Confissões, Lucubrações, Vlogs

Corrida, felicidade e vida

Viva e feliz! Apesar da crise, apesar do cansaço, apesar da cara, apesar de tudo. Pois a felicidade é um estado permanente que independe das mazelas temporárias da nossa existência, como surtos, cansaço, agressividade, desânimo ou abatimento. Aliás, o bom e o ruim fazem parte da plenitude da vida. Felicidade não é necessariamente cruzar a linha de chegada das conquistas pessoais ou o ato de subir ao pódio com seus metais preciosos pendurados ao pescoço. Felicidade é a carreira veloz, ou a marcha moderada, ou a lenta caminhada. Felicidade é muito mais o caminho sendo percorrido do que o local onde se chega.

Estar vivo e ser feliz é o “ir” e não obrigatoriamente o “chegar”. Onde está o pódio em que as pessoas querem subir? Quais são os louros que cada um deseja? Se eu receber meus louros, vou depositá-los aos pés dAquele que merece o mais alto degrau em todos os pódios. Ainda que eu tenha que parar para descansar de vez em quando, ainda que eu caia e precise me tratar, ainda que um obstáculo me atrase, continuo indo. E vou na velocidade de caminhada, marcha ou carreira que me for permitida pelas minhas capacidades e limitações. E há tanta vida e tanta beleza pelo caminho, que os louros são apenas detalhe e consequência de um trajeto feito com paciência, cuidado e dedicação ao aprendizado. Um trajeto cheio de felicidade, apesar de tudo.

“Prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.” Filipenses 3:14

“Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira.” Atos 20:24 a

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Confissões, Lucubrações

Psicolouca

borboletas da alma

Enfim, decidi cursar Psicologia, uma das áreas do conhecimento pela qual sempre tive curiosidade. Gosto de ouvir e analisar situações, e isto acontece com tanta facilidade que às vezes me perturba e chateia alguns. Já ouvi falarem que “psicólogos são todos loucos” ou que “quem faz psicologia acaba ficando doido“. Pois bem! De doida já me chamam desde a infância por causa do meu jeitão e da minha mente desordenada. Logo, não poderão acusar os estudos em Psicologia de me deixarem louca.

Ao revelar meu novo curso universitário ouvi “Parabéns!“, “Até que enfim!” e muitas outras felicitações. Infelizmente algumas pessoas que me são muito queridas sempre condenaram essa área de estudo, falando dela superficialmente e fazendo uso de puro senso comum. Se expressam de um modo que me passam a seguinte mensagem: – Não veja, não ouça, não leia, não examine, não estude e, principalmente, não faça uso da Psicologia para nada! Aos ignorantes, a Psicologia se mostra não como uma simples área da ciência humana, mas como a pintura perfeita de uma arte das trevas. Para mim é uma área do conhecimento que, como qualquer outra, precisa ser filtrada e que de maneira alguma me definirá como pessoa.

Mas… portadora de transtorno mental pode ser psicóloga? Pode sim! Da mesma forma que alguém nascido com doença cardíaca pode se tornar cardiologista, da mesma forma que um psiquiatra pode desenvolver doença mental (ou já ter nascido com ela). Um cadeirante não pode ser esportista? Uma mulher estéril não pode se tornar mãe através da adoção? A limitação é característica humana, mas a capacidade de adaptação também é. Trabalhar na área da saúde mental é algo que eu posso e quero fazer. Antes de ter as portas abertas para estudar essa área, me foi permitido ser adoecida da mente. Não por maldade, mas para me aperfeiçoar, me colocar um freio e para que eu pudesse entender o que os outros passam.

Jamais poderão dizer com verdade que eu não sei o que o paciente está passando. Eu sei sim, pois o sofrimento mental quase me comeu viva. Minha situação é de limitação de saúde mental em tratamento, baixa resistência ao estresse que tento controlar, conflitos internos e externos em constante análise, crises e surtos uma vez ou outra, traumas de infância que precisam ser curados, depressão e mania estabilizadas, ataques de pânico já praticamente inexistentes, insônia de vez em quando, despersonalização e desrealização de vez em sempre e uma personalidade limítrofe encoleirada feito um rottweiler bravo. Apesar da minha situação, tenho uma enorme certeza do amor de Deus por mim e uma absoluta confiança de que Ele é provedor de tudo o que preciso para eu continuar me superando.

Posso estudar comportamentos, organizações, sociedade, políticas públicas, educação, processos neuropsicológicos e tudo o mais que eu desejar. Eu posso! Posso enlouquecer se eu precisar, posso surtar se minha mente necessitar, pois antes de ser estudante de Psicologia, eu sou humana. Mas sempre posso melhorar e dizer aos outros como fazê-lo. Deus iluminou minha estrada a cada passo que eu dei para chegar onde estou, e é Ele que tem limpado meus olhos e me dado autoconhecimento. Não é assim com todos, mas minha terapeuta mais recente percebeu e me afirmou a verdade que eu já tenho no coração: minha fé é meu “punho de força” e eu não devo perder isso de vista. 

