Confissões

Tormenta das necessidades

Esses tempos uma tempestade das grandes veio tentar varrer minha frágil estabilidade. Isto me fez colocar em prática ensinamentos já adquiridos, mas nunca usados por falta de ocasião propícia. Como o sol brilhava eu deixei de vigiar; e como não temos controle de quase nada na vida, o tempo virou. Eu até gosto de chuva, mas dessa vez pareceu o Dilúvio, tamanho foi o volume e a violência com que veio.

Eis então o momento de necessidade que eu precisava para abrir o baú das coisas que eu sei mas nunca usei. Tirei dele o meu kit tormenta, com equipamentos bem nomeados: o guarda-chuva “Falou? Sustente!”, a capa de chuva “Ame a si mesma” e as galochas “Já chega!”. Tudo isso, junto com o livro de Jó em doses homeopáticas, foi para atender às necessidades que foram surgindo em razão do péssimo tempo.

Senti necessidade de me importar só com o que Deus pensa sobre mim e não com o que os outros pensam; senti a necessidade de parar de tentar agradar todo mundo e a necessidade de cuidar de mim antes de cuidar dos outros. Senti necessidade de me respeitar e de expressar minhas opiniões quando a situação mostra que eu estou certa. Uma necessidade que precisei suprir com urgência foi a de manter distância emocional de tudo e todos que pudessem fazer mal.

A necessidade de retirada de minha presença, em favor de minha saúde mental, eu atendi logo também. Se vão sentir minha falta ou não, já não me importa. Tem sido essencial atender à necessidade de validação de toda a ajuda que eu já prestei às pessoas. Ainda que desconsiderem eu sou satisfeita por sempre tentar ajudar. Surgiu a necessidade de valorizar mais as minhas pessoas, pois sempre há pessoas cuja grama do quintal não é tão verde quanto se pensa. Senti e sinto também necessidade de desconfiar mais daquilo que muito reluz, que muito me é oferecido, que muito me acolhe e solicita, pois nem sempre é afeto, às vezes é conveniência.

Lembrei agora que permanece a necessidade de reconhecer meus próprios erros, de assumir minhas emoções com suas reações resultantes, de saber a hora de desabafar e de parar de desabafar. Descarrega-se com os de confiança apenas o que bastar para deixar a carga mais leve. Quando a carga é dividida e o peso aliviado já é hora de levar o resto sozinha, até que precise descarregar novamente.

Muitas outras necessidades surgiram e eu as tenho atendido, mas existe uma antiga e teimosa que eu ainda persisto em tentar suprir: a minha insistente necessidade de querer ensinar seres sem asas a voar. Esta necessidade não mais receberá minha atenção, pois há seres que não voam, alguns só zurram e dão coices, não importa o que se faça. Eu precisei levar vários coices na vida para compreender que é inútil querer que eles voem.

Enfim, veio o temporal e agora, pelo menos para mim, é só mais uma chuva grossa que começa a afinar devagarinho. O kit tormenta deixou em mim o que deveria deixar. Aproveito para tirar a capa, as galochas e fechar o guarda-chuva, pois já está passando e os equipamentos de proteção podem dar lugar aos meus pés descalços pulando nas poças, à minha roupa molhada enquanto eu brinco e ao meu cabelo escorrendo na cara.

É melhor brincar na chuva em vez de ficar reclamando que ela está demorando a passar. Me protejo quando está muito forte, mas esse volume de chuva agora não é mais para meter medo, é para que eu me tranquilize e comece a lembrar que Deus manda temporal para podermos confiar em Sua providência, para nos alegrarmos muito mais pelo sol que vai aparecer quando as nuvens abrirem e para que o azul do céu seja apreciado com mais gratidão ainda.

“Com a sua voz troveja Deus maravilhosamente; faz grandes coisas, que nós não podemos compreender. Porque à neve diz: Cai sobre a terra; como também à garoa e à sua forte chuva.” Jó 37:5,6

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Confissões

Escrever é preciso

Soltando as prisioneiras

Pode ser que a “normalidade” do cotidiano estivesse me anestesiando muito. Pode ser que eu estivesse ficando dessensibilizada. Sei lá o que era! O que eu sei é que algo esteve bloqueando minhas letras, algo me impedia de escrever com a mesma frequência de antes. Seria o bastardo tempo que resolveu se esconder de mim? Será que a recente capacidade de me manter sã em momentos tempestuosos esteve me tirando a necessidade de clamar através das letras? Tenho melhorado como nunca pensei que melhoraria. Estou bem como nunca achei que estaria um dia. Embora sinta e sofra, tenho conseguido não morrer de dor nos momentos atribulados. Tenho conseguido! Glória a Deus!

Mas escrever é preciso! Preciso voltar a falar por meio das letras, nem que seja só para dizer que está tudo bem, que é possível ficar bem. Surto há, personalidade complexa há (mais na linha, mas há), hipomania às vezes há, DP/DR sempre e sempre, depressão aqui e acolá – e por favor respeitem e aceitem que doença ainda há, crise ainda há e necessidade de retirada sempre haverá. Mas os temporais não ocasionam mais aquela antiga ausência por meses e meses, aquela paralisação completa de vida. O autoconhecimento e a autorregulação estão indo bem. Deus no comando leva tudo adiante. É devagar, mas sempre adiante. Bom, vou destampar o frasco da alma e deixar sair o que está preso.

“Tinha muito o que escrever…” III João 13 a

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Confissões, Vlogs

Lá vem ela de novo… Chegou!

Bom, a bola de neve uma hora precisa se esborrachar em alguma parede de pedras ou em algum penhasco. O resultado? Tudo dissolvendo, derretendo, espatifado. Mas é até bom pois ela para de crescer. Agora é esperar com muita paciência o inverno passar, a neve derreter toda e a primavera surgir. E ela virá!

“Por isso não desfalecemos; mas, ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia.” II Coríntios 4:16

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Confissões

Resistente fica doente

Mesmo com todas as armaduras que tem a Titânia também se machuca e chora.

 Você é resistente.

                Você é gente.

                     E gente adoece.

                           Você não deixou

                                 de ser resistente.

                                   Você só está doente

                                 Se dê ao luxo de ser gente.

                                   Você é resistente, você chora, você melhora.

                                                                                                               Só que às vezes demora.

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Confissões, Vlogs

Graças em meio a desgraça

Mesmo que a atitude, o exterior, seja muitas vezes de desespero, tristeza, desistência. Mesmo que às vezes haja revoltas, crises, reviravoltas no tratamento e outros problemas de saúde, a felicidade e a gratidão nunca deixaram de existir no meu coração.