Confissões

Semana negrita

Segunda e terça de espisódio maníaco, com insônia que durou 28 horas, seguido de um DESânimo que espalhou boas pitadas de beligerância com atividades oBRIGAtórias como trabalho e estudos. Quarta e quinta foram os dias do episódio depressivo com direito a choro, sentimento de INutilidade, sensação de abandono e todo aquele povo sombrio que costuma me visitar nessa fase. Sexta de depressão misturada à irritação extrema e DESnecessária, insônia e, pra fechar os dias INúteis, ataque de pânico leve na madrugada de sexta para sábado. Sábado SONOlento, sonoLENTO! Saí fazendo força para interagir mesmo com toda a fadiga. A INdisposição não passou completamente mas (como diz um certo meme na internet) eu melhOREI. Não me perguntaram pessoalmente se eu tinha melhORADO, mas eu sabia que eu tinha que melhORAR um pouco para MELHORAR mais. Às vezes um pensamento elevado a Deus e regado a lágrimas com súplica por misericórdia é suficiente para que você melhORE!

Mc 14:38; Lc 6:26; I Ts 5:17; I Ts 5:25; Tg 5:16.

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Confissões, Lucubrações

Histórias que contam história

Faltei o trabalho ontem, de novo. Estou depressiva e já melhorando mas anteontem eu de novo tangi o limite da sanidade. Sempre fico com medo de postar algo quando estou em crise hipomaníaca ou depressiva, ou melhorando de alguma das duas, porque nunca sei o que vai sair e posso me arrepender. No fundo eu tenho até medo de sair de casa, ir trabalhar, ir à igreja, ir à aula, cursinho ou qualquer outra coisa que envolva colocar o corpitcho pra fora de casa e interagir com os humanos “normais”.

Mas, sinceramente, se eu criei um blog com o principal objetivo de escrever o que vai na minha cabeça, desabafar as coisas que não tenho com quem na maior parte do tempo (embora eu ache que, ocasionalmente, alguém que me conhece vai ler, mas e daí?), então vou usar o meu blog do jeito que eu preciso usar. Da última vez que lembro de ter escrito muita coisa durante fase hipomaníaca foi um apocalipse pra mim. Na época eu e o médico achávamos que eu era só distímica, mas já apresentava sinais de bipolaridade ainda que não notasse e não dissesse nas consultas. Sobre o que, a quem ou como escrevi asneiras… abafa! Quero falar da explosão que ocasionou esse pequeno ‘fim dos tempos’.

Aconteceu durante uma viagem para visitar uma família missionária em um certo fim de semana há alguns anos. Realiza! Viagem de ônibus que dura o dia inteiro, lá pra onde o Judas bateu as botas com a corda no pescoço, em uma estrada esburacada cuja poeira, de tão fina, seria capaz de  fazer lama com os neurotransmissores, e esta transtornada aqui presa com um monte de jovens amigos barulhentos naquela lata de sardinha, enjoando até ficar verde. É um abuso contra a resistência mental de um ser humano psiquiatricamente complexo. Até que comecei a tal viagem bem, conversando alegremente. Mas o estresse de me sentir presa naquele ônibus somado ao cansaço físico e mental e à irritação pela bagunça dos outros foi aumentando e aumentando até parecer que todos estavam gritando, gargalhando e bagunçando dentro da minha cabeça.

Foi simplesmente incontrolável! Um amigo pegou um objeto meu sem me pedir. Pronto! Algo banalíssimo, mas foi o suficiente pra empurrar a bola de neve morro abaixo. Eu, estressada e irritada, pedia de volta meu pertence, e chamava, e falava, mas todos falavam mais alto que eu, todos gargalhavam mais alto do que eu conseguia falar e estavam tão eufóricos nas suas gargalhadas e diversão que ninguém me ouvia. Abriu-se a porteira do vespeiro sem querer.

