Confissões, Lucubrações, Vlogs

Corrida, felicidade e vida

Viva e feliz! Apesar da crise, apesar do cansaço, apesar da cara, apesar de tudo. Pois a felicidade é um estado permanente que independe das mazelas temporárias da nossa existência, como surtos, cansaço, agressividade, desânimo ou abatimento. Aliás, o bom e o ruim fazem parte da plenitude da vida. Felicidade não é necessariamente cruzar a linha de chegada das conquistas pessoais ou o ato de subir ao pódio com seus metais preciosos pendurados ao pescoço. Felicidade é a carreira veloz, ou a marcha moderada, ou a lenta caminhada. Felicidade é muito mais o caminho sendo percorrido do que o local onde se chega.

Estar vivo e ser feliz é o “ir” e não obrigatoriamente o “chegar”. Onde está o pódio em que as pessoas querem subir? Quais são os louros que cada um deseja? Se eu receber meus louros, vou depositá-los aos pés dAquele que merece o mais alto degrau em todos os pódios. Ainda que eu tenha que parar para descansar de vez em quando, ainda que eu caia e precise me tratar, ainda que um obstáculo me atrase, continuo indo. E vou na velocidade de caminhada, marcha ou carreira que me for permitida pelas minhas capacidades e limitações. E há tanta vida e tanta beleza pelo caminho, que os louros são apenas detalhe e consequência de um trajeto feito com paciência, cuidado e dedicação ao aprendizado. Um trajeto cheio de felicidade, apesar de tudo.

“Prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.” Filipenses 3:14

“Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira.” Atos 20:24 a

}ï{

Anúncios
Confissões

“Qual é a realidade de qualquer sentimento?”

Há um tipo especial de dor, exultação, solidão e pavor envolvidos nessa classe de loucura. Quando se está para cima, é fantástico. As idéias e sentimentos são velozes e frequentes como estrelas cadentes, e você os segue até encontrar algum melhor e mais brilhante. A timidez some; as palavras e os gestos certos de repente aparecem; o poder de cativar os outros, uma certeza palpável. Descobrem-se interesses em pessoas desinteressantes. A sensualidade é difusa; e o desejo de seduzir e ser seduzida, irresistível. Impressões de desenvoltura, energia, poder, bem-estar, onipotência financeira e euforia estão impregnadas na nossa medula. Mas, em algum ponto, tudo muda. As idéias velozes são velozes demais; e surgem em quantidades excessivas. Uma confusão arrasadora toma o lugar da clareza. A memória desaparece. O humor e enlevo no rosto dos amigos são substituídos pelo medo e preocupação. Tudo que antes corria bem agora só contraria você fica irritadiça, zangada, assustada, incontrolável e, totalmente emaranhada na caverna mais sinistra da mente. Você nunca soube que essas cavernas existiam. E isso nunca termina, pois a loucura esculpe sua própria realidade.

A história continua sem parar, e finalmente só restam as lembranças que os outros têm do seu comportamento — dos seus comportamentos absurdos, frenéticos, desnorteados — pois a mania tem pelo menos o lado positivo de obliterar parcialmente as recordações. E então, depois dos medicamentos, do psiquiatra, do desespero, depressão e overdose? Todos aqueles sentimentos incríveis para desembaralhar. Quem está sendo educado demais para dizer o quê? Quem sabe o quê? O que foi que eu fiz? Por quê? E o que mais atormenta: Quando vai acontecer de novo? Temos também os lembretes amargos — remédios para tomar, para se ressentir por ter tomado, para esquecer; tomar, ressentir, esquecer, mas sempre tomar. Cartões de crédito cancelados, cheques sem fundo a serem cobertos, explicações devidas no trabalho, desculpas a serem pedidas, lembranças intermitentes (o que foi que eu fiz?), amizades cortadas ou esvaziadas, um casamento terminado. E sempre, quando isso vai acontecer de novo? Quais dos meus sentimentos são reais? Qual dos meus eus sou eu? O selvagem, impulsivo, caótico, vigoroso e amalucado? Ou o tímido, retraído, desesperado, suicida, cansado e fadado ao insucesso? Provavelmente um pouco de cada lado. De preferência, que grande parte não pertença a nenhum dos dois lados. Virgínia Woolf, nos seus vôos e mergulhos resumiu essa história: ‘Até que ponto nossos sentimentos extraem sua cor do mergulho no mundo subterrâneo? Quer dizer, qual é a realidade de qualquer sentimento?

 O trecho acima é do livro Uma mente inquieta, de Kay Redfield Jamison, psiquiatra e maníaca-depressiva (ou bipolar, whatever). Os destaques em negrito são meus.