Aliás, psicólogo pode professar uma fé e mesmo assim ser imparcial e competente, dentro daquilo que a profissão exige? Pode sim! Entendendo a urgência de se conhecer as perturbações que impedem alguém de viver plenamente, e observando não só o biopsicossocial mas também o espiritual com cuidado, com critérios, com discernimento de cada coisa, com respeito às escolhas e às mazelas dos outros, com a neutralidade necessária, eu sei que posso ser uma boa profissional e auxiliar pessoas a trilharem o caminho em direção à saúde da mente. 

Para ter um pedaço de papel que prove meu conhecimento teórico e capacidade de lidar com os problemas alheios, me faltam ainda uns 4 anos e muita dedicação aos estudos. Mas nada me impede de tentar tocar a alma alheia com os meios que tenho, e os tenho como dons. A dor, a perturbação e o choro do outro me afetam, assim como a alegria, a vitória e satisfação, mas não quero puxar ou empurrar ninguém, pois considero que a caminhada deve ser lado a lado, e a superação deve vir a cada manhã para profissionais e pacientes (ou clientes?). Me falta ainda bastante conhecimento, mas eu tenho uma alma que sente demais o próximo e que me faz sentir que eu já sou psicóloga há muito tempo!

“Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece.”Filipenses 4:13

“O que adquire entendimento ama a sua alma; o que cultiva a inteligência achará o bem.” Provérbios 19:8.

“A alma generosa prosperará e aquele que atende também será atendido.” Provérbios 11:25.

“… para que também possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação, com a consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus.” II Coríntios 1:4b

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Lucubrações

Lutos e mais lutas

borboletinha

Uma semana e dois suicídios. Uma depressiva e uma bipolar em fase depressiva. Uma tomou para morrer os remédios que deveriam ser tomados para ajudar a viver. A outra já estava com a mente em queda livre e decidiu jogar o corpo para uma queda livre sem volta. Como não se compadecer por desconhecidas que conheciam o sofrimento uma da outra e o meu também? Vendo a situação delas lembro de palavras como impotência, negligência, desolação. Impotência por não ter tido condição de fazer alguma coisa, negligência dos parentes e amigos que as viam definhar e nada fizeram, desolação dos poucos parentes e/ou amigos que tentaram fazer algo mas não tiveram sucesso. Vendo isso só penso na minha situação. Lembro de palavras como medo e insegurança. Medo do bicho da cabeça e insegurança por ser tão instável e frágil. Todos nós somos, embora façamos de conta que não. Mesmo buscando o tão desejado e superestimado autoconhecimento nós não nos conhecemos de verdade. Só Deus conhece nossos corações, nossas habilidades e fraquezas. Vendo a situação inteira que Deus permitiu que acontecesse, não só um pontinho isolado mas tudo, lembro que ainda existem palavras como esperança, confiança e fé. Esperança de melhora e estabilidade, confiança nas promessas de Jesus, especialmente aquela que diz que eu nunca estarei desamparada, e fé que existe também para suprir quando todo o resto faltar.

“Porque ele disse: Não te deixarei, nem te desampararei.” Hebreus 13:5b

“(Porque andamos por fé, e não por vista).” II Coríntios 5:7

“Digo-vos que não sabeis o que acontecerá amanhã. Porque, que é a vossa vida? É um vapor que aparece por um pouco, e depois se desvanece.” Tiago 4:14

“Todo caminho do homem é reto aos seus olhos, mas o Senhor sonda os corações.” Provérbios 21:12.

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Vídeos diversos

O homem no buraco

“Seja conhecido de vós todos, e de todo o povo de Israel, que em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, aquele a quem vós crucificastes e a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, em nome desse é que este está são diante de vós. Ele é a pedra que foi rejeitada por vós, os edificadores, a qual foi posta por cabeça de esquina. E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos.” Atos 4:10-12.

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Confissões, Lucubrações

Simples assim!

E quando eu decidi resistir firme e aguentar até o nascer do sol, quando parei de perguntar “porque” e passei a perguntar “pra que”, o sol começou a nascer e eu comecei a entender que tudo (o bom e o ruim) tem objetivo pré-estabelecido. Eu é que ainda não estava pronta pra ver a luz e só via a escuridão de uma noite sem estrelas. E não estou 100% pronta pra tudo. Mas já consigo olhar o horizonte e ver o sol nascendo, ou pelo menos ter a certeza de que ele está lá, mesmo quando as nuvens o cobrem. Fé é isso: crer sem ver. Simples assim!

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Confissões, Vídeos diversos

A vida basta

Ainda que a saúde me assuste com uma falseada na estabilidade que já é pouca; ainda que as pessoas se afastem (porque são lentas do juízo ou imaturas demais pra me acompanhar); ainda que as conquistas materiais não venham e que a esperança e a fé se abalem, eu preciso continuar mantendo meu coração satisfeito. Pois há pessoas em situação de saúde pior (e eu preciso pensar nisso deixando um pouco de lado a relativização); há pessoas que não tem nem família nem amigos (eu sei que há); há quem não tenha oportunidade nem de correr atrás de seus objetivos e há os que não tem fé em nada, em ninguém, e se angustiam sozinhos porque sua esperança não tem um nome para que possam chamar na hora da agonia. Talvez nem uma réstia de esperança tenham em si. Independente do quanto eu peça, e rogue e implore por uma cura eu sei que ela não virá, como não vem aos aidéticos, como não vem aos diabéticos, como não vem aos portadores de Parkinson ou Alzheimer. A cura não virá. Se é assim, então me serve o que foi dito a Paulo: “A minha graça te basta!”* Enfim, sou satisfeita em ter a graça da Vida. Estou viva! E isso basta.