Daí eu já não ouvia mais nada, nem sentia mais nada, só aquilo vindo de dentro da cabeça incontrolável e rápido. Tão rápido que já tinha me tirado o ar antes que eu pensasse em respirar fundo. Como se eu estivesse caindo em um buraco com todo mundo ao meu redor gritando e rindo e me irritando. O esforço pelo alto controle foi hercúleo (como sempre é) mas não o suficiente. Um grito meu que fez o motorista estancar no meio da estrada me deixou fazer as vezes de esquentadinha, explosiva, descontrolada, histérica ou sei lá o que mais que tenham falado ou pensado. Tudo acontece com uma velocidade tão absurda que escrevendo assim nem parece. E às vezes nem consigo lembrar de tudo.

Depois disso foi depressão o fim de semana inteiro. Na primeira noite até que passei bem. Chorei um pouco (caladinha pra não acordar ninguém) mas dormi. No dia seguinte organizaram algumas atividades para todos, mas eu não tinha ânimo, não conseguia nem sorrir de verdade. Depois do culto da manhã ficava deitada chorando dentro do quarto a tarde inteira enquanto todo mundo brincava e se divertia lá fora. Em uma manhã consegui sair e ir com o restante do povo visitar uma aldeia onde eu tomei uns bons goles de caiçuma (bebida indígena) vomitando tudo em seguida. Quem mandou? Minha curiosidade me mantém viva às vezes mas às vezes quer me matar.

À noite comecei a chorar e acabei acordando uma amiga. Decidi sair pra varanda e ficar lá chorando sem incomodar ninguém, sem acordar ninguém. Não sei quanto tempo fiquei, mas o dia já estava quase clareando, e eu lá chorando. Até que o cansaço me venceu, as lágrimas já não saiam mais, acho que tinha secado a remessa da noite. Nem precisa dizer que no dia seguinte eu tinha um par de olhos de sapo-boi na cara. “Teu olho tá horrível!”, me disse a moça que eu acordei de noite. Não foi vingança por tê-la acordado, meus olhos estavam mesmo horríveis, impossível não notar o inchaço. Mas quem disse que eu ligava? À tarde, mais atividades e mais uma vez eu não saí. Fiquei tentando cortar cenouras na cozinha e findaram tirando a faca da minha mão pra eu não me cortar pois eu estava cega de lágrimas. Chorava cortando cenoura, chorava tomando banho, o pouco que comia era chorando, chorava até dormindo e acordava de manhã querendo chorar.

Uma das coisas que mais lembro foi a indiferença da grande maioria. Parecia, para alguns, que eu nem estava lá, ou que eu era só alguém que destoava do grupo de pessoas felizes e por isso merecia ser ignorada de todo ou tratada com hostilidade. Pedidos de desculpas de quem me provocou ou me tratou mal, interesse em saber se eu precisava de algo, compaixão e presença são coisas que teriam ajudado. Infelizmente nesses quesitos eu, como sempre, fiquei no limbo. Afinal, eu é que era “a histérica, descontrolada, chata e insuportável ”.

Ninguém liga pra essa tua berrice, pra tua frescura!” ou “Nem te dei moral durante essa viagem!” ou ainda “Para de chorar! Chorar é bom mas demais assim fica chato!”, foram as coisas mais delicadas que escutei depois. Me mostraram que eu incomodava, mas apesar de tudo eu tento não guardar mágoa de ninguém nessas horas. A desinformação é um “privilégio” de muitos e as pessoas às vezes não tem culpa de serem ignorantes nesse assunto. E confesso que eu também já joguei nesse time.

Mas nem tudo foi indiferença ou hostilidade. De todos ali uma amiga vinha ver de vez em quando como eu estava, orava do meu lado e chegou a me ajudar a recolher minhas coisas na hora de ir embora, pois eu não aguentava fazer mais nada. Por essa eu agradeço a Deus, e também pela outra que veio e orou comigo uma vez. Quando não se sabe o que fazer com um deprimido ou o que falar, só o fato de ficar ali por perto da pessoa, disponível para o que ela precisar, já ajuda. A pessoa, que já está carente e fragilizada, vai saber que existe alguém que se importa e que ela não está abandonada por aqueles que ama. Orar pela pessoa deprimida é de grande valor e também surte muito efeito, mesmo que demore. Os ouvidos do Senhor nunca estão fechados e Suas mãos nunca estão atadas, mesmo que pareça.