Estou lendo esse livro e simplesmente me vejo lá. Ela descreve e explica tudo com uma perfeição que só um médico psiquiatra E doente bipolar poderia fazer. Interessante é que o povo ignorante sempre diz que médico psiquiatra é ‘tudo doido’. Não é verdade. Muitos deles só se identificam com a área por que já vem de uma história pessoal e/ou familiar de doença mental. Mas também há exceções. Enfim, amei esse livro e me emociono lendo. É tocante como faz parecer que não estou sozinha, que outros sofreram e sofrem tanto quanto eu para conviver com a doença, que alguém que nem me conhece entende tão bem a minha situação. Para baixar o livro, que é interessantíssimo e vale a pena ser lido, tem esse link aqui http://goo.gl/TRwD6. }ï{

Confissões

Vivendo entre os polos

Bom, com relação aos polos congelados do globo terrestre eu acredito que foi tudo culpa do Dilúvio, mas não é desses polos que quero falar. Quero colocar pra fora algo acerca dos meus polos. Sim, eu tenho polos, dois deles, dentro da minha mente. Um é no topo de uma montanha, o outro fica em um abismo profundo e garanto que o lá de cima é quente, acelerado, falastrão, simpático com todos e cheio de energia; enquanto o lá de baixo é gélido, escuro, profundo, chorão, pessimista e quieto.

Enfim, pra quem porventra ler não ficar boiando, devo dizer que ser bipolar é como ter que matar um leão todo dia pra conseguir viver, pra se manter com vontade de viver. Confesso que às vezes até para exercitar a fé e a confiança na providência Divina e no suprimento das necessidades é preciso se esforçar. O polo negativo (ou gelado) não deixa. É como se a pessoa não mandasse mais em si, na sua mente, nas suas reações diante dos entraves do cotidiano. Uma pessoa pode ser tida como explosiva e perder o controle de seu comportamento às vezes, mas isso é mais fácil para a sociedade compreender. Mas e quem não controla suas reações por uma condição de saúde? Porque é tão difícil de aceitar?

Tudo bem que muita gente se esconde atrás dos transtornos mentais, até eu já fiz isso muitas vezes, e me envergonho ao lembrar, mesmo sabendo que o medo de melhorar e encarar a vida e a autocomiseração é uma fase da doença, existem por causa da doença e não porque a pessoa quer deliberadamente chamar atenção pra si ou dar uma de coitada todas as vezes que tem atitudes que apontam pra esse lado. Às vezes parece que até quem diz que te ama não suporta seu polo ardente seguido de  seu polo congelante com tanta rapidez. Cheguei até a comentar sobre isso no site do Dr. Paulo André Issa em um artigo sobre bipolaridade justamente hoje, quando estou passando por um momento depressivo e meio desesperançoso. Meio não, muito desesperançoso, com ideias tenebrosas. Porque, mesmo medicado, o doente mental está sujeito a períodos de crise por várias razões, pequenas e/ou grandes.

Às vezes a culpa corrói. A culpa de saber que todos que te amam ou que possam vir a te amar um dia vão ter que viver sofrendo o choque térmico que é conviver com  alguém  que sofre desse ou de qualquer outro transtorno. Às vezes não parece justo com as pessoas que você ama. Não parece justo que elas tenham que passar por isso com você. Quando se ama as pessoas se quer o melhor para elas e muitas vezes a vontade é fazer algo pra não sujeitá-las a ter que conviver com você, pois ninguém é obrigado. E se nem você se controla nas crises e nem existem super humanos com paciência ilimitada, o que fazer então? Suicídio é uma opção cogitada p or quem está absurdamente doente, mas é pecado e mais um grande et cetera. Isolamento hoje em dia é quase impossível e ainda nada viável pois gera desconfiança e preocupação justamente nas pessoas às quais você quer poupar. Fica difícil saber o que fazer às vezes.

Embora a razão e a fé digam: ” E o vosso coração se alegrará, e a vossa alegria ninguém vo-la tirará.” (Jo 16:22a), alguma coisa fica gritando aqui dentro: “E a minha vida se aproxima da sepultura.(Sl 88:3). Embora a metamorfose aconteça, às vezes as borboletas parecem vespas. Talvez eu esteja precisando parar de mendigar compreensão, paciência e amor  das pessoas que me rodeiam, mesmo daquelas que eu amo e que dizem me amar. Talvez eu esteja só exausta, doente, precisando de cuidado, precisando descansar, e descansar mais em Deus também. Isso basta!

“Dá força ao cansado, e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor.” Isaías 40:29

}ï{