ninguém será grandemente abençoado por Deus se não houver sido severamente por Ele ferido”. E mesmo escrevendo este post entre lágrimas e engasgada até não poder mais, com a emoção à flor da pele porque meu cérebro às vezes  parece que me odeia, tenho certeza de que meu Senhor me ama e por isso mesmo ainda me mandará muitas estações diferentes pra eu lidar. Talvez eu tenha muitos verões e outonos entendiantes, mas certamente terei muitas primaveras também. E no final, a alegria de cada uma delas fará ter valido a pena a longa espera e o frio dos invernos tristes e quase sempre solitários.

“E ele muda os tempos e as estações;” Daniel 2:21

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