Percebi depois que no meio de muitos cristãos vi pouco cristianismo, justamente quando eu mais precisava do amor, suporte e compaixão que Cristo ensinou. Às vezes a culpa é do egoísmo que se fantasia de diversão e de alegria da juventude, ocupando tanto espaço, em certas ocasiões, a ponto de não deixar ninguém se atentar às necessidades alheias. Às vezes a culpa é da falta de informação, da ignorância na qual nascemos e vivemos até que algo novo e estranho aconteça, e nos mostre o quanto somos fracos e necessitados.

Mas pra todos esses males há remédio, e não há melhor tratamento do que aquele que Deus pode dar e que produz crescimento e sabedoria. Então, ainda que a alma esteja se partindo, o espírito esteja gemendo de dor e o corpo esteja abatido, eu dou graças a Deus, pois todas as sementes que se partem o fazem para que a árvore nasça, cresça e produza seus frutos!

Versículos para conferir: Mt 22:39, Jó 6:14, Sl 69:20, Mt 9:36, Mt 14:14, Tg 5:13-15, Pv 25:20, Jó 16:20,Sl 38:11, I Pe 3:12a, Sl 119:71, Jó 42, Is 59:1, Jó 14:7, Jó 42:2, Jó 42:10, Sl 40:17, Tg 5:16b, Jo 12:24.

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Confissões

No Getsêmani

Foi no Getsêmani que meu Senhor entrou em agonia

Foi lá que orou incessantemente

Foi lá que suou sangue pela angústia que sentia

Tamanha dor e medo dEle se apossaram

Meu Senhor, tão amado

Sabia o que O esperava

Por mim, por me amar sofreu

E lá foi por um anjo confortado

Preciso voltar ao Getsêmani

Em angústia, sim, mas esvaziada

Sabendo do dever a cumprir por amor do Pai

E mesmo assim desesperada

Por saber também da dor cortante

Do sofrimento,

Das horas que parecerão não passar.

Insistindo, pedindo, incessantemente orando.

Mesmo sabendo que o Consolador aqui habita

Será que o Senhor mandará também um anjo para me consolar?

(18/04/11)

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Confissões

Uma oração

É em oração Pai
Que nos agarramos a Ti,
Tu que és o Deus Todo Poderoso,
Permita que possamos pedir…para louvar
Que possamos lutar…para descansar.
Precisamos passar algum tempo no jardim.
Precisamos ir ao Getsêmani, diariamente, antes de mais nada
Sempre, se isso for necessário.
Que possamos reter em nossos corações e mentes
a cena de Jesus no jardim.
Grave-a em nossos corações e almas.
Que possamos seguir os passos dEle
E nos recusar a sair dali enquanto não recebermos
Teu amor, Tua alegria, Tua paz…
Oramos em nome de Jesus,
Que nos ensinou a orar.
Amém!

Não lembro de qual livro copiei esta oração, nem quem a escreveu, mas achei por bem compartilhá-la. Compartilhar oração nunca é demais e nunca é ruim.

“Orai sem cessar.” I Tessalonicenses

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Lucubrações

“… só.”*

Muitas vezes somos levados a pensar que o vigor da vida está na agitação, nos tumultos. Erramos! Necessitamos obter a força em momentos de quietude. Para que um lago reflita o céu, precisa estar plácido. Nosso Senhor Jesus Cristo amava muito estar com as pessoas mas por vezes vemos os relatos de que Ele se retirava para orar sozinho. Nos deixou o exemplo de que aqui e ali precisamos fugir da multidão e retomar a arte da meditação, da contemplação da beleza. Que possamos, em meio ao agitado mundo de hoje, encontrar o nosso lugar secreto, o nosso cantinho de silêncio, para onde possamos nos retirar e estar à sós com o Criador desfrutando de Sua bendita presença e contemplando Suas riquezas espirituais. Como será salutar às nossas vidas se aprendermos cultivar o hábito do silêncio!

“E, despedida a multidão, subiu ao monte para orar, à parte. E, chegada já a tarde, estava ali só.” (Mt 14:23)

* Escrito por mim para o blog micronacionalista “A Alvorada Imperial” em Domingo, 28 de dezembro de 2008.

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