* II Coríntios 12: 7-10

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Sem lítio por um dia, noite de hipomania

Minha hipomania aparece de levinho aqui e acolá, durante eventos ou visitas, quando preciso interagir com outras pessoas, no trabalho, em reuniões de padeiros(as) etc. Mas quando eu passo da hora de dormir ou simplesmente esqueço de um remédio (como o lítio que serve para conter crises maníacas) a dita cuja vem bater mais forte na porta. Se eu não abrir ela mete o pé e vai entrando, passando por cima de mim e fazendo a festa. Me deixa ligada a noite toda sem conseguir dormir. Isso quando minha cabeça não desliga de vez lá pelas tantas da madrugada, me obrigando a cair desmaiada pra um lado da cama. Fico taquilálica em algumas ocasiões, ou seja, falando muito e muito rápido. Quando estou sozinha falo como se estivesse conversando com alguém que, evidentemente, não está ali. Mas diferente do esquizofrênico, eu sei disso. Fico exagerada e impulsiva em risadas, gestos, respostas e normalmente não meço palavras. É energia demais querendo sair.

Quando isso acontece na frente de pessoas que não me conhecem ou não entendem minha condição (leia-se todo mundo que eu conheço) é uma vergonha, pois só vou me dar conta do que aconteceu quando adrenalina e Cia se aquietaram. Às vezes despejo zilhões de palavras praticamente ao mesmo tempo, tenho umas sacadas irônicas, ou falas sarcásticas que a maioria não consegue acompanhar. Isso assusta as pessoas e as faz achar que eu quero chamar atenção. Odeio ser o centro das atenções (tire pelo ódio de festinha surpresa e a vergonha de microfone que me faz perder a voz). Mas que pessoa extravagante assim não chamaria atenção? É um terror pra quem gosta de ficar quieta. A mania (mesmo a hipo) vem, dá sua festa, revira minha casa, me derruba, me faz passar vergonha, me chuta na cara e no estômago e vai embora. Daí vem a depressão, igual um lutador de MMA, e senta em cima de mim pra que eu não tenha chance de levantar pra arrumar a bagunça. Fico só arquejando no chão!

Minha cabeça parece o parque de diversões do meu transtorno. Tem gangorra, montanha-russa, trem fantasma. Acho que isso define bem minha situação. É um sobe e desce, é uma reviravolta, é um desce e sobe, é náusea, é risada, é susto, é pavor, é risada de novo, é sensação de queda, é medo…É UM HORROR! E pra aliviar esse horror, eu preciso de remédios. Os remédios não curam, por isso tem esse nome. Só servem para re-me-di-ar a situação. A cura acontece em alguns casos, mas não no meu caso. Até hoje não se descobriu cura para bipolaridade. Some-se à bipolaridade vários sintomas do transtorno de personalidade limítrofe e temos um pequeno caos apocalíptico acontecendo dentro de uma cabeça só, fazendo uma só pessoa sofrer.

E os remediadores da situação só servem pra eu não chorar por uma semana e por fim morrer desidratada, pra não me cortar ou furar, pra não sofrer de derrame por tanto bater a cabeça na parede, pra não quebrar os móveis do trabalho ou os de casa, pra não romper a prega vocal de tanto gritar, pra não sair arrebentando todo mundo no trânsito e ser detida pela polícia, pra não berrar para os colegas de sala calarem a boca, pra não levantar no meio do culto e dar umas porradas no pastor, pra não esfolar viva uma pessoa que me trate como menininha de 12 anos (Então, boniiiiitas!!); pra não estrangular alguém que diga “oi” com um sorrisinho de canto de boca parecendo uma Barbie, ou pra não escalpelar alguém que não faça nem isso. Trocando em miúdos, pra não me matar nem matar ninguém. Deus me ajude, mas até crianças bagunceiras me fazem respirar fundo pra não dar um chute.

Enfim, os remédios servem pra eu conseguir sobreviver a mim mesma e deixar que os outros sobrevivam a mim. Alguém poderia até questionar o porquê de Deus não me libertar disso tudo, sendo que eu creio tanto nEle. Mas meu Deus já me curou e livrou da única coisa que remédio nenhum daria jeito: o inferno. Perto dele qualquer apocalipse mental não passa de uma cosquinha. E Deus dá propósito pra tudo nessa vida, até pra essa bagunça que eu sou. O meu propósito talvez seja ter a doença e conviver com ela, simplesmente. É, talvez o propósito seja só esse: continuar eu viva pra mostrar aos outros que é possível viver, sorrir e ser feliz mesmo no meio dessa zona de guerra.

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